Chafariz está sem limpeza e ponte não tem proteção

Fernando, marido de Sônia, costuma retirar quilos de entulhos e sujeira do Chafariz todas as semanas

Considerado marco zero da cidade,
monumento vive sujo e sem manutenção

Sônia Crivelli se apoia no local onde termina a grade de segurança da ponte

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Construído no governo de Aniceto Gonçalves (1977-1982), o monumento que lembra a fundação de Santa Cruz do Rio Pardo, na rua Júlio de Castilho, no bairro de São José, se transformou num símbolo do descaso com a história da cidade. Conhecido como “Chafariz” por causa de uma fonte que jorra ininterruptamente, o monumento foi construído como homenagem aos fundadores de Santa Cruz, pois o povoado surgiu exatamente naquela região. Nos idos de 1861, foi naquele local que os pioneiros Manoel Francisco Soares e padre João Domingos Figueira iniciaram as primeiras construções que deram origem à cidade.
No entanto, o que era para ser uma homenagem está totalmente abandonado. O DEBATE lembrou o descaso várias vezes, a última em fevereiro deste ano. Em março, a equipe do SBT fez uma reportagem que mostrou o “Chafariz” para todo o País. “É insuportável esta sujeira. Às vezes aparecem visitantes que perguntam pelo monumento histórico. Quando indico o local, eles ficam desapontados com o abandono”, afirmou Sônia Maria Crivelli Felipe, que mora praticamente em frente ao Chafariz há 47 anos. Segundo ela, geralmente são pessoas idosas que moram em outras cidades, mas que mantém vínculos com Santa Cruz.
Na verdade, a “bica” de água existe há muito tempo. No governo de Aniceto, o local foi reformado e transformado em monumento aos fundadores. Já na administração de Clóvis Guimarães Teixeira Coelho, houve nova reforma e o Chafariz ganhou até um placa de bronze enaltecendo os pioneiros de Santa Cruz. Nas imediações, existem os casarões mais antigos de Santa Cruz do Rio Pardo. O mais velho está a pouco mais de uma quadra do Chafariz, com a data de construção estampada na parede: 1896.
Porém, a placa de bronze desapareceu e o atual governo sequer mantém a limpeza do local. Na semana passada, a reportagem constatou que a vala por onde jorra água fica repleta de folhas, entulhos, copos e pratos plásticos. Há até pedaços de roupas e os moradores dizem que o Chafariz se transformou num ponto de usuários de drogas.
Sônia Maria Crivelli Felipe disse que a sujeira atrai pernilongos e mosquitos, incomodando os vizinhos. “Só mandam alguém limpar quando a gente põe a boca no trombone ou posta fotos no Facebook. Depois, esquecem novamente”, lembrou.
Para evitar a proliferação de mosquitos, inclusive o aedes aegypti, já que a moradora diz que eles perturbam inclusive durante o dia, Sônia e o marido Fernando limpam o local praticamente todas as semanas. Com ferramentas próprias, Fernando costuma entrar na vala do Chafariz para retirar a sujeira. Não é um trabalho fácil, tamanha a quantidade de detritos.

Entre folhas, plásticos e outras embalagens, local é criadouro para dengue

Outros problemas

O Chafariz fica na beira da ponte sobre o ribeirão São Domingos, outro local que está abandonado. Na lateral, uma das grades de proteção caiu e foi levada pela administração, sem que uma nova fosse colocada no local. O vão representa um perigo para crianças e idosos, especialmente porque o piso de concreto está cedendo. Segundo os moradores, há pessoas que vão à noite pescar e a qualquer momento o piso vai se quebrar. “Não sei ainda como não caiu ninguém no ribeirão”, disse.
Além disso, Sônia Crivelli lembra que o entorno da ponte invariavelmente fica com mato alto e, sem atendimento do governo, são os próprios moradores que costumam fazer a manutenção. Bueiros também vivem entupidos. “Na esquina, onde há outra ponte, a administração abandonou um monte de detritos e o pessoal começou a jogar lixo. Um morador foi levantar os entulhos e encontrou um monte de escorpiões. É uma vergonha”, afirmou.

* Colaborou Toko Degaspari

  • Publicado na edição impressa de 27/10/2019
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