Severo denuncia ‘complô’ em programa e vai pedir novo Direito de Resposta

Ao invés de um "Direito de Resposta", Severo foi questionado por Renan Alves, que defendeu o prefeito

Na gravação de Direito de Resposta, dono do jornal “Atual”
defende prefeito e insiste que versão de Otacílio é verdadeira

O vereador Luciano Severo (PRB) disse ontem que vai solicitar novamente o Direito de Resposta aos responsáveis pelo programa digital “Direto ao Ponto”, do empresário Renan Alves, dono do jornal “Atual”. Ele contou que Renan concordou em conceder Direito de Resposta para responder aos ataques do prefeito, mas, durante a gravação, o próprio empresário interrompeu Severo para dizer que a versão do prefeito era verdadeira e que ele, na qualidade de secretário de Comunicação da atual administração, foi testemunha da entrega de documentos “sigilosos” que teria sido feita pelo vereador. Mais uma vez, Severo desmentiu a versão e disse que Renan é “altamente suspeito” porque teve cargos e publicidade irregular no governo de Otacílio.

A polêmica aconteceu porque, no dia 26 de outubro, Otacílio usou o programa de seu ex-secretário e aliado político Renan Alves para contar a versão de uma suposta história que teria acontecido há quase dois anos. De acordo com Otacílio, Severo teria ido ao gabinete duas vezes, uma para entregar o conteúdo de todos os testemunhos da “CPI das Horas Extras” e a outra, para levar num envelope as perguntas que faria horas depois durante a oitiva do próprio prefeito.

Severo, que na época era o presidente da CPI, negou com veemência a história e disse que jamais precisaria entregar nada porque a comissão foi transparente e os próprios assessores do prefeito e a imprensa puderam gravar todos os depoimentos. Em relação ao envelope com perguntas, o vereador disse que a CPI era composta por três parlamentares e mais o procurador jurídico da Câmara, sendo que todos fariam questionamentos. Assim, segundo ele, não havia razão para mostrar apenas as perguntas que o vereador faria. “É uma história que ele inventou”, disse Severo no início do mês.

De fato, a versão de Otacílio tem várias contradições. O prefeito disse, por exemplo, que Severo teria levado o envelope durante a tarde para que pudesse ler as perguntas que seriam feitas à noite. No entanto, Otacílio se esqueceu que seu depoimento foi realizado durante o dia.

Inconformado com a história que alega ser mentirosa, Severo pediu Direito de Resposta ao empresário Renan Alves. A gravação foi realizada no último sábado, 9.

Renan Alves é ligado ao grupo político do prefeito Otacílio Parras, de quem foi secretário de governo

“Complô” pró-Otacílio

No entanto, Luciano Severo disse que foi surpreendido ao ser questionado, quando emitia sua opinião, pelo próprio empresário Renan Alves, na presença de outros profissionais, como Dário Miguel, Diego Singolani e André Rúbio. “As perguntas que me foram feitas me colocaram em confronto com o Renan, que de repente disse que eu realmente entreguei o pendrive, o que não é verdadeiro”, afirmou.

Para Severo, o espaço não foi um Direito de Resposta, mas um “complô” para defender uma versão inverídica difundida pelo prefeito. “É um absurdo. O prefeito já havia citado o Renan e o Maurício Saleme (secretário de Administração na época) como testemunhas. Mas eu já havia antecipado tudo isso na Difusora, quando afirmei que eles são altamente suspeitos, pois são subordinados ao prefeito”, disse.

Severo disse que agora vai exigir um Direito de Resposta com “respeito” à lei

Severo lembrou que Renan Alves tem interesse financeiro na administração como dono de jornal. “O Renan está sendo alvo de inquérito civil por improbidade administrativa, junto com o prefeito, por pagamentos de propaganda em desacordo com a legislação. Assim, ele tem interesse financeiro e comercial, não apenas de momento, mas para o futuro. Ora, todos sabem que quem peita o prefeito, conhecendo o perfil do Otacílio, é óbvio que vira inimigo dele”, afirmou, sugerindo que o dinheiro público que banca as verbas publicitárias do governo é distribuído somente a veículos e profissionais dóceis ao atual governo.

O vereador também questionou a ética do ex-secretário do governo Otacílio, lembrando que Renan Alves há anos é dono de jornal, inclusive quando teve cargo na administração. “Se ele se diz jornalista independente e não depende da prefeitura para fazer dinheiro, por que não denunciou este fato na época? Mesmo depois que ele foi exonerado, nunca divulgou nada. Só agora, quase dois anos depois — e logo após o prefeito levantar este caso —, o Renan insiste em confirmar a versão falsa do Otacílio”, disse.

Sobre Maurício Saleme, que hoje é o presidente da Codesan, Severo diz que é outro testemunho contaminado. “Se ele não confirmar a versão do prefeito, obviamente estará fora do cargo, pois nós conhecemos como funciona as coisas no atual governo”, afirmou.

O vereador disse que, no programa de Renan Alves, “sentiu um complô” para defender Otacílio e atacar aqueles que o prefeito considera desafetos. “Isto ficou claro desde aquela entrevista do prefeito ao mesmo programa. Veja que ninguém fez perguntas ao Otacílio sobre situações que reputo como erradas na administração. Nada se falou sobre Sueli Feitosa e o fato da perícia ter sido feita pela própria administração, o que é um absurdo. Nenhum deles perguntou sobre o prejuízo causado pela demissão da jornalista Thaís Balielo, que estava grávida, nem comentou sobre o funcionário fantasma que ficou cinco anos sem trabalhar. Nenhum repórter falou algo sobre estes ou outros fatos ou fez perguntas capciosas que pudessem desagradar o prefeito”, afirmou.

Para Severo, na entrevista de Otacílio, há duas semanas, o prefeito usou metade do programa para atacar o vereador. “Outros 30% ele usou para atacar o diretor do DEBATE e nos demais 20%, falou sobre o vereador Cristiano Neves. Se só abordaram questões que beneficiam o prefeito, então só posso avaliar que tudo é programado e ensaiado. Não pode ser natural”, concluiu.

Luciano Severo disse que vai apresentar novo pedido de Direito de Resposta, desta vez exigindo o respeito à legislação. “Vou discutir isto com meu advogado”, afirmou, não descartando ingressar com ação judicial contra o empresário Renan Alves.

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Proprietário e Editor do Jornal Debate