CARTAS – Edição de 15/12/2019

‘A ilusão dos lixos mentais
que nos leva a morte’

Sabemos que a mente humana é um universo de complexidade. Por esta razão, ela é muito estudada, a fim de nos proporcionar uma vida de qualidade emocional. Pois a mesma mente que cria os problemas é a mesma que resolve.
Ela tem o poder de nos exaltar, mas também de nos destruir. E, para provar isso, um cientista desenvolveu uma teoria que desse sustentação plausível ao seu pensamento. Precisava de um voluntário que chegasse às últimas consequências. Conseguiu um em uma penitenciária. Era um condenado à morte que seria executado na cadeira elétrica. Propôs a ele o seguinte: participaria de uma experiência científica, na qual seria feito um pequeno corte em seu pulso, o suficiente para gotejar o seu sangue até a última gota. Ele teria uma chance de sobreviver, caso o sangue coagulasse.
Se isso acontecesse, ele seria libertado, caso contrário, iria falecer pela perda do sangue, porém, teria uma morte sem sofrimento e sem dor. O condenado aceitou, pois isso era preferível a morrer na cadeira elétrica e ainda teria uma chance de sobreviver. O condenado foi colocado em uma cama alta, dessas de hospitais e amarraram o seu corpo para que não se movesse. Fizeram um pequeno corte em seu pulso. Abaixo do pulso, foi colocada uma pequena vasilha de alumínio. Foi dito a ele que ouviria o gotejar de seu sangue na vasilha. O corte foi superficial e não atingiu nenhuma artéria ou veia, mas foi o suficiente para ele sentir que seu pulso fora cortado.
Sem que ele soubesse, debaixo da cama tinha um frasco de soro com uma pequena válvula. Ao cortarem o pulso, abriram a válvula do frasco para que ele acreditasse que era o sangue dele que estava caindo na vasilha de alumínio. Na verdade, era o soro do frasco que gotejava. De 10 em 10 minutos, o cientista, sem que o condenado visse, fechava um pouco a válvula do frasco e o gotejamento diminuía. O condenado acreditava que era seu sangue que estava diminuindo. Com o passar do tempo, foi perdendo a cor e ficando cada vez mais pálido. Quando o cientista fechou por completo a válvula, o condenado teve uma parada cardíaca e faleceu, sem ter perdido sequer uma gota de sangue.
O cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre, ao pé-da-letra, tudo que lhe é enviado e aceito pelo seu hospedeiro, seja positivo ou negativo e que sua ação envolve todo o organismo, quer seja na parte orgânica ou psíquica. Essa história é um pouco triste, mas é um alerta para filtrarmos o que enviamos para nossa mente, pois ela não distingue o real da fantasia, o certo do errado, simplesmente grava e cumpre o que lhe é enviado.
— Rodrigo Santos, teólogo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

O avanço
dos
evangélicos

BBB: bancadas do boi, da bala e da bíblia. A sigla é bastante conhecida e tende a ganhar mais fôlego nos próximos tempos. Fiquemos com esta última, começando com a hipótese: a bancada evangélica vai se fortalecer no governo Bolsonaro, na esteira do crescimento do evangelismo no Brasil.
Um conjunto de elementos sinaliza nessa direção: vínculo forte que os evangélicos têm com os valores conservadores, matriz do ideário governamental; grande bancada parlamentar, que soma cerca de 200 deputados e 10 senadores; prestígio que o presidente confere aos evangélicos, frequentando cultos, recebendo bênçãos de pastores. Sua esposa, Michelle, é intérprete de libras nos cultos dominicais da Igreja Batista Atitude, no Rio. Já a cerimônia religiosa da união do casal foi oficiada pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus.
Que fenômenos explicam a expansão dos evangélicos no território, que hoje se aproximam de 24% da população, enquanto os católicos caem para a faixa dos 62%, de acordo com o IBGE? O que se sabe é que o evangelismo se apresenta como uma entidade viva, tocando diretamente no coração dos fiéis, renovando a liturgia, movimentando plateias, falando de problemas cotidianos e mostrando a trilha para os participantes usufruírem, desde já, os bens terrenos.
Desse modo, a pobreza pode ser revertida por atos e disposição de cada um. Já a Igreja Católica tem na pobreza um dos eixos de sua pregação. Ao tomar posse, o papa Francisco teria dito: “como eu gostaria de uma Igreja pobre, para os pobres.” A menção aos pobres é referência a São Francisco de Assis, cuja vida foi dedicada à pobreza. O papa escolheu o nome de Francisco para evocar o santo. Sem esquecer que Cristo nasceu numa manjedoura.
Entre as teses sobre o evangelismo, particularmente sobre a vertente pentecostal, movimento de renovação cristã que dá ênfase à união com o Espírito Santo, há um texto interessante do pesquisador Brand Arenari. O foco da mensagem pentecostal é a promessa de integrar indivíduos à dinâmica central da sociedade, o que inclui as noções de inclusão, ascensão social e modelos de vida individuais. Escopo que encontra guarida na Teoria da Prosperidade, pela qual as pessoas podem ter acesso “às maravilhas do mundo moderno”, aqui e agora. “O sofrimento não tem mais valores positivos”, encontrados em outras doutrinas, aduz Brand.
Condição para se galgar o edifício da melhoria de vida é o seio familiar. No pentecostalismo, a família assume o papel de um “banco de créditos afetivos, morais e cognitivos”. Preservar a família é, portanto, um dos eixos do credo, com suas “células” que acompanham a dinâmica da vida de seus membros. Indivíduos disciplinados, orientados para o estudo e o trabalho, acabam encontrando a receita do “sucesso”.
Olhemos para os cárceres abarrotados. Quem leva aos presos a mensagem de esperança, de voltar a uma vida saudável, com acesso aos bens materiais, contanto que sigam preceitos e determinadas linhas de comportamento? As igrejas evangélicas. Sob essa crença, presos saem dos cárceres com uma bíblia na mão.
Projetemos esse cenário sobre a textura social e o terreno da política. A inferência é clara: núcleos populacionais, a partir das camadas pobres, essas que formam um anel em torno do centro das cidades, se identificam com um ideário próximo às suas necessidades materiais e espirituais. Antes do Reino dos Céus, os crentes têm de enfrentar as agruras do Reino terreno, que estão ali no bairro onde moram com suas famílias carentes.
Em suma, a receita do pentecostalismo é não se conformar com a pobreza. Daí o aceno a melhores dias. O discurso é: o indivíduo é dono do seu destino e, assim, pode direcionar sua vida. Sob esse preceito, é razoável prever que pentecostais e outras igrejas evangélicas se expandam em progressão geométrica enquanto a Igreja do papa Francisco sofre uma diminuição.
Dito isto, convém lembrar que o governo do presidente Bolsonaro se inclina na direção dos evangélicos. Apesar de católico, identifica-se melhor com essas igrejas. Ele já prometeu nomear para o STF um ministro “terrivelmente evangélico”. A bancada da bíblia, com seus fiéis, se infiltra nas malhas do Estado, fazendo emergir o debate: o Estado é ou não laico? Terá o evangelismo influência em demasia na condução do Estado brasileiro? Perguntas que vão abrir o debate.
— Gaudêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)

A incrível Segunda
Epístola aos Coríntios

O Vimos no artigo anterior sobre a Primeira Epístola aos Coríntios, mas o que quase ninguém sabe é que a primeira carta aos Coríntios foi perdida, indo para a Bíblia as duas que se salvaram.
O apóstolo Paulo fez três viagens como missionário do Reino de Deus, passando por Corinto em todas elas, sendo que a primeira foi no ano 50, a segunda no ano 55 e a terceira no ano 56. Vemos em 1 Cor 5,9 que houve uma carta perdida, a primeira que foi enviada àquela comunidade: “Na carta que vos escrevi, recomendei-vos que não tenhais convivência com pessoas dadas à prostituição”. Essa carta se perdeu? Alguns estudiosos sustentam que ela não se perdeu, ela estaria na Segunda Carta aos Coríntios que está na Bíblia, nos trechos de 2 Cor 6,14-18; 7,1.
A segunda carta enviada à comunidade, que virou a primeira da Bíblia, foi escrita em Éfeso, por volta do ano 54, durante a terceira viagem missionária. E a terceira carta enviada à comunidade, que é parte da segunda da Bíblia, foi escrita por volta do ano 55). Alguns estudiosos afirmam que essa carta é composta dos trechos em 2 Cor 2,14-7,4. Nela Paulo se defende, sem, contudo, obter resultados satisfatórios.
Uma quarta carta foi enviada à comunidade por Tito, que é também mediador do conflito, foi escrita no ano 55. Alguns estudiosos afirmam ser esta a carta que Paulo escreveu “preocupado, aflito e chorando” (cf. 2 Cor 2,4). Seriam os trechos que compõem 2 Cor 10,1-13,13. Há outros estudiosos que sustentam que se trata de uma carta anterior que se perdeu.
Uma quinta carta foi enviada à comunidade, também no ano 55. Paulo encontrou Tito numa das cidades da Macedônia (cf. 2 Cor 7,6), talvez Filipos ou Tessalônica, que o informa que o conflito foi resolvido. Ele, então, escreve a carta da reconciliação, achada nos trechos 2 Cor 1,1-2,13;7,5- 16).
Acabou? Ainda não, uma sexta carta enviada à comunidade no ano 55 ou 56, em que o portador da carta é, provavelmente, Tito. Reconciliado com a comunidade, Paulo lhe recorda um compromisso há tempo (cf. 1 Cor 19,1- 4), mas ainda não realizado, ou seja, o compromisso da solidariedade com os empobrecidos de Jerusalém. Esta carta está em 2 Cor 8. Foi escrita em Macedônia. Tito levou na bagagem outra carta sobre o mesmo assunto. Ela se destinava às outras comunidades da Acaia, cuja capital era Corinto. Mais tarde, os coríntios anexaram esse texto estranho, encontrado em 2 Cor 9.
A segunda carta aos Coríntios é uma colcha de retalhos, juntados sem nenhuma preocupação com o tempo, em que se registra um conflito entre Paulo e uma pessoa da comunidade por ocasião de uma visita inesperada, fala do projeto de uma visita que acabou não acontecendo, atesta que Tito foi o mediador do conflito, Paulo recorda os conflitos enfrentados em Éfeso, onde esteve preso por algum tempo e, para finalizar, recorda o mutirão da solidariedade com os empobrecidos de Jerusalém.
O leitor poderá aprofundar seus estudos dessa Epístola no livro do Pe. José Bortolini, “Como Ler A Segunda Cartas Aos Coríntios, da Editora Paulus. História muito bacana, né?
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)



REPERCUSSÃO ONLINE:

Prefeito Otacílio não
quer Uber em S. Cruz

Via Facebook:

O Uber e as demais empresas de transportes por aplicativos na cidade independe da vontade do prefeito, que demonstra estar atrasado com relação à matéria que disciplina o transporte por aplicativos. É uma tendência mundial de locomoção rápida e barata, menos que os táxis.
— Delmiro Goveia (Mogi das Cruzes-SP)
—oOo—
É só ele não usar.
— Wanderson Cardoso da Silva (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Então agora seremos obrigados a ficar pagando entre R$ 20 e 25 para uma corrida de táxi, que na maioria das vezes não dá 5 minutos? Em alguns pontos, Santa Cruz está regredindo cada vez mais. Como diz um grande amigo meu, “Santa Cruz é a cidade onde o poste urina no cachorro”.
— Priscila Edson de Oliveira (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
—oOo—
Não tem essa de ele querer. Se o povo quer, fim de papo. Ele não precisa deste tipo de transporte então.
— Jesuel Domingues Paes (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Transporte de Santa Cruz é horrível e Uber iria ajudar muito. Táxi é muito caro, cobram por corrida para levar uma compra. E para quem vai ao outro lado da cidade?
— Adriana Messias (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Mulher cuida de gato ‘trans’

Inclusão social de animais.
— Luís Fernando Wiltemburg, jornalista (Londrina-SP)
—oOo—
Conheço a Cezarina há muitos anos. Realmente, impressionante o amor e dedicação que ela tem pelos bichinhos. Mas além disso ela presta serviço de caridade, cuida de idosos e doentes, dedica parte de seus dias aos carentes, dispondo de recursos financeiros do próprio bolso. Se há uma pessoa que merece toda a admiração, consideração e respeito de todos nós, essa pessoa é a Cezarina. Foi uma bela reportagem. Parabéns.
— Jesuel Domingues Paes (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



“Fotos do Leitor”

Família Ramos de Castro em 1914

— Por Edilson Arcoleze:
Fotografia de janeiro de 1914. 1 – Meu saudoso avô Hyram Ramos de Castro; 2 – Tio-avô Irineu Ramos de Castro; 3 – Tio-avô Elesinho Ramos de Castro; 4 – Tio-avô José Pio da Silva, casado com minha tia-avó Alice Ramos de Castro; 5 – Tio-avô Ulisses Ramos de Castro; 6 – Rosa Maria de Carvalho, mãe da minha tia-avó Claudemira Rosa de Castro; 7 – Tia-avó Claudemira Rosa de Castro, esposa do tio-avô Irineu Ramos de Castro; 8 – Minha Bisavó Aristidia Ramos de Castro; 9 – Meu bisavô Manoel dos Santos Castro; 10 – Tia-avó Alice Ramos de Castro; 11 – Tia-avó Antonia Paes de Castro, esposa do meu tio-avô Ulisses Ramos de Castro; 12 – Tia-bisavó Emiliana, irmã de minha bisavó Aristidia Ramos de Castro; 13 – Prima-avó Iracema Ramos Nelli, filha do meu tio-avô Irineu Ramos de Castro; 14 – Filha de meu tio-avô Irineu Ramos de Castro; 15 – Tia-avó Orlanda Ramos de Castro (Tia Nenzica); 16 – (…); 17 – Prima Aurea, filha de minha Tia-bisavó Emiliana. 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate