Instituto que divulgou Otacílio como uma liderança política já foi acusado de fraude

O prefeito Otacílio Parras

Nome de prefeito está em uma imagem com
outros políticos; todos eram e são aliados a ele

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Uma publicação do Instituto Veritá, empresa com sede em Uberlândia-MG, tomou conta das redes sociais ao ser compartilhada por apoiadores do prefeito Otacílio Parras (PSB) no grupo da Câmara Municipal na semana passada.
Em uma imagem montada, há fotos dos políticos Otacílio, Ricardo Madalena (PL), Cristiano Neves e Milton Monti (PL). Segundo a postagem do Veritá, uma pesquisa feita pelo instituto, em 2017, indicou que os citados seriam as maiores lideranças políticas à época.
Ocorre, porém, que uma simples pesquisa no Google com o nome do instituto já leva a inúmeros resultados controversos.
São vários os links com informações sobre a empresa e pesquisas fraudulentas, sendo uma das reportagens até da Folha de S. Paulo.
Na ocasião, a Folha noticiou que o Veritá havia divulgado informações comprovadamente enganosas no segundo turno das eleições de 2014.
A pesquisa do instituto afirmava que o tucano Aécio Neves (PSDB) venceria Dilma Rousseff (PT) por nove pontos percentuais de vantagem — o que não aconteceu, e Dilma, por sua vez, saiu vitoriosa das urnas.
À época, o próprio dono do instituto, Adriano Silvoni, confirmou o erro. Quem também admitiu o equívoco foi o estatístico da pesquisa, Leonard de Assis.
Mas a Folha não é o único jornal a ter denunciado os resultados do Veritá. O instituto consta como acusado em inúmeras representações — inclusive de partidos — no Tribunal Superior Eleitoral.
Além disso, o Veritá também já foi acusado de tentar manipular as eleições de Monte Carmelo, no interior de Minas Gerais. Segundo consta, errou feio no pleito vencedor ao tentar beneficiar, também, alguns tucanos.
A reportagem não conseguiu encontrar dados sobre o registro da pesquisa. Como ela não foi realizada em período eleitoral, não há informações no TSE.
Essa não é a primeira vez que Otacílio Parras se envolve em pesquisas contraditórias. Em 2018, o programa Fantástico, da Rede Globo, denunciou uma empresa que premiava vários prefeitos com a medalha ‘Alferes Tiradentes’, uma menção honrosa a ‘bons gestores’.
Tudo era comprado e, para comprovar o golpe, um repórter se passou por assessor de um prefeito fictício batizado de ‘Precioso’, que gostaria de receber o prêmio. No entanto, ‘Precioso’ era um jumento. O animal chegou a ser levado à sede da empresa e o vexame foi total. O DEBATE chegou a noticiar em manchete: ‘Fantástico denuncia empresa que premiou Otacílio e um jumento’.

  • Publicado na edição impressa de 13/10/2019
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