CARTAS – Edição de 22/12/2019

‘Como dizia meu pai: a
necessidade faz o sapo pular’

Por muitos anos, antes que meu querido Pai fosse arrebatado desta vida, sempre ouvi seus sábios conselhos. Uma das coisas que ele sempre me dizia: “A necessidade faz o sapo pular!” Vários estudos biológicos demonstram que um sapo colocado num recipiente com a mesma água de sua lagoa fica estático durante todo o tempo em que aquecemos a água, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Por outro lado, se fizermos a mesma experiência com outro sapo, mas agora não mais preservando na mesma água. E, sim, jogarmos nesse recipiente com a água já fervendo o que acontece? Ele salta imediatamente para fora! Pois ouve uma extrema necessidade de sair daquele lugar não importando os meios. Isso acontece quando a vida não nos deixa oportunidades, fazemos o que for preciso para sobrevivência. Ou encaramos qualquer tipo de situação, mesmo que isso custe passar pela nossa timidez, limitações até o cansaço. Evoluímos para não sermos fervidos. Isto é quando a necessidade nos advém. Como Papai: “A necessidade faz o sapo pular!” Em outras ocasiões, somos como sapos fervidos. Não percebemos as mudanças. Achamos que está tudo muito bom, ou que o que está mal vai passar porque é só questão de tempo. Estamos prestes a morrer, mas ficamos boiando, estáveis e apáticos na água que se aquece a cada minuto. Acabamos sem termos percebido as mudanças à nossa volta. Sapos fervidos não percebem estas coisas, pois foi tirado da sua lagoa, porém, preservaram sua água, mas em outro recipiente (lugar). Estamos sendo jogados de lá para cá, sem que saibamos ou nos demos conta disso. Temos que nos despertar para alta temperatura que nos aquece gradativamente. E, para que isso aconteça, há a necessidade de um contínuo crescimento, com espaço para o diálogo, para a comunicação clara, para dividir e planejar, para uma relação adulta. O desafio ainda maior está na humildade em atuar respeitando o pensamento do próximo. A relação social está um caos! Basta que eu tenha um ponto de vista para que eu discorde do meu próximo, tanto de seus pensamentos quanto de seus atos. Sem ao menos entender ou, muito menos compreender o motivo pelo qual ele pensa ou age assim. Isso se chama preconceito! Há sapos fervidos que ainda acreditam que o fundamental é a obediência e não a competência. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo.” E, nisso tudo, onde está a vida de verdade? É melhor sairmos meio chamuscados da água que nos aquece, de uma situação, de uma vida mal vivida, de um controle ou sistema que nos prende, mas vivos e prontos para agir.
— Rodrigo Santos, teólogo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

Política é missão, não profissão
A política não é um fim em si mesmo. Trata-se de um sistema-meio para administrar as necessidades do povo. Sendo assim, é uma missão, não uma profissão. Aristóteles ensina que o cidadão deve servir à polis, visando ao bem comum. Ao se afastar dessa meta, dá lugar à corrupção. Que acontece quando “quem governa se desvia do objetivo de atingir o bem comum, e passa a governar de acordo com seus interesses”, diz o filósofo.
Por conseguinte, a política não deve ser escada para promover pessoas nem meio para facilitar negócios. Como sistema, desenvolve a capacidade de responder aspirações, transformar expectativas em programas, coordenar comportamentos coletivos e recrutar para a vida pública quem deseja cumprir uma missão social.
Esse acervo é utópico? Pode ser, mas deve servir de inspiração aos políticos. Infelizmente, em nossa cultura, a política tem sido tratada por muitos como um bom negócio. Tradição que vem lá de trás. Quando d. João III, entre 1534 e 1536, criou e doou aos donatários 14 capitanias hereditárias, plantava a semente do patrimonialismo, a imbricação do público com o privado.
Os donatários recebiam a posse da terra, podiam transferi-la para os filhos, mas não vendê-la. Consideravam a capitania como uma possessão, sua propriedade. A res publica virou coisa privada.
Hoje, parcela dos nossos representantes considera espaços públicos ocupados por seus indicados como feudos, extensões de suas posses. É assim que a política se transforma em um dos maiores e melhores negócios da Federação. O caminho é este: primeiro, conquista-se o mandato; a seguir, a política transforma-se em instrumento de intermediação. Temos um amplo mercado em um território com 27 Estados (com o DF), com nichos, estruturas, cargos e posições em três esferas: federal, estadual e municipal.
O negócio da política mexe com cerca de 150 milhões de consumidores, que formam o contingente eleitoral. Para chegar até eles, um candidato gasta uns bons trocados (o custo médio está hoje em torno de 12 a 15 reais por eleitor), a depender do cargo disputado: vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente da República.
Para tanto, candidatos ricos bancam suas campanhas. A maior parte recebe recursos do fundo partidário ou doações. Para 2020, o fundo partidário deve ser em torno de R$ 2,5 bilhões, sendo que o PSL e o PT, os dois maiores partidos na Câmara, receberão as maiores fatias. O que se sabe é que numa campanha despende-se entre três a quatro vezes mais recursos do que a quantia apresentada aos Tribunais eleitorais. São poucos os que conseguem chegar ao Parlamento com somas pequenas.
Desse panorama, surge a pergunta: se a campanha política no Brasil é tão dispendiosa e se os candidatos gastam acima do que ganham, por que se empenham tanto em assumir a espinhosa e sacrificada missão de servir ao povo? Será que há muito desvio entre o espírito cívico de servir e o sentido prático de se servir?
É arriscado inferir sobre ações e comportamentos do nosso corpo político, até porque parcela do Congresso tem atuado de maneira nobre na defesa de seus representados. Sofre, injustamente, críticas por conta da corrupção cometida por alguns.
E onde brota a semente da corrupção? Vejamos. Nas cercanias da política há um costume conhecido como superfaturamento. Obras públicas, nas três malhas da administração (federal, estadual e municipal), geralmente acabam recebendo um “plus”, um dinheiro a mais. Parcelas dos recursos servem aos achacadores e vão para os cofres das campanhas, formando o círculo vicioso responsável pelo lamaçal. Hoje, esse lamaçal está sendo devassado pela Operação Lava Jato. Mas há sempre uma fresta por onde se desvia dinheiro. E isso ocorre porque nos postos chaves estão pessoas de confiança de políticos que as indicaram.
Portanto, há um PIB informal formado por recursos extraídos das malhas da administração nas três instâncias federativas. Sanguessugas predadoras escondem-se em parcela do corpo político para sugar as veias do Estado brasileiro.
Dinheiro e poder são as vigas da vida pública, mas começam a soçobrar nesse início de ciclo da ética e da transparência.
— Gaudêncio Torquato, jornalista (São Paulo-SP)

Os brasileiros preferem notícias ruins
Um estudo recente da Universidade de Michigan, entitulado “Cross-national evidence of a negativity bias in psychophysiological reactions to news” (Evidência internacional de um viés de egatividade nas reações psicofisiológicas às notícias), publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, foi realizado em 17 países, mostrou que as pessoas são mais atraídas por conteúdos negativos do que por conteúdos positivos.
As notícias veiculadas pela mídia de massa fornecem um fluxo de informações entre elites e cidadãos e é um mecanismo importante para democracia. O tom negativo é uma característica que define as notícias, boas notícias, ao contrário, são quase sinônimos da ausência de notícias.
Isso já foi observado pelos estudos científicos sobre a mídia de massa dos Estados Unidos (T. E. Patterson em 1994 e S. J. Farnsworth em 2007), e em estudos sobre conteúdo de mídia e decisões de jornalistas em todo o país (B. Zhong em 2009, R. Vliegenthart em 2011 e G. Lengauer em 2012.
É importante ressaltar que este trabalho sugere que, mesmo que a cobertura noticiosa tenha sido negativa por muitos anos, também tem aumentado nas últimas décadas.
Não são os meios de comunicação de massa que geram as notícias negativas, mas o interesse dos “consumidores” é que demanda por notícias negativas, uma vez que o mercado produzirá notícias alinhadas com os interesses dos consumidores, incluindo a negatividade, conforme observou J. Dunaway em 2013. Mesmo quando as pessoas dizem que querem notícias mais positivas, selecionam sistematicamente mais notícias negativas (J. T. Cacioppo em 1999).
O que explica a preferência aparentemente generalizada por informações negativas? Uma tentativa de explicar está na teoria da evolução. A atenção à negatividade pode ter sido vantajosa para a sobrevivência: alertas para perigos potenciais, para o diagnóstico ou vigilância. Diversos estudos
mostram que essa negatividade está presente em todas as populações humanas.
O estudo recente envolveu cerca de 1.156 entrevistados. No Brasil, a amostra diversificada foi feitas em uma sala de reuniões de um hotel em Brasília em 2016. Os entrevistados assistiram sete matérias ordenadas aleatoriamente da BBC World News em um laptop. Todos usavam fones de
ouvido com cancelamento de ruído e sensores nos dedos para capturar a condutância da pele e o pulso do volume de sangue. Das matérias apresentadas, duas foram locais: uma positiva sobre uma companhia de balé para bailarinos com deficiência; e uma negativa, sobre um incêndio em uma boate. As cinco restantes foram extraídas de uma amostra de oito histórias, quatro positivas e quatro negativas, todas internacionais.
Em média, os participantes exibiram maior variabilidade da frequência cardíaca e maior condutância da pele durante as notícias negativas. Mas não foi assim em todos os países, alguns apresentaram um viés de negatividade estatisticamente menor, e outros, como o Brasil, Canadá, França, Itália e Suécia apresentaram resposta maior durante o conteúdo de
vídeo negativo. De qualquer forma, o Brasil não está mal acompanhado.é?
— Mário Eugênio Saturno (São José dos Campos-SP)



REPERCUSSÃO ONLINE:

João Marcelo quer liberar
trailers notificados por Otacílio

Via Facebook:

Não tem que fechar o “ganha pão” honesto de ninguém.
— Marta Gonçalves (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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A cidade tem tantos outros problemas mais importantes para serem resolvidos e vão implicar com os comerciantes que estão lutando todo dia, sob sol ou chuva. Administraçao atual, vai caçar o que fazer! Deixe o povo trabalhar.
— Tiago de Souza (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Mas vamos falar de contaminação: qual a garantia que temos de não haver? Nenhuma!
Não tenho nada contra quem quer trabalhar, mas a lei, na minha opinião, é uma grande segurança.
— Serginho Manoel (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Até que enfim fez um projeto que olha para o povo. Que venham mais! Pronto, falei!.
— Selma Vitorino (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)

12 anos da UTI
Neonatal Maria Vitória

Minha filha está entre essas crianças que foram salvas.
— Lucélia Oliveira Martins (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Muito linda a atividade de vocês. Que Deus lhes cubra de bênção.
— Ana Maria Miranda (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)
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Sou imensamente grata.
— Ana Paula Camargo (Santa Cruz do Rio Pardo-SP)



“Fotos do Leitor”

Em foto da família, no colo do casal está a filha mais velha, Marly

José Vidor Netto e
Marina Lorenzetti Vidor

— Por Edilson Arcoleze:
José Vidor Netto, filho de Basilio Vidor e de Carolina Nicolletto Vidor, nasceu aos 22 de agosto de 1919 em Santa Cruz do Rio Pardo. Foi agropecuarista com propriedade rural no “Barreiro dos Vidor”. Casou-se com a minha tia-avó Marina Lorenzetti Vidor, filha dos meus bisavós Antonio Lorenzetti e Natalina Mazzetto Lorenzetti, irmã da minha avó Deolinda Lorenzetti de Castro. Tiveram seis filhos: Marly Vidor Pâmio, Ivone Vidor Campos, Dorival Vidor, Maria Helena Vidor Rosalém, Roberto Vidor e Maria Eliana Vidor. José Vidor Netto faleceu aos 23 de maio de 1987 e tia Marina aos 8 de outubro de 2009. Estão sepultados no Cemitério da Saudade desta cidade. 

 

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Proprietário e Editor do Jornal Debate