Prefeitura corta árvores de antigo clube e doa a madeira para empresa

DESMATE — Em imagem de vídeo, trator carrega um tronco para levar a um caminhão, que já está lotado

Empresa terceirizada carregou toras
enormes a troco apenas da mão de obra

CORTES — Árvores foram abaixo com uso de motosseras e foram posteriormente transportadas por caminhões de uma empresa terceirizada

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Várias árvores de grande porte foram cortadas nas imediações do campo de futebol do antigo BAC (Barrigudos Atlético Clube), há aproximadamente dez dias. A área pertence ao município, desde que houve a retomada parcial do terreno do clube, doado pela prefeitura na década de 1980. É mais um capítulo da política do governo Otacílio Parras (PSB), que já é a administração que mais cortou árvores em Santa Cruz do Rio Pardo.
A denúncia foi enviada ao jornal por moradores revoltados com o corte. Há, inclusive, vídeos mostrando tratores e caminhões carregando troncos enormes das árvores — eucaliptos ou pinus — que ficavam no entorno do campo de futebol. O local é usado por escolinhas de futebol e projetos sociais coordenados pelo vice-prefeito Benedito Batista Ribeiro.
A reportagem acionou a administração na manhã de sexta-feira, 9, encaminhando um questionário para saber os motivos do corte das árvores. Segundo o secretário de Gestão e Comunicação, Cláudio Antoniolli, o questionamento foi encaminhado ao secretário do Meio Ambiente, Luciano Massoca, que acabou não respondendo ao jornal. Entretanto, Antoniolli disse que Massoca não tinha conhecimento do corte de árvores na área do antigo BAC e estava à procura dos responsáveis.

Madeira da área pública ficou com a empresa terceirizada (e sem licitação) a troco da retirada

Procurado, no início da noite o vice-prefeito Benedito Batista Ribeiro (PT) confirmou que os cortes das árvores foram feitos por medida de segurança. Segundo ele, uma delas rachou com o vento e caiu sobre o alambrado ao lado do campo de futebol. “Estava perigoso e resolvemos cortar”, explicou o vice-prefeito.
Benedito disse que o corte foi autorizado pela Defesa Civil do município. Ele não soube precisar o número de árvores cortadas, mas estimou em aproximadamente oito.
O vice-prefeito explicou, ainda, que uma empresa especializada — que levou trator e caminhões para o serviço — não cobrou nada, mas ficou com a madeira. “Eles levaram embora a troco da mão de obra”, disse.
A área do BAC foi retomada pelo município em 2017, depois que o local permaneceu abandonado durante alguns anos. O terreno havia sido doado ao clube na administração de Onofre Rosa de Oliveira, com cláusula de reversão caso o clube fosse extinto. Entretanto, a sede social, que fica ao lado do campo, ainda é de propriedade do BAC.
A supressão de árvores na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo aumentou muito na administração de Otacílio Parras. Em maio, a prefeitura cortou 21 árvores em uma única quadra, ao lado da Codesan. Em todos os bairros da cidade, os cortes são corriqueiros, tudo em nome de uma suposta necessidade ou pedido de moradores.
Em junho, o promotor do Meio Ambiente, Vladimir Brega Filho, disse que o prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo tem autonomia para realizar os cortes que desejar, se entender que o ato é de interesse público. Ele não instaurou nenhum procedimento para apurar os cortes drásticos.

  • Publicado na edição impressa de 11/08/2019
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