José Carlos Camarinha esteve em Berlim pouco antes do muro desabar

HISTÓRIA — Fotografado pela mulher Heloísa, Camarinha posa ao lado do rio Spree, tendo muro de Berlim atrás

Ex-vereador, que morreu em 1998,
viu o histórico muro ainda intacto

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Nos arquivos da família, há milhares de fotografias, muitas coloridas e outras em preto e branco, narrando a trajetória de um dos grandes políticos da história de Santa Cruz do Rio Pardo. No entanto, alguns álbuns chamaram a atenção do neto Pedro, pois mostravam as imagens de uma das últimas grandes viagens do engenheiro José Carlos Camarinha. Na turnê pela Europa, ele e a mulher visitaram uma Berlim ainda dividida pelo histórico muro. A viagem aconteceu em julho de 1989 e, menos de cinco meses depois, ele estaria destruído na unificação das Alemanhas.
O neto é Pedro Figueira, hoje fotógrafo profissional, daí o interesse pelas imagens antigas do avô. “Quando vi que era o muro de Berlim, fiquei curioso em ver a data. Pois era apenas alguns meses antes da queda do muro”, contou Pedro, que ontem entregou parte das fotografias ao jornal.

ALEMANHA — Meses antes do muro ruir, Camarinha fez fotos em Berlim, com a imagem do muro ao fundo

José Carlos Camarinha era engenheiro civil e, como sobrinho do ex-deputado Leônidas Camarinha, entrou muito cedo na política. Candidato em 1963, foi eleito vice-prefeito de Carlos Queiroz, com quem protagonizou uma das administrações mais marcantes da história de Santa Cruz.
Em 1968, era natural que José Carlos fosse o candidato à sucessão de Carlos Queiroz, já que não existia reeleição. Enfrentou outro “campeão de votos” e foi derrotado por apenas 62 votos. Anos depois, voltou à Câmara e foi eleito sucessivamente vereador. Hoje, o prédio do Legislativo estampa o seu nome.

José Carlos Camarinha na Alemanha

Mas, além da política, José Carlos gostava de viajar. Praticamente todos os anos ele e a mulher Heloísa faziam as malas e partiam para dar a volta ao mundo. E uma curiosidade: levava edições do DEBATE para serem fotografadas em bancas ao redor do planeta.
Em 1989, o casal ficou um mês visitando Bélgica, Polônia, Suécia. Noruega, Dinamarca e Holanda. Mas a passagem marcante foi pela Alemanha, cuja capital ainda era dividida pelo histórico muro. Seis meses depois, a estrutura ruiu. Ontem, aliás, dia 9 de novembro, o mundo celebrou os 30 anos da queda do muro de Berlim.
Segundo Pedro Figueira, Camarinha e Heloísa visitaram os lados oriental e ocidental de Berlim, liberdade que somente os turistas de outros países eram autorizados a fazer.
Camarinha deixou a política e seguiu viajando, até que, fragilizado por um grave acidente na serra de Botucatu, perdeu as forças. Morreu em 1998. 

  • Publicado na edição impressa de 10/11/2019
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