Artigo: ‘O triste exemplo de Gugu’

O triste exemplo de Gugu

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

A morte acidental do apresentador Gugu chocou o país. Não só pela importância que o mesmo tem na história recente da TV brasileira, mas pela maneira como foi. Gugu sofreu uma queda quando tentava consertar um ar-condicionado de sua casa.

O apresentador morreu com 60 anos, ou seja, nas estatísticas brasileiras era um idoso. Gugu sofreu o que muitos idosos sofrem todos os dias: queda. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 40% das mortes dos idosos estão relacionadas a quedas. No Brasil, aproximadamente 30% das pessoas com mais de 65 anos caem pelo menos uma vez por ano. Depois dos 80 anos de idade, essa porcentagem pode chegar a 50%, segundo dados do Hospital Sírio-Libanês, um dos mais importantes do país.

Um dos maiores riscos das quedas são as fraturas e a pior delas é a quebra do fêmur. Ainda de acordo com dados do Sírio-Libanês, até 40% dos idosos que fraturam o fêmur não conseguem se recuperar totalmente, o que significa, na maioria das vezes diante deste cenário, ficar acamado, uma das situações mais difíceis para paciente e família.

Mas por que os idosos caem tanto? Doenças que afetam o sistema motor são responsáveis por parte destes acidentes. Por isso, é importante consultas rotineiras para acompanhar isso de perto. Além de, quando possível clinicamente e fisicamente, exercícios físicos para fortalecer a musculatura.

Outras causas estão relacionadas a atividades domésticas como subir em cadeiras, escadas e banquinhos para reparos (como Gugu fez), para estender roupa, pegar alguma coisa em cima do armário, lavar chão com muito sabão, tentar pular pequenos obstáculos, distração ao caminhar e outras tarefas cotidianas.

Idoso e família precisam se conscientizar sobre esses riscos. Uma das prevenções é adaptar toda a casa à condição física do idoso e suas eventuais restrições. Qualquer mínima situação de risco deve ser levada em consideração. O adulto saudável não pode analisar a residência através de sua ótica e minimizar ou negligenciar algumas questões. Por isso, é importante um especialista para planejar essa adaptação.

Muitos familiares reclamam da teimosia dos idosos, que insistem em continuar fazendo essas tarefas. Realmente é complicado convencê-los do contrário, pois isso parece a eles um controle ou um alerta que não são mais capacitados. E é exatamente esse o principal motivo de fazer essas mudanças na residência, para que o idoso possa continuar tendo sua autonomia e exercê-la da maneira mais segura possível.

A todos, lembrem-se: a queda é uma das situações mais terríveis que pode acontecer ao idoso.

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada e
Responsável
Técnica pela
AleNeto
Enfermagem 

 

  • Publicado na edição impressa de 1º/12/2019
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