‘De 2.000 passarás’

Jornal chega ao número 2.000 e se
prepara para completar 42 anos de existência

O jornal que em setembro vai completar 42 anos de existência chega, neste domingo, ao seu número 2.000. É um marco na história do jornalismo em Santa Cruz do Rio Pardo, uma vez que, segundo o historiador Celso Prado, o DEBATE já é o jornal de maior longevidade de todos os tempos na cidade. Desde a primeira edição, em 17 de setembro de 1977, o jornal acompanhou quatro décadas de acontecimentos em Santa Cruz e região.
Apesar dos quase 42 anos, o DEBATE chegou somente agora ao número 2.000 porque, no início, tinha circulação a cada dez dias — era “decenário”. Nos anos 1980, passou a circular todas as semanas.
O jornal surgiu na garagem da casa do professor Celso Fleury Moraes, pai do diretor, com uma oficina gráfica rudimentar alugada de Cláudio Catalano, que morreu em 1978. O advogado era o dono do jornal “O Galo” e foi candidato a prefeito pelo MDB em 1976. Perdeu a eleição, fechou o jornal e a máquina ficou abandonada até que foi arrendada ao DEBATE. Na época, seu fundador tinha 17 anos de idade e precisou se emancipar juridicamente logo em seguida.
O DEBATE, na verdade, foi o sucessor de um pequeno jornal que começou sendo impresso em “mimeógrafo” a álcool — equipamento usado pelos professores para fazer cópias de provas. “O Furinho” circulou muitos anos, durante a infância do diretor do DEBATE. Era vendido de casa em casa e, com o tempo, ganhou forma de jornal, inclusive com fotografias.
Um dos feitos de “O Furinho” foi uma edição extra em 1972, quando uma explosão matou um trabalhador da antiga fábrica de óleo Esmeralda. Foi no dia 13 de junho, uma terça-feira, e o jornal da cidade — “A Folha” — só circularia no sábado. Mesmo “mimeografado”, “O Furinho” circulou no dia seguinte com as informações da tragédia.

Edição de “O Furinho” de 1974: um jornalismo juvenil que deu origem ao DEBATE

Independência

O DEBATE, porém, cresceu e fez história no jornalismo regional. Mudou, inclusive, o conceito dos jornais, que antes sempre eram escancaradamente atrelados a grupos políticos, daí a dificuldade de sobrevivência quando o novo prefeito era de outro partido.
Foi o pioneiro em toda a região na impressão em cores, que começou em 1992. Lançou cadernos especiais ao longo do tempo, inclusive suplementos agrícolas, culturais e sobre a história da cidade. Em 2004, lançou uma revista mensal, a “D Mais”. Hoje, mantém o “Caderno D”, um caderno dedicado à cultura e entretenimento. Editou, inclusive, livros.
Ao longo de décadas, o DEBATE teve colaboradores importantes. Além dos escritores de Santa Cruz, foram colunistas do jornal nomes como o escritor Fernando Moraes e um senador da República que escreveu durante dez anos no semanário, só deixando a coluna no início dos anos 1990. Era Fernando Henrique Cardoso, que se transformou no 34º presidente da República. A convite do DEBATE, FHC proferiu duas palestras em Santa Cruz antes da presidência.
O semanário também mostrou um jornalismo inédito na região, totalmente independente e crítico. Várias denúncias alijaram políticos “ímprobos” da vida pública e economizaram muito dinheiro aos cofres do município com reportagens que não pouparam nem mesmo autoridades do Judiciário.
No entanto, o DEBATE pagou caro por sua linha editorial em defesa da população. Foi o jornal mais processado e perseguido por autoridades na história de Santa Cruz.
Por conta deste “atrevimento” contra poderosos, o DEBATE ganhou visibilidade nacional, com reportagens em emissoras de televisão, rádio, jornais da grande imprensa e revistas. Foi capa da extinta “Imprensa” e ganhou várias páginas em jornais nacionais, como “Folha de S. Paulo”, “O Estado de São Paulo” e “O Globo”, entre outros. Seu diretor participou de vários programas de televisão, como “Jô Soares”, “Opinião Nacional”, “N de Notícias” da GloboNews, “Frente a Frente” e outros.
Aliás, foi em Santa Cruz do Rio Pardo que começou, provocado por inúmeros processos contra o jornal, o fim da antiga Lei de Imprensa, forjada na ditadura militar. A lei foi definitivamente banida do ordenamento jurídico, com a revogação pelo Supremo Tribunal Federal.
Em 2010, o diretor Sérgio Fleury Moraes foi homenageado pela ANJ — Associação Nacional dos Jornais — e escalado para entregar o prêmio “Liberdade de Imprensa” ao deputado Miro Teixeira, autor da ação que sepultou a lei 5.250/67.
Na véspera de completar 42 anos de existência, o DEBATE tem o desafio de implantar novos projetos. Eles serão anunciados por ocasião do 42º aniversário do jornal.


Jornal entrou na internet há quase
20 anos, em parceria com o ‘UOL’

Exatamente nos primórdios da popularização da internet no Brasil, o DEBATE foi o primeiro jornal a ingressar na era digital. Foi em 2000, através de uma parceria com o UOL, o maior portal da América Latina. Na época, o acesso à rede mundial de computadores era feita por telefone, a chamada “internet fonada”. Também não havia a mesma rapidez de hoje.
O site do jornal — www.debate.com.br — permaneceu 12 anos no UOL. Hoje, não está vinculado a nenhum portal e possui milhões de acessos. A curiosidade, segundo dados do “Google Analytics”, é que o site do DEBATE é acessado em vários países, onde provavelmente estão santa-cruzenses ou seus descendentes. Isto já acontecia no início dos anos 2000, quando o site passou a registrar um número surpreendente de acessos no Japão. A explicação era simples: havia famílias da região cujos filhos tentavam a sorte no país asiático, em períodos determinados, para depois voltar e investir novamente no Brasil.

  • Publicado na edição de 04/08/2019
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