Governo já estuda novas linhas de ônibus circular entre bairros

SEM AVISO — Codesan colocou seus ônibus nas ruas na terça-feira, depois que a Riopardense deixou serviço

Riopardense alegou quebra dos ônibus e abandonou
serviço, que foi assumido pela Codesan; população elogia

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

A prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo, por intermédio da Codesan, foi obrigada a assumir de imediato o serviço de transporte coletivo urbano. A antecipação, já que a data prevista era segunda-feira, 5, ocorreu porque a Riopardense alegou que seus dois únicos ônibus quebraram praticamente juntos, na manhã de terça-feira, 30, e abandonou de vez o serviço de transporte de passageiros. Apesar de começar o trabalho às pressas, a prefeitura já tem planos de reformar pontos de ônibus e até criar uma nova linha entre bairros.
Como a Codesan já havia treinado seus motoristas e os ônibus adquiridos pela administração estavam prontos para operar, os veículos saíram às ruas logo após o anúncio de abandono da Riopardense, feito pelo gerente da empresa em Santa Cruz, Luiz Roberto de Oliveira. Há dias, o DEBATE já trouxe a informação de que a empresa de ônibus, em sérias dificuldades financeiras, poderia não cumprir os dias que restavam para o cumprimento do contrato.
Os primeiros dias do transporte sob comando da Codesan agradaram os usuários. Afinal, a nova frota municipal, adquirida no final de abril, é composta de sete ônibus em boas condições, apesar de terem dez anos de fabricação. Três deles estarão nas ruas — inclusive um fazendo a linha para o distrito de Caporanga —, enquanto outros quatro ficarão como “reserva”. A explicação é que, como a Codesan se transformou em autarquia, qualquer compra de peças ou serviços precisa necessariamente passar por uma licitação.

O FIM — Incêndio no pátio marcou fim da Riopardense em Santa Cruz

O governo está pedindo a compreensão dos passageiros, alegando que podem ocorrer falhas nos primeiros dias, já que o serviço foi assumido às pressas. Segundo o município, por enquanto não há previsão para os ônibus rodarem aos domingos, mas isto vai acontecer em poucas semanas.
Até o final de agosto, o transporte coletivo urbano “estatal” será gratuito. Isto já estava acontecendo com o ônibus que faz a linha até Caporanga, já que há um mês o ônibus da Riopardense sofreu um acidente na rodovia vicinal e a empresa não teve condições de recuperá-lo.
A partir de setembro, a tarifa vai custar R$ 3,50, o mesmo valor que a Riopardense cobrava antes de abandonar o serviço em Santa Cruz.
Ainda há dúvidas sobre os passes que alguns usuários e empresas compraram antes do fechamento da Riopardense. O governo explicou que a gratuidade de 30 dias deve “zerar” os passes em poder de moradores, mas que, no caso dos passes com vencimento em meados de setembro, os usuários devem procurar a empresa “para negociar”. Entretanto, a prefeitura de Santa Cruz deverá assumir o prejuízo e aceitar os passes da Riopardense até o final de setembro. Afinal, como detém a concessão do serviço, transferido a uma empresa particular, o município também responde pelo passivo.

Mudanças em breve

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Gerson Garcia, confirmou na semana passada que a administração tem planos de manter o serviço de transporte coletivo durante algumas horas aos domingos e feriados. “Estamos nos adaptando para melhorar o serviço cada vez mais”, afirmou.
Segundo ele, o governo já realizou licitação e aguarda a construção de novos 50 pontos, que serão instalados nas próximas semanas. Os pontos antigos, com apenas um poste, vão acabar.
Ele também anunciou que o município estuda novos trajetos para o ônibus circular, mas não há previsão de implantação. De acordo com Gerson Garcia, existe até a possibilidade de mais ônibus ganhar as ruas até o final do ano, reduzindo os horários de parada dos coletivos nos pontos.
A Riopardense encerrou as atividades em Santa Cruz do Rio Pardo de forma melancólica. Há pouco mais de uma semana, o pátio da empresa, no bairro Itaipu, foi tomado por um incêndio de grandes proporções. Sete ônibus em situação de sucateamento foram totalmente destruídos. De acordo com o gerente Luiz Roberto de Oliveira, as sucatas deveriam ser vendidas para o pagamento de salários atrasados. Há pelo menos três meses os funcionários não recebem salários.

  • Publicado na edição impressa de 04/08/2019
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