Rejeição de contas pelo TCE “destrói” discurso do prefeito sobre Codesan

CAOS — Sob gestão Agenor, até mesmo um ônibus desapareceu do pátio

Otacílio sempre avaliou Agenor como o
melhor presidente da história da Codesan

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Apesar de condenado pela Justiça por improbidade administrativa durante sua gestão à frente da Codesan, além de investigado pelo Ministério Público por outras irregularidades e, agora, ter contas rejeitadas pelo TCE, o ex-presidente Cláudio Agenor Gimenez sempre foi considerado pelo prefeito Otacílio Parras (PSB) como o melhor gestor de todos os tempos na condução da atual autarquia. Este foi o discurso do prefeito durante anos, especialmente nos microfones da rádio Difusora. O quadro real, porém, era outro completamente diferente.
Ex-presidente do PT de Santa Cruz e responsável por viabilizar a candidatura de Otacílio em 2012, quando era o candidato oficial e renunciou em plena campanha para ceder a vaga ao atual prefeito, Agenor sempre foi o homem mais próximo do gabinete municipal. Foi assessor da administração e em 2015 assumiu a Codesan.
Tinha tanta influência que, segundo contou o próprio Agenor, ele e o prefeito articularam em 2017 a formação da CPI na Câmara que investigaria o pagamento de horas extras indevidas. Cláudio Agenor Gimenez contou que, naquela ocasião, o indicado para presidi-la seria Luciano Severo (PRB), que na época pertencia à bancada governista. Seria uma espécie de “teste” para o virtual candidato do governo a prefeito.

Otacílio Parras e Agenor, sempre juntos em campanhas eleitorais e na administração

“O Severo estava tão perfeito que eu não conseguia ver sinceridade em tudo o que ele faz. Não havia como não o apoiar para prefeito. Então, eu ponderei ao prefeito que este cara precisava ser submetido a um teste para ver como ele iria se sair. Em função disso, ele foi estimulado a assumir a presidência da CPI”, contou Agenor em emissoras de rádio. O próprio Otacílio confirmou a articulação em seguida, também em entrevista a rádios. “Então, vamos pôr o Severo como presidente [da CPI] para ver o que ele vai fazer. E ele foi indicado”, contou o prefeito.
Severo, entretanto, não passou no “teste” arquitetado por Otacílio e Agenor. Como presidente da CPI, ele conduziu os trabalhos com determinação e isenção, culminando no relatório que responsabilizou Agenor por inúmeras irregularidades na Codesan.
Foi por defender Agenor que Otacílio acabou rompendo com vários vereadores, reduzindo sua bancada. Em 2016, o prefeito foi reeleito com uma bancada de 11 vereadores, que depois foi reduzida para seis. No início do ano, reconquistou o sétimo ao cooptar Edvaldo Godoy (DEM) para ser o candidato do grupo a vice-prefeito.
Quando o TCE começou a apontar atos irregulares de Agenor na Codesan, novamente Otacílio saiu em defesa de seu pupilo. “O problema é que existem pessoas que acham que podem decidir tudo”, disse o prefeito, referindo-se aos técnicos e auditores do TCE.
No final do ano passado, Otacílio chegou a anunciar que apoiaria Agenor como candidato a prefeito. “Dentre os que estão aí, postados como candidatos, ele é o que possui mais preparo para administrar a cidade. É o que tem mais conhecimento porque já foi testado. Tentaram processá-lo de tudo quanto é lado e não há nada grave contra ele”, disse na época.
Atropelado pelos fatos, Otacílio certamente terá de rever o discurso de defesa intransigente de Agenor.

  • Publicado na edição impressa de 25/08/2019
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