Um talento dos gramados

DESISTIR? — Pai de Juninho conta que filho deslanchou após decidir ficar

Jovem santa-cruzense foi campeão e escolhido
melhor jogador da ‘Salvador Cup’ pelo CAP

Jogador foi eleito melhor do torneio

Diego Singolani
Da Reportagem Local

Mais de 500 quilômetros separam a casa da família Silvestre, na Vila Saul, em Santa Cruz do Rio Pardo, do centro de treinamento do Clube Athletico Paranaense, em Curitiba-PR, onde há três anos mora o filho mais velho, Luiz Fernando Silvestre Junior, 16, o “Juninho”. A saudade de casa é apenas um dos obstáculos que o talentoso jogador supera a cada etapa da carreira. Na semana passada, Juninho deu outro importante passo em busca do sonho de ser um profissional do futebol: além de conquistar a “Salvador Cup”, na capital baiana, o meia do “Furacão” foi eleito o melhor jogador do campeonato.
A trajetória de Juninho é marcada pela precocidade. No Athletico, ele joga uma categoria acima da sua idade. Quando criança, fosse na escola ou nas peladas, também se destacava entre os mais experientes. Seu pai, o pedreiro Luiz Fernando Silvestre, 38, conta que o filho nunca se interessou por outro brinquedo além bola — ou algo parecido. “Se não tinha bola ele brincava com laranja de fazer doce”, relembra. Juninho sempre chamou a atenção de quem o viu jogar. O atleta disputou torneios por diversos times da região, mas a sua base de formação foi no “Sport Sindical” e no futsal do “Icaiçara Clube” em Santa Cruz. A partir dos 10 anos de idade, Juninho começou a despertar o interesse de equipes maiores. Aos 11 anos, surgiu a oportunidade de defender o Internacional de Porto Alegre. “Eu e a minha mulher ficamos com receio porque ele era muito novo para morar tão longe e sozinho. Nós recusamos, mesmo contra a vontade do Juninho, que queria ir. Eu disse a ele que a hora certa um dia chegaria”, afirma Luiz Fernando. Tempo depois, Juninho também fez avaliações no São Paulo e no Cruzeiro, mas foi com o Atlhetico Paranaense, aos 13 anos, que decidiu fechar.
Os pais do jogador revelam que o início no novo clube foi difícil para toda a família, por causa da distância. A mãe, Roseli Cristiane Rossi, 37, perdeu noites de sono em claro preocupada com filho. “O que nos tranquilizava um pouco era saber que a estrutura em que ele estava era muito boa”, diz Luiz Fernando. Para Juninho, a saudade também apertou, a ponto de ele cogitar desistir em determinado momento. “Eu disse que, se ele quisesse voltar, era só avisar que a gente o buscava. Mas ele decidiu que realmente ficaria em Curitiba. Desde então, o Juninho deslanchou”, recorda o pai. Juninho troca mensagens diariamente com a família, mas, em dia de jogo, eles costumam se falar por telefone. “E quando é ele quem liga, eu já sei que é porque fez gol”, brinca Luiz Fernando.

O pai Luiz Fernando, o irmão Gustavo e a mãe Roseli mostram premiações e conquistas do filho Juninho

Estrutura de ponta

No domingo passado, 11, o Athletico venceu o Bahia de Feira por 1 a 0, no estádio “Barradão”, e conquistou de maneira invicta o título da “Salvador Cup”. A campanha do Furacão teve seis vitórias em seis partidas, com 14 gols feitos e apenas um sofrido. Além disso, Juninho foi escolhido como o melhor jogador do torneio. O time paranaense é reconhecido por oferecer uma das melhores estruturas de base do País. “O Juninho e os seus colegas convivem com os profissionais. Não há distinção no centro de treinamento. Os quartos são iguais, eles almoçam no mesmo refeitório, isso é um diferencial”, explicou o pai do jogador.
A filosofia do clube também é bastante definida. Na base, todo atleta treina em pelo menos quatro posições, visando atender ao padrão do futebol moderno no qual o jogador, para se diferenciar, tem que ser polivalente. “Ele (Juninho) gosta de jogar mais adiantado, de fazer gol. Mas na ‘Salvador Cup’ o treinador o escalou como volante e ele foi muito bem. O importante é jogar, não importa a posição”, diz Luiz Fernando. Além do campeonato recém conquistado no Nordeste, outro título marcante de Juninho com a camisa do Furacão foi a “Copa Caio Junior” no ano passado.
O jovem jogador santa-cruzense tem um irmão, o pequeno Gustavo Henrique, 5, que já arrisca os primeiros chutes, ainda como brincadeira. Luiz Fernando diz que sempre partiu do filho a vontade de ser atleta e que família apoia, mas sem imposições. “Sabemos como esse caminho é difícil. São muitos que tentam. Eu sou feliz e tenho orgulho do Juninho só pelo fato de ele ter saído tão novo de casa para buscar seu sonho”, afirmou o pai.

  • Publicado na edição impressa de 18/08/2019
Sobre Sergio Fleury 4589 Artigos
Proprietário e Editor do Jornal Debate