S. Cruz já teve professor desenhista

Zé Marmiteiro, personagem criado por Nelo Lorenzon. (Foto: Folhapress)

Isto foi há muitos anos, quando José Nelo
Lorenzon virou um chargista de grandes jornais

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Desde a pré-escola, os professores sempre estimulam as crianças a desenhar. Mas e quando o desenhista é o próprio professor, que acaba se tornando famoso? Pois isto aconteceu em Santa Cruz do Rio Pardo no passado, quando a escola “Leônidas do Amaral Vieira” tinha em seus quadros o professor José Nelo Lorenzon. Ele dava aulas de Português e era muito culto, sendo desenhista, escritor e advogado formado na faculdade da USP do Largo de São Francisco em 1932, exatamente o ano em que estoura a Revolução Constitucionalista.
Na verdade, Nelo Lorenzon agitou a universidade com a criação de jornais, desenhando políticos, escrevendo poemas e artigos. Era contra a situação do País, que vivia sob a ditadura do “Estado Novo” de Getúlio Vargas. Ao mesmo tempo, atacava o nazismo que começava a atormentar a Europa com Adolf Hitler.
Perseguido pelo governo brasileiro que não tolerava críticas, ele resolveu voltar ao interior, já que nascera em Ribeirão Preto. Mas escolheu Santa Cruz do Rio Pardo, onde começou a dar aulas de Língua Portuguesa na escola “Leônidas do Amaral Vieira” a partir de 1939.
Nelo foi um professor diferenciado a tal ponto que ninguém faltava na aula dele. Aliás, o professor costumava levar os alunos para fora da escola, como andar à beira do rio Pardo para contar a história dos índios. Ele também promovia campanhas para arrecadar roupas e material escolar para estudantes pobres. Ficou em Santa Cruz do Rio Pardo durante quatro ou cinco anos.
Nos idos de 1945, José Nelo Lorenzon deixa Santa Cruz e retorna para a capital. Naqueles anos, a “Folha de S. Paulo” costumava publicar charges (desenhos de humor com temas políticos) e o artista mais famoso era Belmonte. Outros jornais também faziam o mesmo e Lorenzon começou a desenhar em várias publicações do grupo de Assis Chateaubriand.
Mas em 1948 ele foi convidado para substituir Belmonte como o principal chargista da “Folha de S. Paulo”. E ficou no jornal durante 12 anos, desenhando suas sátiras através do personagem “Zé Marmiteiro”, que retratava a luta do operário paulistano para sobreviver.
José Nelo Lorenzon morreu no dia 7 de abril de 1963, em São Paulo. Hoje, é nome de ruas e escolas espalhadas pela capital e interior. Entretanto, nunca recebeu uma única homenagem em Santa Cruz do Rio Pardo.

  • Publicado no suplemento DEBATINHO de 13/10/2019
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