Uma fila típica de brasileiro

ESPERA — Dezenas de pessoas aguardam senha para entrar no Cartório

Cadastro biométrico gerou fila que
dobrou o quarteirão do Cartório Eleitoral
de Santa Cruz; cidade não atingiu 80%

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Como esperado, a última semana para regularizar o cadastro biométrico tumultuou o Cartório Eleitoral de Santa Cruz do Rio Pardo. No último dia, na quinta-feira, 19, as filas dobraram a esquina. Ninguém escapou: de pedreiro a prefeito da comarca, todos enfrentaram a demora e a maioria nem almoçou antes de regularizar a situação. Quem não conseguiu, terá o título cancelado, mas poderá começar a regularizar a situação a partir de março do próximo ano.

A maioria das pessoas que enfrentaram a fila dizia que se esqueceu ou que, como “bom brasileiro”, deixou para o último dia. Foi o caso do pedreiro Cláudio Egídio, 45, que chegou ao cartório às 6h50 da manhã. Às 15h30, ele ainda estava na fila, embora já no interior do prédio. “Quando cheguei, a fila já virava o quarteirão”, disse. Não almoçou e nem bebeu água durante todo o período. “Serviu de lição. Na próxima vez, vou ser o primeiro”, afirmou.

O prefeito de Ipaussu (centro) passou o dia na fila.

Até políticos enfrentaram o tumulto do último dia. No amontoado de gente, por exemplo, estava o prefeito de Ipaussu, Sérgio Guidio (PSDB). E não veio sozinho, pois estava acompanhado de alguns assessores e até do vice-prefeito Sebastião de Souza Alves. Todos deixaram para a última hora.

O vice-prefeito de Ipaussu admite que deu um “um mau exemplo

Com mais sorte, o vice ‘Tiãozinho’ estava a minutos de conseguir fazer o cadastramento biométrico. “Pela correria na administração, deixei para a última hora. Mas é o típico brasileiro, que sofre até os 45 minutos”, brincou Sebastião, que também estava sem almoçar no meio da tarde. “Oportunidade não faltou, o erro é meu mesmo. Na verdade, estou dando um mau exemplo”, afirmou Tiãozinho.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, do total de 35.243 eleitores em Santa Cruz do Rio Pardo, 27.617 fizeram o cadastro biométrico — ou 78,36%. Os números mostram que, quanto menor a cidade, maior é a porcentagem de quem regularizou o cadastro. Na região, por exemplo, Canitar alcançou índice de 99,63. 

  • Publicado na edição impressa de 22/12/2019
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