Artigo: ‘Puxão de orelha’

Puxão de orelha

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O idoso está perdendo um papel que sempre foi seu em nossa sociedade: o de ensinar. Nossos pais e avós deixaram de ocupar esse espaço nas famílias, nas empresas e na sociedade, de maneira geral, por três motivos principais: os jovens não são mais educados a ter os mais experientes como mentores, o desenfreado avanço tecnológico dificultou a permanência do idoso com voz ativa e o próprio idoso se afastou deste papel por “vontade própria”. Nós vamos debater aqui sobre esse último ponto.

O idoso, infelizmente, se entregou e desistiu de acompanhar e de se adaptar às mudanças do comportamento humano. Realmente não é algo simples alguém que passou a vida toda escrevendo e recebendo cartas se adaptar com facilidade às chamadas de vídeo do WhatsApp. A questão é que a maioria dos idosos virou as costas para tudo que estava (ou está) acontecendo e se negou a fazer parte dessa “maluquice”. Essa coluna tem como objetivo, sempre, discutir o mundo dos idosos, levando em conta os pontos de vistas deles e de toda a família. Pois hoje esse texto tem como intenção dar um “puxão de orelha” no idoso.

Algumas atitudes dos idosos fizeram com que as famílias fossem deixando-os de lado e dando pouca importância ao que eles falam (mesmo porque, muitas vezes, os idosos se tornam tão reclusos que nem falam). Claro que o respeito ao idoso deve existir em toda sua plenitude, independentemente do comportamento do mesmo. Mas aqui não estamos falando “apenas” de respeito. Estamos falando de influência, importância, sabedoria, energia. As famílias brasileiras, infelizmente, começaram a tratar todos os idosos (inclusive os saudáveis) como se fossem incapacitados, infantilizando e adoentando todos. Quase como uma estratégia inconsciente (ou consciente) de deixá-los de escanteio.

E o pior: os idosos aceitaram isso. Acomodaram-se com tal situação e hoje são apenas o “vôzinho” e a “vózinha”, quando o certo é serem os avós que são espelhos para os neto e os filhos, não apenas como fonte de inspiração pelo que foram no passado, mas como fonte de conhecimento e experiência pelo que são no presente.

O idoso precisa recuperar sua condição de “sábio” e “professor”. Para isso, precisa valer-se de toda sua experiência e orientar a todos com a sabedoria de quem fala para uma plateia de 2020, e não de 1970. Nossa sociedade entrou em um processo alucinante de mudanças e revoluções, em uma velocidade incontrolável. É um caminho sem volta. Não adianta torcer o nariz. Ou encara e se impõe ou nunca mais os idosos poderão ensinar mais nada. O que é uma pena, pois nosso jovens precisam muito disso. 

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica pela
AleNeto
Enfermagem 

  • Publicado na edição impressa de 8/12/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate