Artigo: ‘Idosos, cuidem-se’

Idosos, cuidem-se

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

A sociedade brasileira está envelhecendo e isso não é segredo para ninguém. Daqui algumas décadas, a projeção é de que os idosos serão maioria no Brasil. Várias discussões já começaram em torno disso. A mais famosa e polêmica é a da Reforma da Previdência, em curso na Câmara dos Deputados.
Mas outros debates devem acontecer para que a qualidade de vida daqueles que têm mais de 60 anos aumente. Uma das consequências do envelhecimento da população é que esse pessoal que estará no topo das faixas etárias ficará mais tempo na condição de idoso e, caso não cuide da cabeça e da mente, irá sofrer sérias e dolorosas consequências.
Os idosos (e também aqueles já estão perto disso) precisam agir mais em benefício próprio e até mesmo ser “egoístas” quando o assunto é cuidar de sua vida. Afinal, eles já dedicaram décadas e décadas em favor da família. O idoso de amanhã não pode ser igual ao idoso de ontem. O idoso de amanhã precisa ser mais ativo, atuante e com melhor condição física e psíquica.
Esses cuidados começam já para quem está na casa dos 40 anos. Naturalmente, o idoso já enfrenta grandes dificuldades por conta do envelhecimento do corpo e doenças comum à idade. É, por isso, que precisa mais do que ninguém abrir os olhos e traçar um projeto de vida para não passar a longa velhice com dores e limitações.
E é neste momento que o idoso precisa vencer uma barreira que ele mesma se coloca e tem um aspecto cultural, histórico e social muito grande: o vitimismo e o coitadismo. Claro que aqui não cabem generalizações, mas muitos idosos, quase que automaticamente, começam a se entregar para algumas naturais e ainda pequenas mudanças em sua vida, por conta da idade, e adotam uma postura passiva, buscando um olhar de piedade das pessoas, lamentando aos quatro cantos suas dores, angústias e privações.
O vírus do “coitadismo” e do “vitimismo” é tão forte entre idosos que às vezes ele é automático, fruto de uma acomodação que impede aquele senhor ou senhora de sair de um permanente estado de letargia, querendo convencer a todos que sua vida é ruim e a culpa disso é da velhice.
Não me canso de repetir: é claro que passar dos 60 traz alterações no corpo. É óbvio. Mas também é muito claro que é possível amenizar isso e manter uma qualidade de vida satisfatória. Daqui há 20, 30 anos a sociedade não terá mais espaço para quem vive lamentando e culpando os céus, quando o maior culpado, na maioria das vezes, é o próprio idoso.
É fácil manter-se ativo, produtivo e influente depois dos 60 anos? Fácil não é, mas é plenamente possível.

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e  Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem 

 

  • Publicado na edição impressa de 04/08/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate