Deputado Capitão Augusto contrata até casal de Ourinhos na assessoria

O deputado federal Capitão Augusto Rosa (PL)

Capitão Augusto também usa dinheiro público para se
promover, contratando empresas para o mesmo serviço

EM FAMÍLIA — Casal Sueli e Célio Christoni são secretários parlamentares

André H. Fleury Moraes
Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Na longa lista de secretários parlamentares e assessores do deputado federal Capitão Augusto Rosa (PL), há aposentados, empresários, comerciantes, ex-funcionários públicos e ex-policiais moradores em suas respectivas cidades e que não frequentam o gabinete do parlamentar em Brasília. Todos são pagos com dinheiro público, através do orçamento da Câmara Federal. O deputado, integrante da “bancada da bala”, recebe R$ 33,7 mil mensais, além dos “penduricalhos” e mordomias que aumentam em muito o subsídio. Os gastos não são ilegais, mas demonstram como o dinheiro público é fartamente usado para promoção pessoal.

Ex-vereador Donizeti também é secretário parlamentar do deputado

Apesar de Rosa ter mudado recentemente o domicílio eleitoral — e a residência — para Bauru, apenas um de seus secretários é da cidade — Sandro Theodoro. Outros onze são de Ourinhos, geralmente comerciantes, ex-funcionários públicos, ex-policiais, entre outros. Os demais 15 não foram localizados ou moram em locais diferentes.
No dia 23 de março deste ano, logo após tomar posse para o segundo mandato, Augusto Rosa nomeou Célio Christoni, 53, e Sueli Aparecida Garcia Christoni como secretários parlamentares. Os dois são marido e mulher. Ele recebe R$ 10.594, e ela, R$ 5.317. Juntos, o casal Christoni embolsa mais de 15 mil reais.
Nas redes sociais, Célio e Sueli costumam compartilhar postagens alusivas ao deputado e ao presidente Bolsonaro. No entanto, eles não se identificam como secretários parlamentares da Câmara dos Deputados em Brasília. O marido informa no Facebook que ainda é policial militar, enquanto a mulher se apresenta como ex-funcionária da prefeitura de Ourinhos.
Ex-policial militar, o deputado Capitão Augusto também emprega ex-integrantes da corporação. Além de Célio Christoni, também são secretários parlamentares Edson da Cunha e Heracles José Manzo, ex-policiais e moradores em Ourinhos. Hoje aposentado, Heracles já atuou na Polícia Militar de Santa Cruz do Rio Pardo, antes de se transferir para Ourinhos.
Outro secretário parlamentar do deputado é o ex-vereador Donizeti Jorge Xavier, que se apresenta como empresário em Ourinhos. Em sua rede social, Donizeti não informa que trabalha para o gabinete do deputado e é pago pela Câmara Federal. Ele apenas diz que é sócio proprietário do “Ouro Hotel”, em Ourinhos. No CNPJ da empresa, porém, aparece como verdadeira proprietária Natalia Raffaela Saraiva Rosa Xavier, filha de Donizete.
A reportagem encaminhou mensagens a alguns secretários parlamentares, como o casal Christoni, perguntando sobre suas atividades no trabalho. Não houve respostas.


OCULTO — “Assessor” Neno é pago com verba destinada à publicidade

Publicidade mantém ‘assessor’ e
os mesmos serviços são divididos

Até julho de 2019, Rosa gastou R$ 251.424,69 de sua cota parlamentar. No entanto, somente para divulgar sua atividade, foram gastos de R$ 16 mil em média a cada mês, tudo pago com dinheiro público. Os beneficiados, por sua vez, são, em sua maioria, os mesmos. Um prestador de serviço fixo, por exemplo, é o empresário Evangelista Inocêncio Batista, o “Neno”, que costuma se apresentar como assessor do deputado. Na rede social, ele diz que é dono da empresa “Mais Ourinhos” e foi assessor de imprensa da Fapi. No mandato anterior, recebia recursos através da “promoção das atividades do deputado” através de um site que aparentemente não existe mais.
Neno Batista recebe a maior parte da cota do deputado destinada à divulgação. Desde fevereiro, ele recebeu exatos R$ 11.100 todo mês. Em janeiro, o valor dos serviços foi menor — R$ 8.900. Batista, no último mês, recebeu o valor total para prestar serviços por apenas 13 dias. É que as notas fiscais, emitida pela empresa “Evangelista Inocêncio Batista” informam o período de prestação do serviço.
O valor aumentou a partir de fevereiro porque, segundo as notas fiscais, Neno passou a diagramar a revista “Frente Parlamentar dos Rodeios” e criar arte para a “Frente Parlamentar de Segurança Pública” de Rosa. A reportagem buscou, na internet, indícios da revista, mas não encontrou.
A empresa de Batista está localizada no Jardim do Sol 2, em Ourinhos, na rua Um, número 150. O bairro é residencial. Segundo consta, Batista presta serviços de marketing.
Evangelista também recebe R$ 1 mil para atualizar o canal de Augusto Rosa no YouTube. Em julho, foram publicados três vídeos, cujas visualizações, ao todo, não somavam duzentas até a sexta-feira, 22.
Na verdade, Neno Batista é uma espécie de “assessor oculto”, pago com dinheiro público mediante notas fiscais de serviços. Na página oficial do deputado no Facebook, por exemplo, o canal automático de mensagem indica o assunto para o internauta e, quando se clica em “rodeios”, o nome do responsável que aparece é o próprio Evangelista.
Mas Neno não é o único “contratado” para atualizar as redes sociais do deputado Capitão Augusto. Desde o início do ano, o parlamentar contratou mais três pessoas para fazer a mesma coisa. Floriano Pereira da Silva Filho e Luís Eduardo Borges Antognetti passaram a dividir com Neno o serviço de manutenção das redes sociais.
Em maio, abril e março, Igor Oliveira da Silva Rosa também recebeu pelos mesmos serviços. Ao todo, o valor a ele pago pela Câmara dos Deputados foi de R$ 4.500. A reportagem não conseguiu informações sobre se Igor Rosa é ou não parente de Augusto Rosa.
A reportagem enviou questionamentos para o deputado Capitão Augusto e o “assessor” Evangelista, sobre as tais prestações de serviços e, ainda, pediu cópia da revista “Frente Parlamentar dos Rodeios”. Os dois não responderam, mesmo com a reportagem constatando que Neno visualizou a mensagem no aplicativo WhatsApp.
Capitão Augusto (PL) foi eleito na “onda militar” que levou Jair Bolsonaro à presidência. No entanto, chegou a criticar o presidente nos últimos meses, falando até em “impeachment” e sugerindo que os filhos de Bolsonaro prejudicam o diálogo com o Legislativo.
Em Ourinhos, o deputado é forte opositor do prefeito Lucas Pocay (PSD), inclusive fazendo pronunciamentos contra ele na tribuna da Câmara dos Deputados. Em Santa Cruz, onde foi o mais votado nas eleições do ano passado, Rosa é aliado do prefeito Otacílio Parras (PSB), com quem rompeu em 2018 e depois reatou.

  • Publicado na edição impressa de 25/08/2019
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