‘Sou o sonho de consumo do Diego’, afirma Otacílio

CAMPANHA — O secretário Diego Singolani virou estrela em todos os eventos da administração; na foto, entre Madalena e Otacílio na sexta-feira, 16

Prefeito Otacílio Parras sugere
que pode virar secretário da Saúde

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Na manhã de sexta-feira, 16, ao recebeu o deputado Ricardo Madalena (PL) em seu gabinete, o prefeito Otacílio Parras (PSB) deixou no ar a possibilidade de ser o secretário de Saúde de Santa Cruz do Rio Pardo a partir de 2021, na hipótese de seu candidato, Diego Singolani, vencer as eleições do próximo ano. “Como médico e prefeito durante oito anos, claro que serei o sonho de consumo do Diego caso ele seja eleito”, disse.
Otacílio, porém, disse que “pode ser que este não seja o meu sonho”. Em seguida, explicou que esta questão só será discutida por ocasião das convenções partidárias, com o lançamento oficial dos candidatos. “Quando as chapas estiverem lançadas de forma definitiva, esta questão deverá ser resolvida. Preciso ver se vou ter disponibilidade para ser ou não o secretário de Saúde. Claro que eu já disse ao Diego que ele terá minha experiência à disposição todos os dias, para orientar e ajudar. Mas não necessariamente fazendo parte do governo”, afirmou Otacílio.
Na semana passada, o prefeito também percebeu que não soou bem sua declaração, de que será novamente candidato a prefeito em 2024. Isto significa que, mesmo em caso de vitória eleitoral no próximo ano, Diego Singolani seria um “esquenta cadeira” para a volta de Otacílio, sem chances de tentar a reeleição. Mesmo sendo realmente este o plano do prefeito, ele voltou atrás e disse que foi apenas uma brincadeira. “Eu coloquei esta brincadeira naquele dia porque me provocaram”, desconversou.
Não é a primeira vez que um servidor é anunciado antes mesmo do resultado das eleições. Em 1988, Clóvis Guimarães disse que, caso eleito, seu companheiro de chapa Eduardo Blumer seria o presidente da Codesan. Venceu e cumpriu a promessa. Já em 2012, a situação foi inversa, quando a secretária de Saúde da prefeita Maura, Luizete Pereira, estava desgastada. Temendo perder votos como candidata à reeleição, Maura anunciou, dias antes das eleições, que Luizete deixaria o governo caso a prefeita fosse reeleita. A desculpa era Luizete assumir um outro cargo em São Paulo. No entanto, ninguém acreditou e Maura perdeu a prefeitura para Otacílio Parras.


O deputado Ricardo Madalena (PR)

Madalena está de
bem com o prefeito

O deputado Ricardo Madalena (PL), que em maio criticou o prefeito ao sugerir que ele tomava atitudes “como um coronel” e que era “um ingrato”, disse na sexta-feira que estes atritos já foram superados. “Em política, um dia você vê uma nuvem e no dia seguinte vê outra. Nós temos uma boa relação, tanto na área do parentesco como na política”, disse Madalena, que é primo de Otacílio. O deputado esteve no gabinete do prefeito na manhã de sexta-feira, 18, para anunciar novas verbas.
A ‘rusga’ de maio aconteceu porque Otacílio lançou o vereador Edvaldo Godoy (DEM) como candidato a vice sem consultar o deputado. Na sexta, Ricardo Madalena explicou que um dos nomes da chapa governista será filiado ao PL. “Estamos discutindo isto, inclusive os nomes. O secretário Diego é competente e o prefeito me consultou antes de anunciá-lo. Mas, na verdade, nem precisaria, pois o Diego reúne todas as qualidades para ser o candidato a prefeito do grupo e eu assino embaixo”, disse o deputado estadual.


Secretário demonstra ter um perfil menos agressivo do que Otacílio

Grupo ainda vai definir as legendas

Com a chapa de candidatos nas eleições de 2020 já lançada, o grupo político do prefeito Otacílio procura definir a filiação de Diego Henrique Singolani Costa e do vereador Edvaldo Godoy (DEM). O prazo é até maio do próximo ano, mas sabe-se que pelo menos um dos dois deverá se filiar ao PL (ex-PR) do deputado Ricardo Madalena. Em março, ao anunciar Edvaldo como candidato a vice-prefeito sem consultar o deputado estadual santa-cruzense, Otacílio teve de engolir Madalena dizer publicamente que o prefeito “agia como um coronel”. Semanas depois, os dois se entenderam e ficou definido que o candidato a prefeito ou a vice realmente iriam se filiar ao PL.
Otacílio, que escolheu pessoalmente os dois candidatos e apenas os anunciou ao grupo, também estuda meticulosamente as influências políticas de uma filiação. Ele planeja, por exemplo, que a chapa governista tenha votos num amplo espectro político, da esquerda à direita. Como tudo o que Otacílio Parras anuncia é pensado antecipadamente, as candidaturas do grupo também foram anunciadas após várias pesquisas e estudos.
Neste quadro, é provável que o filiado ao PL não seja Diego Henrique Singolani Costa. Sem partido, o atual secretário de Saúde era integrante do diretório municipal do PSOL, uma legenda identificada com a esquerda. Ele se desfiliou há meses, acatando sugestão do prefeito Otacílio Parras, e explicou que estava no PSOL apenas para atender ao pedido de um amigo.
Assim, Diego será o integrante da chapa que pode atrair eleitores mais próximos da esquerda, devendo se filiar a um dos partidos da base governista controlados por Otacílio. Mas há outra alternativa, que é a filiação do secretário de Saúde no PSD do ex-ministro Gilberto Kassab. Em 2015, o ministro tentou levar o próprio Otacílio para o seu partido, quando veio a Santa Cruz inaugurar a revitalização de duas quadras da avenida Tiradentes. “Nesta semana recebi uma ligação do Walter Hiroshi para agendar uma reunião com o Kassab, que comanda o PSD em São Paulo”, disse.
Segundo Otacílio, a reunião com o ministro Gilberto Kassab vai definir se o PSD vai participar da chapa majoritária com algum dos candidatos filiados à legenda. Se a hipótese de Diego Henrique Costa Singolani se filiar ao PSD, caberá ao candidato a vice Edvaldo Godoy deixar o DEM para integrar o PL do deputado Ricardo Madalena.
O plano é atrair a direita mais consistente, pois o próprio Otacílio é oriundo do Partido dos Trabalhadores (PT) e pediu votos para Lula e Dilma Rousseff. Hoje, quer os votos de legendas mais conservadoras. “Temos de ser pragmáticos em termos de política e não podemos ser radicais. Vamos conversar com os partidos, principalmente com as lideranças em São Paulo. Queremos ter o apoio do PSDB, do PSL do Bolsonaro e do PRB. Vamos conversar com todos”, disse o prefeito.

  • Publicado na edição impressa de 18/08/2019
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