Santa-cruzense participa de seminário

Família está na luta para garantir uma vida digna não só ao filho, mas a todos que sofrem de problemas parecidos

Cláudia Marin Castelazi é mãe do garoto Matheus, que
sofria mais de 80 convulsões por dia antes da cannabis

Diego Singolani
Da Reportagem Local

A utilização da maconha para fins medicinais já é uma realidade consolidada em vários países. No Brasil, a discussão avança, mas o preconceito ainda cria barreiras jurídicas e culturais que impedem o seu pleno desenvolvimento.
O caminho, mais de que nunca, é a informação da sociedade. Na região, o primeiro “Seminário de Cannábis Medicinal do Centro-oeste Paulista” buscará cumprir este papel no dia 23 de novembro, em Marília.
O evento, inclusive, tem como uma de suas apoiadoras a santa-cruzense Cláudia Marin Castelazi, mãe do garoto Mateus Marin Pereira Gomes Castelazi, de 11 anos, que utiliza o medicamento cannabidiol, derivado da maconha, como parte do seu tratamento para a “Síndrome de West”.
Matheus chegava a ter 80 convulsões por dia antes do medicamento. Após o uso, elas se tornaram raras.
Cláudia atualmente mora em Marília, mas boa parte de sua família ainda reside em Santa Cruz do Rio Pardo, onde já foram realizados bazares para angariar recursos e custear o tratamento do filho Matheus. Ele é portador da Síndrome de West, condição rara caracterizada por intensas crises convulsivas.
No caso de Matheus, as crises começaram a se manifestar quando ele tinha apenas 39 dias.
Durante seu desenvolvimento, Matheus chagava a ter mais de 80 convulsões por dia. Após anos de tratamentos tradicionais, a família buscou informações sobre o cannabidiol, medicamento importado desenvolvido a partir da maconha.
A família conseguiu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar o canabidiol sintético dos Estados Unidos, através do SUS. Entretanto, o preço — cada dose da medicação custa em torno de R$ 800 a R$ 1 mil — e a burocracia estavam prejudicando a continuidade do tratamento.
No começo deste ano, Claudia e outra mãe, também moradora de Marília, conseguiram um salvo conduto na Justiça autorizando o plantio de alguns pés de maconha em suas casas, para garantir a produção doméstica e mais barata do medicamento. “Depois que o Matheus começou a usar o cannabidiol, as crises praticamente desapareceram. Mas, se ele tem uma convulsão, depois de algumas gotas, os espasmos já diminuem”, conta Claudia.
A mãe de Matheus se tornou uma militante pela liberação da maconha para fins medicinais no Brasil. Claudia afirma que a qualidade de vida do filho se transformou com o cannabidiol e que eventos como o Seminário de Cannábis são importantes para desmistificar o tema e derrubar tabus. Ela se recorda de situações em que foi alvo do preconceito e da desinformação. “Em um post que fiz nas redes sociais, um sujeito comentou que, na verdade, eu queria a liberação da maconha para poder fumar. Em Santa Cruz, pessoas foram falar com a minha família, questionando o porquê de eu dar maconha para o meu filho, como se produto utilizado para a recreação fosse o mesmo medicinal”, disse.

Conscientização

O seminário de cannábis medicinal será promovido pela Escola da Defensoria Pública do Estado (Edepe), Associação Canábica Maléli e Associação Anjos Guerreiros, que é presidida por Cláudia. O evento também conta com o apoio da Associação Paulista de Saúde Pública (Apsp), Sociedade Brasileira de Estudos da Cannábis, Famema, Unimar e da Federação Brasileira de Epilepsia.
No próximo dia 23 de novembro, a partir das 8h00, na Universidade de Marilia, profissionais renomados das áreas medica e jurídica, de vários Estados, irão debater a temática sob diferentes perspectivas.
Além disso, famílias que têm pacientes que utilizam o cannabidiol irão compartilhar suas vivencias. O seminário será gratuito e as vagas limitadas. Interessados devem se inscrever pelo site www.neatox.com.br/seminario-cannabis-medicinal

  • Publicado na edição impressa de 03/11/2019
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