Deputado Capitão Augusto não explica contratações e gastos

TRIO — Rosa, Diego e Otacílio fizeram propaganda eleitoral na Difusora

Nenhum dos citados em reportagem sobre assessores e
gastos do Capitão Augusto, de Bauru, se pronunciou

André H. Fleury Moraes
Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O deputado federal Capitão Augusto Rosa e seus secretários e contratados não se pronunciaram sobre a nomeação de assessores que sequer informam o vínculo do trabalho pago pela Câmara Federal e os gastos com publicidade que “financiam” um assessor “oculto” na região. A informação foi publicada na semana passada pelo DEBATE. O jornal revelou a farta distribuição de dinheiro público, por parte de Rosa, para ex-colegas de trabalho, comerciantes e empresários. Rosa emprega até um casal na assessoria — Célio Christoni e Sueli Aparecida Garcia Christoni (veja relação ao lado).
A lista de secretários parlamentares de Augusto Rosa se mantém em 25 funcionários, que é o número limite permitido pela Câmara dos Deputados. Ainda há outros dois que ocupam “cargo de natureza especial”: Luis Carlos Rodrigues e Márcia Édina Lira.
Nem mesmo Evangelista Inocêncio Batista, o “Neno Batista”, que recebe R$ 11,1 mil mensais para ser uma espécie de “assessor” do deputado, se manifestou a respeito da reportagem. O jornal enviou questonamentos a todos os citados, inclusive ao próprio Capitão Augusto Rosa.
Evangelista, apesar de se apresentar como assessor de Rosa, é pago com dinheiro destinado à divulgação das atividades parlamentares. Ele apresenta notas fiscais de prestação de serviços, como “atualização” das redes sociais e até diagramação de revistas. No entanto, o mesmo serviço também é executado por outras empresas, conforme notas fiscais pagas com dinheiro público.
Na semana passada, um dos assessores do deputado, o ex-vereador Donizeti Jorge Xavier, que se apresentava nas redes sociais como “sócio proprietário” de um hotel em Ourinhos, mudou sua página para constar a informação de que é um assessor parlamentar. No entanto, não citou o nome do deputado federal. Donizeti recebe mensalmente R$ 13 mil da Câmara Federal.


Augusto Rosa esteve em Santa Cruz,
mas não se pronunciou sobre gastos

Na segunda-feira, 26, o deputado Capitão Augusto Rosa esteve em Santa Cruz do Rio Pardo para cumprir um compromisso que não constava em sua agenda: ser entrevistado na rádio Difusora ao lado de Otacílio Parras (PSB) e do secretário de Saúde Diego Singolani, já anunciado candidato do grupo governista a prefeito nas eleições de 2020.
O parlamentar não tocou no assunto dos gastos em publicidade e contratação de assessores e nem foi questionado pela emissora, que já recebeu propaganda do deputado paga pela Câmara Federal de Brasília.
Embora, no dia anterior, o DEBATE publicasse a notícia sobre as peripécias de Rosa com o dinheiro público, ninguém ousou tocar no assunto, muito menos entrevistadores.
No entanto, o deputado comentou a respeito da mudança de seu domicílio eleitoral, de Ourinhos para Bauru. Segundo ele, “isso não muda nada”, explicando que é uma questão de logística e que seria uma situação de “duplo domicílio”.
Ao lado de Otacílio Parras, o deputado também apoveitou para atacar o prefeito de Ourinhos, Lucas Pocay. “Há uma série de processos contra ele, pelos quais eu venho pedindo explicação. Por isso, algumas pessoas chegaram a sugerir que eu seria um possível pré-candidato da cidade. Para não restarem dúvidas, mudei meu título de eleitor para Bauru”, explicou.
O prefeito Otacílio, por sua vez, elogiou a “parceria” entre o deputado federal e a atual administração. Já o secretário da Saúde, Diego Singolani, reafirmou a inauguração do “Centro de Saúde da Mulher”, no prédio da antiga maternidade, em outubro. Hoje sem partido, o secretário já foi filiado ao PSOL, legenda que, em Brasília, causa aversão ao deputado Rosa.
Augusto Rosa disse que Otacílio Parras vai deixar o cargo “com uma aprovação absurda” e fez propaganda eleitoral a favor de Diego Singolani.

  • Publicado na edição impressa de 1º/09/2019
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