Cresce a pressão para retirada de capiravas do lago municipal de Ipaussu

O vereador Vinícius Pedraci, presidente da Câmara de Ipaussu, coordenou uma audiência pública na noite de quinta-feira, onde o impasse sobre as capivaras do lago foi o tema (Pág. 7)

Na noite de quinta, audiência pública discutiu
permanência dos animais no lago após mortes

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Uma audiência pública realizada na noite de quinta-feira, 31, no recinto da Câmara Municipal de Ipaussu, discutiu o impasse sobre as dezenas de capivaras que moram no entorno do lago municipal, no centro da cidade. Em outubro, um adolescente de 15 anos morreu em decorrência da febre maculosa, que é transmitida pelo carrapato estrela. A capivara é um dos hospedeiros naturais do transmissor. Mas tudo indica que existam outros casos, como um homem cujo diagnóstico foi feito por um laboratório particular e, por isso, a morte não entrou na estatística oficial.
Parte da população de Ipaussu está apavorada, mas ainda existem frequentadores do lago municipal, conforme alerta feito na audiência pública. Por decisão da prefeitura, as atividades no lago — como pesca e futebol no campo sintético — já foram proibidas. O problema, porém, é que o lago não é cercado e as pessoas continuam frequentando o local.
A audiência da noite de quinta-feira reuniu autoridades de Ipaussu e biólogos que estão sendo contratados pelo Poder Público. O impasse acontece porque a retirada das capivaras não é uma medida rápida, pois existe uma legislação ambiental que protege os animais. Além disso, uma parcela da população defende a permanência das capivaras, cujo grupo virou uma espécie de atração turística da cidade.

PREOCUPAÇÃO — Dezenas de pessoas participaram da audiência pública para discutir as capivaras do lago
O vice-prefeito Sebastião Alves

O adolescente que morreu em outubro é filho do vereador Gelson dos Santos Costa, o “Ratinho”. Ele foi um dos mais exaltados na audiência pública, inclusive quebrando um copo quando socou a tribuna da

Câmara. “Estamos falando de vidas humanas. Estas capivaras precisam ser retiradas de imediato. Meu filho ainda poderia estar aqui”, disse, emocionado.
Gelson também criticou a ausência do prefeito Sérgio Guidio na audiência. Ele estava viajando, mas estaria sendo omisso, de acordo com o vereador.
Os biólogos explicaram que há dificuldades para o manejo rápido das capivaras. Além disso, a simples retirada dos animais não resolveria o problema, uma vez que os carrapatos ainda continuariam no entorno do lago, principalmente nos gramados.
O vice-prefeito Sebastião Alves, que também é o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, disse que a administração está analisando todas as alternativas para evitar o contágio da febre maculosa. Ele justificou a ausência do prefeito pelo fato de Guidio ter viajado. “Ele esteve hoje [quinta-feira] no Instituto Biológico, em São Paulo, para discutir uma solução para o problema do carrapato. Aliás, o carrapato frequenta outros animais, como cavalos e aves”, explicou.
Para Sebastião, o município precisa, em primeiro lugar, orientar todos os moradores dos riscos do carrapato e da febre maculosa. “Ao mesmo tempo, vamos buscar uma solução viável junto com a população. Não é tão simples assim, mas pensamos num controle biológico. Mas não podemos agredir o Meio Ambiente”, explicou. “Há leis que proíbem jogar veneno no local. Além disso, matar uma capivara dá pena de prisão e é inafiançável”, disse.
Há outro impasse, este com reflexo direto na economia de Ipaussu, que é a realização do tradicional “Natal das Luzes”, considerado o mais atraente de toda a região. Um dos locais enfeitados é justamente o lago municipal de Ipaussu.
Já existem defensores da suspensão do evento no entorno do lago. Porém, o vice-prefeito acredita que ainda há tempo para solucionar o problema antes de dezembro.

Infestação na Câmara

Vereador “Ratinho”, que perdeu um filho, se exaltou na audiência

O vereador Vinícius Pedraci, presidente da Câmara de Ipaussu, disse que a audiência pública foi organizada pelo Legislativo como uma série de medidas para discutir a incidência do carrapato na cidade. “Nós precisamos dialogar e entender tudo sobre isto, para programar medidas imediatas e para o futuro”, afirmou.
Pedraci revelou que até o prédio da Câmara, que fica no entorno do lago, estava contaminado com carrapatos. Ele determinou a contratação de uma empresa para dedetizar todas as salas. “Por sorte, ninguém foi picado”, contou.
O vereador defende a paralisação provisória das atividades em locais administrados pelo Poder Público, como parquinhos infantis, campo de futebol, pesca no lago e visitação na ilha. “Meu posicionamento é pela paralisação imediata”.
“Quem quiser caminhar, será alertado sobre os riscos”, disse. Pedraci, porém, advertiu que o carrapato já foi encontrado numa escola que não fica no entorno do lago. “A criança chegou em casa com o carrapato no corpo e o médico constatou que era da espécie estrela. Entretanto, o profissional recomendou à mãe observar se o filho terá febre. Ora, eu defendo a medicação imediata”, afirmou.
Vinícius Pedraci diz que, embora reconheça o potencial turístico do “Natal das Luzes”, se não houver uma solução imediata o evento deveria ser suspenso ou transferido para os bairros. “Não seria prudente colocar uma atração num local onde há infestação de carrapatos”, advertiu.
Na audiência pública, o presidente da Câmara disse que poderá, inclusive, colocar o duodécimo — recursos que normalmente são devolvidos no final do ano — à disposição da prefeitura para combater o carrapato.


Mulher defende retirada dos animais

ALERTA — Carla defende a interdição do lago: ‘O que estão esperando?’

“Minha mãe chegou a alertar que podia ser picada de carrapato, mas o médico duvidou”, disse. A morte foi uma questão de dias. Houve demora para conseguir uma UTI, necessária para a transferência do pai. Quando o veículo chegou, ele já havia sofrido duas paradas cardíacas.
Carla defende a interdição de todo o entorno do lago municipal de Ipaussu. “Eu não sei o que estão esperando e fico indignada com isso. É preciso colocar carro de som nas ruas, avisar as escolas e a população em geral. Eu vejo crianças brincando no parquinho todos os domingos”, disse. 

  • Publicado na edição impressa de 03/11/2019
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