Artigo: ‘Sinal amarelo’

Sinal amarelo

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O mês de setembro é dedicado ao importante alerta sobre o suicídio, com debates e ações preventivas contra o ato de tirar a própria vida. É o chamado “Setembro Amarelo”. Os idosos estão entre os líderes do triste ranking do suicídio no Brasil: quem mais se mata no país são pessoas com mais de 70 anos, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.
A depressão, o caminho mais curto e perigoso ao suicídio, também tem entre os idosos um dos públicos que mais enfrenta a doença. Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a faixa de pessoas entre 60 e 64 anos é aquela com mais casos de depressão no país. É sempre importante lembrar que depressão trata-se com acompanhamento e tratamento psiquiátrico e terapia com psicólogos.
Mas cabe aqui uma reflexão para quem já entrou na casa dos 60 anos ou está prestes a entrar. Os idosos, por questões óbvias, são aqueles que mais carregam histórias, sejam elas felizes, tristes, decepcionantes, sofridas, frustrantes, etc. Esse turbilhão de sentimentos e emoções rondam os pensamentos do idoso, que acaba transformando tudo isso em um angustiante exercício de remoer o passado.
Vocês, caros leitores e caríssimas leitoras, devem se lembrar do filme “De Volta Para o Futuro”, quando uma máquina do tempo levava os personagens para o passado e para o futuro, para os mesmos “consertarem” acontecimentos da vida. Então, aquela máquina não existe. E, mesmo que existisse, o próprio filme mostra que tentar consertar o que já se passou pode ser um desastre. Só tem um jeito de “mudar o passado”, adotando atitudes que apaguem ou minimizem o que entristece: se o problema for familiar, busque o diálogo e a conciliação; se a frustração for pessoal, busque atividades que mexam positivamente com o próprio ego; se a questão for financeira, busque a inteligência econômica para viver da melhor maneira possível. O círculo vicioso de “lembrar, pensar e sofrer” só leva ao abismo.
Depressão em idosos não tem como gatilho apenas o passado. As dúvidas e o medo em relação ao futuro também contribuem para essa tormenta psicológica. Neste caso, a família deve ficar atenta a mudanças de comportamento. Não apenas momentos profundos de tristeza são motivos para preocupação. Introspecção, frases que denotam baixa autoestima e demonstrações da sensação de que é um “peso” para a família também são sinais que precisam de bastante atenção.
Depressão e suicídio não são apenas perigos para os idosos. Eles são fatos cruelmente reais. A luz amarela precisa estar ligada constantemente. E o sinal verde só aparece com tratamento e atitudes positivas e inteligentes. Tudo, com ajuda da família.

*  Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
 Responsável
Técnica pela
AleNeto
Enfermagem 

 

  • Publicado na edição impressa de 08/09/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate