Prefeito de Piraju sugere propina para liberar usina

No vídeo, prefeito Costa diz que, se quisesse, poderia receber propina

É a segunda vez que ele se refere ao tema

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O prefeito de Piraju, José Maria Costa, 74, disse que poderia assinar uma autorização para instalação de uma nova usina hidrelétrica em Piraju e que, automaticamente, receberia alguns milhões de propina. A declaração foi feita num vídeo que o prefeito gravou e publicou em sua página pessoal do Facebook. Ele estava ao lado do presidente da Câmara, José Carlos Brandini, que fez vários elogios ao prefeito. Foi a segunda vez que José Maria sugeriu que poderia receber propina caso assinasse uma autorização para a instalação da usina, sem citar o nome da empresa. O projeto de uma nova hidrelétrica no Paranapanema é da CGT Brasil.
José Maria gravou o vídeo para atacar a oposição, supostos “traidores” de seu grupo, o deputado Paulinho da Força (SD), falar sobre obras da administração e insistir que é honesto. Em certo momento, o prefeito disse que iria “provar sua idoneidade”. Em seguida, pegou um papel e fez uma assinatura. “Quanto demora para fazer esta assinatura? Um segundo?”, indagou. “Pois com esta assinatura eu autorizo agora a fazer a usina no rio Paranapanema e garanto colocar R$ 2 ou R$ 3 milhões no bolso”, afirmou José Maria. “Mas nunca vou fazer isto e nunca na vida farei, porque o dinheiro que ganho é honesto”, garantiu.
A declaração não deixa de ser surpreendente, especialmente porque não é a primeira vez que o prefeito aborda o mesmo tema. Não há dúvida de que ele sugere que a empresa que está interessada em construir uma nova hidrelétrica no rio Paranapanema pode ter oferecido propina para facilitar a liberação da obra.
No entanto, não há nenhuma informação de que o prefeito tenha denunciado a provável oferta de propina às autoridades de Piraju.
“Este defeito eu não tenho. Sou honesto e vou morrer honesto. E não adianta ficar com críticas por aí que isto não me atingem em nada”, disse José Maria.
O prefeito contou que, no dia da gravação, esteve no Fórum de Piraju para prestar algum esclarecimento. “Estive lá porque alguém disse que eu teria recebido propina de alguém. Está lá e a pessoa vai ter de provar porque eu não sou disso”, afirmou. “Mas tem muita gente que não coloco a mão no fogo”, disse.
No final da gravação publicada nas redes sociais no último final de semana, o prefeito José Maria é informado que o vereador Aparecido Donizeti Cassanho estava assistindo à transmissão ao vivo. “Este é leal, porque chegaram e disseram que iam me cassar. Mas ele aguentou a parada e disse que o prefeito estava certo e votou ao meu favor com a sua consciência. Obrigado, vereador. Fico lhe devendo esta pelo resto da vida”, disse.

Denúncias

As denúncias de corrupção no governo de José Maria Costa se intensificaram durante a “CPI da Riopardense”. Na fase de depoimentos houve relatos de que a empresa de ônibus teria pago propina ao prefeito através de depósitos na conta do jornal “Observador”, que na época pertencia a Paulo Sara, um dos principais assessores de Costa. A CPI conseguiu a quebra do sigilo bancário do jornal e, segundo informações, constatou uma série de depósitos. O relatório final da CPI, assinado pelo vereador Leonardo Tonon, deveria indicar as suspeitas.
No entanto, a bancada que apoia o prefeito José Costa na Câmara, contando com manobras do presidente José Carlos Brandini, acabou arquivando a CPI antes da leitura do relatório. Há dias, os mesmos governistas recusaram um recurso apresentado por Leonardo Tonon para permitir a leitura do relatório. O documento encontra-se lacrado nos arquivos da Câmara Municipal de Piraju, mas pode ser requisitado pelo Ministério Público. 

  • Publicado na edição impressa de 24/11/2019
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