Artigo: ‘Sem pressão, por favor’

Sem pressão, por favor

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O idoso precisa e merece ser feliz. Mas, para isso, os idosos devem planejar essa felicidade. Mas, que coisa estranha, né? Planejar, ou seja, burocratizar um sentimento tão complexamente humano e íntimo. Mas é mais ou menos isso sim.

Aqueles que já passaram dos 60 anos devem continuar com seus projetos de vida, desejar concretizar seus sonhos e resolver seus problemas. Manter-se ativo intelectualmente é um dos segredos para prevenir a depressão na Terceira Idade. Mas o idoso não deve se impor metas inalcançáveis e/ou sacrificantes. Chega um momento da vida em que é sábio olhar a sua volta, compreender tudo o que aconteceu até ali e ter a melhor qualidade de vida possível. Veja bem: possível. Quem consegue agir assim, está muito perto da tal felicidade.

É comum, infelizmente, o idoso se obrigar a determinadas missões complicadas e comprovadamente improváveis de se concluir. Isso ocorre, principalmente, envolvendo questões familiares. Pais que tentam fazer filhos brigados se reconciliarem ou terem melhor relacionamento, idoso que tenta resolver problemas financeiros de familiares. Tem até quem queira mudar a personalidade e a rotina de algumas outra pessoas próximas. Percebeu que são tarefas extremamente complexas?

O idoso deve se empenhar nestas questões, principalmente se elas a incomodam. Mas não deve fazer da improvável solução delas algo determinante para sua felicidade ou bem-estar. A sociedade já nos impõe uma pressão psicológica absurda durante o período que somos “economicamente ativos”. A aposentadoria e a fase idosa devem ter como princípio básico diminuir consideravelmente este estilo de vida.

Sabe aquela expressão “dar murro em ponta de faca”. Então, nunca vale a pena. Ainda mais na velhice (confesso que odeio essa expressão para se referir aos idosos, mas em alguns momentos é necessária). Deixe a pressão de lado. Concentre-se e organize uma rotina saudável, prazerosa, calma e mentalmente forte. Até em relação a situações importantes para a saúde. Por exemplo: é fundamental fazer exercícios físicos e manter o corpo ativo para prevenir doenças. Mas, se o seu vizinho idoso faz academia três vezes por semana, não significa que você seja obrigado a fazer o mesmo. Uma simples e produtiva caminhada já basta.

O idoso deve continuar a fazer tudo aquilo que fazia quando tinha 30, 40 anos. Mas entendendo que não vale mais a pena se estressar em determinadas situações. O segredo é buscar sabedoria e leveza em qualquer tipo de relação. Se algo não deu certo, tudo bem. Há outros caminhos mais interessantes. Como diz os adolescentes: de boa! 

* Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem 

  • Publicado na edição impressa de 15/12/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate