Pelé foi proprietário de terrenos no ‘Parque das Nações’ em Santa Cruz

PRESENTE — Mário Lúcio Lima mostra o quadro autografado que ganhou de Pelé por ter vendido dois terrenos

Garoto-propaganda do “Parque
das Nações”, ele ficou com dois lotes

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

No início da década de 1980, o empresário Paulo Cassiano, empreendedor de um loteamento no final dos anos 1970, precisou de uma campanha para o relançamento do “Parque das Nações”, O empreendimento fora implantado para ser um bairro de classe média alta. No entanto, provavelmente por conta da distância com o centro de Santa Cruz do Rio Pardo, não teve no início o sucesso esperado. Arrojado, ele contratou um garoto-propaganda conhecido mundialmente: Pelé.

HISTÓRIA — Às 23h23 do dia 19 de novembro de 1969, Pelé bate pênalti, vence o goleiro do Vasco, Andrada, busca a bola no fundo da rede e a beija: era o milésimo gol do maior jogador de todos os tempos

O atleta apareceu em fotos e folders anunciando as qualidades do novo bairro e informando que era proprietário de terrenos na área. Afinal, ser vizinho do “rei do futebol” era um ótimo chamativo publicitário.
É provável, entretanto, que Pelé nunca conheceu os legítimos lotes que recebeu como pagamento pelo uso da imagem na publicidade. Na verdade, foram dois terrenos de 300 metros quadrados localizados na quadra “N” do Parque das Nações, sob números 36 e 37.

HISTÓRIA — Às 23h23 do dia 19 de novembro de 1969, Pelé bate pênalti, vence o goleiro do Vasco, Andrada, busca a bola no fundo da rede e a beija: era o milésimo gol do maior jogador de todos os tempos

O “Parque das Nações” não se tornou um bairro de alto padrão, como imaginava Paulo Cassiano, mas teve todos os lotes vendidos. Anos depois, Pelé quis se desfazer dos terrenos, já que não iria construir nada. Foi aí que o empresário Mário Lúcio Lima entrou na história.
“Minha irmã mora em Santos e conhecia o secretário do Pelé. Um dia, ela me deu um recado de que ele queria minha presença no seu escritório. Contou que Pelé queria vender os terrenos e precisava de alguém para negociar. Então, o Pelé me passou uma procuração e me outorgou esta missão”, contou Mário, hoje já aposentado.

HISTÓRIA — Às 23h23 do dia 19 de novembro de 1969, Pelé bate pênalti, vence o goleiro do Vasco, Andrada, busca a bola no fundo da rede e a beija: era o milésimo gol do maior jogador de todos os tempos

Havia alguns problemas, pois os terrenos estavam abandonados e com IPTU atrasado havia cinco anos. “A empresa de Pelé enviou o dinheiro para o pagamento dos impostos e, não demorou muito, os terrenos foram negociados”, contou Mário Lúcio.
Ele não se recorda dos valores exatos, mas calcula que os imóveis foram vendidos por pouco mais de R$ 50 mil.
O ex-jogador ficou tão grato que enviou a Mário Lúcio Lima uma foto gigante carinhosamente autografada. “Ao Mário Lúcio, do amigo Pelé”, escreveu o “rei”.
Tempos depois, Mário Lúcio Lima ainda se encontraria pessoalmente com o atleta do século. “Ele estava sem nenhum segurança, me cumprimentou e me agradeceu muito. Na verdade, o Pelé é simples, gente boa mesmo”, afirmou.

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  • Publicado na edição impressa de 17/11/2019
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