Prefeito ataca jornalista e depois desmente

Wanda Rios foi candidata em 2004 e garante que diretor do jornal nunca participou de sua campanha

Otacílio disse que diretor integrava o grupo de apoio da
candidata Wanda Rios em 2004 e depois retira declaração

Em novo ataque contra o diretor do jornal, o prefeito Otacílio Parras (PSB) disse no programa digital de seu ex-secretário de Comunicações que Sérgio Fleury Moraes teria sido membro do grupo que coordenava a campanha eleitoral da ex-vereadora Wanda Rios, candidata a prefeita em 2004. A informação é totalmente falsa. Otacílio afirmou que, por este motivo, é inverídica a informação de que o DEBATE teria alavancado a sua carreira política. Na mesma semana, à rádio Difusora, o prefeito declarou que o jornal “sempre o apoiou”, outra informação inverídica. Dias depois, entretanto, na Difusora, ele retirou o que disse sobre a campanha de Wanda em 2004.
Segundo Otacílio, quando ele se candidatou pela primeira vez a prefeito, o jornalista teria apoiado Wanda Rios, ressalvando, entretanto, que a linha editorial do DEBATE se manteve isenta. “Quando ele viu que a Wanda não tinha chance, constatada através de uma pesquisa do próprio jornal, aí ele me apoiou. Mas, no início, ele fazia parte do grupo de apoio da candidata Wanda”, afirmou.
“E isto mesmo eu sendo sócio dele numa gráfica”, disse Otacílio, lembrando uma sociedade com Sérgio Fleury que durou 16 anos numa outra empresa gráfica. “Mas este apoio era pessoal e não do jornal. O DEBATE não defendia ninguém”, destacou o prefeito.
Otacílio disse que, certa vez, logo após se lançar candidato, houve uma reunião na casa do candidato a vice da Wanda, Miro Picinin, e ele foi convocado. “Eu pensei que eles iriam me apoiar, mas, quando cheguei, estavam a Wanda e o Pedro Milton Pegorer, que tentaram me convencer a renunciar para apoiar a candidata. Recusei e disse que iria passar como um trator por cima deles”, afirmou.
No entanto, Otacílio garantiu que, apesar do silêncio na casa, havia “vinte ou trinta pessoas” no fundo. “Eles vieram para a sala e, entre eles, estava Sérgio Fleury”, afirmou, em outra informação falsa, sugerindo que todos estariam “escondidos”. O prefeito insistiu que o jornalista “fazia parte” do grupo de apoio de Wanda e, inclusive, participava de reuniões políticas.

Desmentido

Quando o programa digital do ex-funcionário de Otacílio foi publicado nas redes sociais, o diretor do DEBATE questionou os profissionais que participaram da entrevista, já que a informação era falsa. Nenhum deles se preocupou em resgatar a verdade. Como o programa é gravado quase uma semana antes, haveria tempo para ouvir o diretor do jornal.
Além disso, o ex-secretário Renan Alves se apropriou indevidamente de fotografias da época em que Otacílio era vereador, cujos direitos autorais pertencem a Sérgio Fleury, e não deu sequer os créditos obrigatórios de acordo com a legislação. Os entrevistadores não deram atenção à reclamação do jornalista, simplesmente alegando que “não se lembravam” daquela época mencionada por Otacílio. Renan Alves não ofereceu direito de resposta a Sérgio Fleury.
No entanto, quatro dias depois o próprio prefeito voltou atrás em pronunciamento na rádio Difusora. Ele interrompeu os radialistas para dizer que precisava fazer uma retificação, mencionando o fato de ter dado declarações no programa de seu ex-funcionário.
“Eu nunca perguntei ao Sérgio sobre sua presença na casa, mas entendi como sendo apoio à dona Wanda. Agora, se ele estava lá simplesmente como jornalista, eu retiro minhas palavras”, afirmou. “Talvez estivesse fazendo alguma cobertura e não como apoiador da Wanda”, disse.
Nos dias que sucederam às falsas afirmações, a própria Wanda Rios se surpreendeu com as declarações de Otacílio. “Imagine, isso jamais aconteceu”, afirmou. A ex-vereadora também disse que Sérgio Fleury nunca a apoiou e que jamais participou de reuniões de seu grupo durante a campanha eleitoral de 2004. “Onde ele falou isso? Isto não aconteceu e Sérgio Fleury nunca participou de reuniões com meu grupo. Não houve nada disso”, esclareceu.
Ex-assessor e amigo pessoal de Otacílio, Célio Guimarães também negou a versão do prefeito. Ele foi o principal coordenador da campanha eleitoral de Wanda em 2004 e disse que nunca viu Fleury em reuniões do grupo eleitoral. “Acho que o papel dele sempre foi ser jornalista”, afirmou.
O jornalista Aurélio Alonso, que integrava a redação na época, lembrou que acompanhava a atividade do DEBATE e que o jornal “jamais apoiou qualquer grupo político”. Aurélio, que se encontra na Itália e mandou mensagens através de aplicativos, afirmou que nunca teve qualquer informação sobre a participação do diretor do jornal em reuniões do staff eleitoral da candidata Wanda. “Isto nunca, jamais”, afirmou.
O jornalista, inclusive, lembrou de um episódio em que, a poucas horas do fechamento de uma edição do jornal, o grupo de Wanda esteve na recepção reclamando da publicação de pesquisa eleitoral que indicava a derrota da candidata. “Pediram para não publicar a pesquisa, pois ela mostrava que Adilson Mira seria reeleito. Mas o jornal manteve sua postura independente e publicou a pesquisa, mesmo indicando a vitória de um candidato que o perseguia. Este fato prova que o jornal jamais apoiou qualquer candidato”, disse Aurélio.

‘Chapa branca’

O diretor do DEBATE, Sérgio Fleury Moraes, lamentou o estilo de entrevista “chapa branca” promovido pelo ex-secretário do atual governo, Renan Alves, e o fato de não lhe ser concedido o direito de resposta. “Ninguém me procurou nem mesmo quando o prefeito desmentiu a informação”, disse.
Fleury reafirmou a postura independente do DEBATE ao longo de seus 42 anos de circulação. “O jornal sempre foi fiel aos fatos. Se o Otacílio passou a receber mais críticas em seu segundo mandato, é porque houve uma queda ética da administração neste período e isto é óbvio”, afirmou.
Depois de um primeiro mandato considerado bom, Otacílio Parras teve anos conturbados a partir de 2017. Além de renunciar ao mandato e depois voltar atrás, aprovou leis ilegais, brigou com vereadores da sua própria base, passou a atacar a imprensa livre, teve o carro oficial furtado pelo próprio sobrinho, cometeu supostos atos de improbidade que estão sendo investigados pelo Ministério Público, viu a Codesan ser levada praticamente à falência e ser acuada por inúmeras irregularidades, realizou obras que valorizaram seus próprios imóveis e passou a reajustar impostos. 

  • Publicado na edição impressa de 03/11/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate