CARTAS – Edição de 15/09/2019

Um pouquinho da minha trajetória

Meu nome é Viviane Paulino, estou atuando como Conselheira Tutelar durante o mandato 2016/2019, realizando meu trabalho com muito comprometimento, seriedade e dedicação exclusiva.
No acompanhamento realizado com as famílias em situação de risco e vulnerabilidade social, pautei meu trabalho na ética e respeito, mantendo o sigilo e sendo empática e respeitosa com a história de vida de cada uma delas.
Tive coragem e ousadia em realizar orientações para pais e professores sobre violência sexual infantil, evasão escolar e outros assuntos.
Durante o exercício do meu mandato, também participei de entrevistas em rádios e jornais locais, sempre com o objetivo de divulgar o trabalho sério e importante desenvolvido pelo Conselho Tutelar, trabalhei diretamente com o Ministério Público zelando pela Garantia de Direitos das crianças e dos adolescentes
Durante esse mandato, conseguimos muitos avanços, sem medir esforços posso falar com ousadia que a “minha pessoa” teve uma parcela grande na disposição dos trabalhos que foram desenvolvidos e realizados. Estive presente nas escolas, em reuniões de redes territoriais, organizamos palestras, passeatas entre outras.
Foram anos de muito estudo e empenho, pois o trabalho não é fácil; contudo, acredito que estava preparada tecnicamente e psicologicamente para continuar exercendo a função de conselheira tutelar que é árdua, mas gratificante.
Porém, na segunda fase (prova de informática) do processo de escolha para concorrer à eleição “não” consegui atingir a porcentagem necessária, ficando de fora.
Estava muito confiante de que continuaria meu trabalho, porém, em razão do nervosismo, não consegui concluir a prova com os “20 minutos” oferecidos pelo Edital.
Estou deixando a função com a sensação de dever cumprido, e na certeza de ter deixado meu legado na vida de alguém, estou triste, sim, muito triste e muito aborrecida, mas confiante de que Deus tem algo melhor para mim. (Eclesiastes 3.)
O desejo do meu coração, hoje, é que os munícipes saibam eleger pessoas que tenham coragem de trabalhar, que amem o próximo, que tenham empatia e olhem as famílias com olhar de Cristo.
E você, candidato (a) que será eleito, faça valer cada voto recebido, não olhe para salário, carga horária, ou a falta de “emprego” que você está enfrentando! Faça por amor e garanta a Lei. É o que eu, cidadã santa-cruzense, espero dos novos conselheiros (as)
Venho aqui agradecer a Deus e aos parceiros que estiveram “em rede” trabalhando comigo, por todo conhecimento técnico adquirido, pelo carinho e grandes amigos que conquistei, que ficarão guardados em meu coração, fico feliz pelas mensagens de encorajamento e apoio que tenho recebido dos familiares e dos verdadeiros amigos; muito bom receber elogios em vida! Não é um ponto final, é apenas uma vírgula na trajetória da vida, nos encontraremos por aí….
Quero levar minha vida como sempre fiz, pautada na honestidade e amor ao próximo (e, óbvio, estudar mais um pouquinho a tal da informática e controlar a ansiedade).
Desejo toda sorte ao novo Colegiado e que o requisito eliminatório que foi cobrado na prova venha ajudar nos atendimentos com as famílias.
Estarei atuando até 10/01/2020.
— Viviane Paulino (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

O prazer da leitura
Caro leitor, gostaríamos de contar sobre o livro “Felpo Silva”, da autora Eva Furnari. Nós, alunos do 4° ano D, da professora Denize, conhecemos a história desta personagem, gostamos muito, achamos o livro legal, interessante e criativo.
Já nós encontramos vários tipos de textos diferentes, como carta, bilhete, bula, manual de instrução, telegrama etc..
Nós aprendemos a não ter vergonha de ser como a gente é, que todos somos iguais e todos temos direito de dar nossas opiniões.
A autora é muito criativa nos desenhos e na escrita. Ela publica livros legais e interessantes. Nós também lemos: “Você Troca?”, “Cocô de Passarinho”, “A Bruxinha Zuzu”, “Pandolfo Bereba”, “Tartufo”, “Não Confunda”, “Assim Assado”, “Rumboldo” e “Adivinhe se Puder”.
Recomendamos para quem se interessar, que leiam os livros, pois se sentirão dentro das histórias e aprenderão muitas coisas.
— Alunos do 4º ano D da E.M.E.F Antônio Gonçalves Neves (Espírito Santo do Turvo-SP)

Desabafo
Gostaria de entender o que aconteceu comigo dias atrás. Estacionei meu carro na farmácia em frente à Santa Casa, liguei o pisca-pisca e entrei na farmácia; porém, só fiquei o tempo necessário, para meu atendimento. Se demorei um pouco para sair do estacionamento foi porque estava aguardando o atendimento dos funcionários da farmácia, que estavam atendendo clientes que chegaram primeiro do que eu.
Quando saí, qual não foi minha surpresa: pasmem! Levei uma multa por ter que “estacionar de acordo com a regulamentação — vaga de curta duração”. Com a palavra, os que têm condições de me explicar o motivo de tal ocorrência tão desagradável e onerosa para mim, que ganho o meu sustento e de meus familiares como pedreiro e costumo cumprir rigorosamente as normas do trânsito.
— Valdir Ribeiro Filho (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Oh, tempora! Oh, mores!
Que maravilha! As últimas décadas produziram mais tecnologia para a Humanidade do que todo o resto do século. Assistimos a uma nova ordem de avanços: drones, clones, drogas milagrosas, pílula contra a impotência, controle da Aids, entre outros. Muitas variedades de câncer — o mal dos séculos XX e XXI — já podem ser dominadas. As conquistas disparam em todas as áreas, das comunicações aos transportes, da biogenética à informática, da medicina ortomolecular à tecnologia de alimentos. Alguns dos mais avançados apetrechos tecnológicos do mundo moderno fazem a festa, entre nós, a partir desse aparelhinho que, pelo WhatsApp, nos aproxima na aldeia global. Daqui a pouco conquistaremos a tecnologia 5G e uma nova era será aberta.
Que vergonha! Nos últimos anos, o mosquitinho da aedes aegypti tem minado as energias de milhões de brasileiros, infestando famílias com dengue, zika e chikungunya, doenças do século passado, ao lado da febre amarela, da tuberculose, do tifo. Pasmem, agora, um surto de sarampo ameaça a população. Como explicar o paradoxo? A festa da tecnologia, que nos oferece a química salvadora de vida e apetrechos para o bem-estar das pessoas, e a ressurreição de doenças seculares, ceifando a vida de pessoas? Descaso, incompetência, falta de recursos, dinheiro mal aplicado, ausência de planejamento, inércia, politicagem? Tudo isso, e mais alguma coisa.
Esse mais se chama inércia moral que os governantes desenvolvem na vivência do poder. Enfrentando pressões, jogos de interesse, decisões complexas em todos os setores da vida econômica e política, os governantes acabam criando camadas que vão se superpondo e tornando dormentes seus instintos. Perdem o sentido de prioridade. Adquirem pele dura e impermeável. As grandes catástrofes já não os abalam. Mesmo eventos de impacto não disparam a adrenalina. Sua máquina psíquica entra em coma. A ebulição social não provoca quentura em suas pestanas. Até parece que só pensam na próxima eleição.
Só assim se explica o tiroteio diário do presidente Bolsonaro contra adversários, que considera comunistas, palavras ríspidas e até chulas contra protagonistas importantes da política internacional, contra a imprensa, que “só traz notícias negativas contra o governo”. E os puxões de orelha em assessores e ministros passaram a fazer parte da liturgia do poder. (Até quando Sérgio Moro suportará a fritura?)
O desemprego está acima dos 12 milhões de pessoas. Que olham desesperados para os horizontes da sobrevivência. Doenças dos tempos antigos voltam com força; a região amazônica é uma tocha gigantesca de incêndios e devastação; os tributos continuam nas alturas; a água do São Francisco, que deveria chegar aos fundões do Nordeste, deixa de correr por dutos mal conservados. Já o presidente da República, impassível, do alto do palanque, dispara verbos e adjetivos para animar seus simpatizantes e conservar 30% de seguidores que ainda lhe são fiéis. (Até quando?) A nona (ou décima?) economia do mundo não dá sinais de alento, e as margens periféricas catam centavos para garantir a sobrevivência. A extrema pobreza voltou com intensidade.
As casas congressuais até tentam votar uma agenda positiva e resgatar suas legítimas funções. Mas o Executivo não tem ajudado como deveria nessa direção. Parece desprezar a política. A união em torno de um projeto nacional não passa de uma utopia. Jair Bolsonaro insiste em querer nomear seu filho (o deputado Eduardo) embaixador nos Estados Unidos, nossa principal embaixada. A perplexidade vai às alturas. Países da Europa, a partir da Alemanha e da França, olham de maneira atravessada para o Brasil.
E aqui por perto, no Chile, até a direita — que tem vergonha dos mortos pela ditadura de Pinochet — repudia as palavras repugnantes contra a alta comissária da ONU, a ex-presidente Michele Bachelet, e seu pai, proferidas pelo mandatário-mor do nosso país. Oh, Tempora, Oh Mores (ó tempos, ó costumes), bradava nas Catilinárias o tribuno Cícero no Senado Romano contra os vícios da política de seu tempo. E por nossas plagas, até quando viveremos tempos tão vergonhosos?
— Gaudêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)

O estudo censurado da Fiocruz
Pode parecer coisa de governo Bolsonaro, mas foi o governo Temer que engavetou uma pesquisa sobre uso de drogas em que foram ouvidas 17 mil pessoas em todo o Brasil e que custou R$ 7 milhões. E quem censurou a pesquisa foi a Senad, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, do Ministério da Justiça. Justamente o ministério que deveria zelar pela transparência e pela democracia.
O estudo fora encomendado pela própria Senad em 2014 e entregue em novembro de 1916. Foi concebido para mapear e detalhar o uso de drogas no país e, pela primeira vez, incluir áreas rurais e de fronteira.
A Fiocruz , Fundação Oswaldo Cruz, venceu o edital e utilizou 400 pessoas, incluindo pesquisadores de epidemiologia e estatística, entrevistadores de campo e equipe de apoio.
Segundo o Ministério da Justiça, os resultados não foram divulgados porque alegava haver alteração da metodologia usada, o que poderia comprometer a comparação com os levantamentos anteriores. Mas a Fiocruz afirmava que metodologia utilizada foi a mesma que constava no edital e que era equivalente à da Pnad, Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, do IBGE.
O estudo mostrava os hábitos de uso de 17 tipos de entorpecentes, como os opiáceos, que provocava epidemia de overdoses nos Estados Unidos e sobre os quais não havia informação no Brasil. A pesquisa ainda levantava as consequências do uso de álcool, cigarro e drogas na justiça, no envolvimento com a violência, saúde física e mental, na vida profissional, estudantil e acadêmica, situação financeira e relações familiares e sociais.
E, é claro, segundo os especialistas da área, a falta das informações que essa pesquisa forneceria prejudicou a formulação de políticas públicas. Com impacto na comissão que trabalhava na atualização da Lei de Entorpecentes e do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas.
Porém, parte do conteúdo do chamado “Terceiro levantamento nacional sobre o uso de drogas pela população brasileira” veio a público em reportagem do The Intercept, em 31 de março. Mesmo site noticioso que está divulgando as conversas indecorosas da Lava Jato e também tinha divulgado os documentos roubados pelo Edward Snowden, o que rendeu um Pulitzer ao jornalista norte-americano radicado no Brasil.
Os dados revelados mostraram que não existe a tal epidemia de drogas que o governo e muitos parlamentares vinham propagando. Ao contrário, por exemplo, cerca de 10% da população já usou alguma droga ilícita uma vez na vida, taxa semelhante a de outros países. O crack foi consumido por 0,9% da população alguma vez na vida, 0,3% fez uso no último ano e apenas 0,1% nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa. No mesmo período, a maconha foi usada por 1,5%, e a cocaína, por 0,3% dos brasileiros.
O problema maior, o vilão revelado pela pesquisa é o uso do álcool: 66,4% dos brasileiros já fizeram uso de bebidas alcoólicas na vida, 43,1% no último ano e 30,1% nos últimos 30 dias. É claro que as drogas ilícitas têm que ter uma política de combate global, mas as políticas públicas tem que estar focadas no álcool lícito. Simples assim!
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)


‘Fotos do Leitor’

Ulisses Ramos de Castro

Edilson Arcoleze: “Meu tio-avô Ulisses Ramos de Castro nasceu aos 17 de março de 1888 em Santa Cruz do Rio Pardo. Aqui se formou professor e, atraído pelas boas notícias sobre as qualidades das terras da região de Presidente Prudente, resolveu conhecer este potencial que poderia ser desenvolvido por um jovem como ele, à procura de oportunidades profissionais e construir uma família.
Sua chegada a Presidente Prudente deu-se no início do século 20. No início, adquiriu uma gleba de terras para o plantio de café. Como um dos pioneiros de Prudente, resolveu aventurar-se na política local e foi eleito entre os seis vereadores da primeira Câmara Municipal, em 14 de dezembro de 1922. Em 1926, foi o sétimo prefeito municipal pelo Partido Republicano Paulista. Teve dois filhos e faleceu novo. Na foto acima, dos irmãos, o primeiro à esquerda é Irineu Ramos de Castro, seguido de Ulisses, Hyram Ramos de Castro e Elezimbo.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate