Mães de Santa Cruz não dispensam a ‘cadeirinha’ para crianças

À espera do terceiro filho, Ana Paula Raimundo Bianchi já adquiriu a cadeirinha que será instalada no carro

Para o presidente, a falta do item
de segurança não é motivo para multas

Eduarda Schuh
Da Reportagem Local

A ‘cadeirinha’, fundamental para a segurança de crianças em veículos, ainda é muito procurada no comércio santa-cruzense, mesmo depois do presidente Jair Bolsonaro anunciar que quer substituir a multa pela ausência do objeto por uma mera advertência. A vendedora da loja “Casa do Bebê”. Natália Cristina Mota Manfrin, garante que a procura pelo produto não caiu nos últimos meses.

Há mais de 16 anos trabalhando no comércio, Natália conta que os pais procuram pela “cadeirinha” antes mesmo de as crianças nascerem. Porém, não basta simplesmente comprar o equipamento. “Existe um treinamento para sua instalação. Uma cadeira mal instalada pode pôr as vidas de crianças em risco”, alerta.

A santa-cruzense Ana Paula Raimundo Bianchi de Oliveira, mãe de dois filhos e prestes a ganhar o terceiro, não leva nenhum deles para passear se não for com a cadeirinha. “Não deixo as crianças ‘soltas’ no carro. Sei que a cadeira protege a vida deles”, afirma.

Mãe experiente, Ana sabe que nem sempre os pequenos gostam de se acomodar no veículo de forma adequada. “Mas o segredo é não abrir exceção. Meus filhos vão porque eu os acostumei desde pequenos. Não sabem o que é andar fora da cadeira”, explicou Ana Paula.

Com o objetivo de garantir a proteção das crianças, a legislação em vigor obriga o uso da cadeira — adequada ao tamanho e peso— até os 7,5 anos.

INDISPENSÁVEL — Natália, da loja “Casa do Bebê”, garante que a procura pelas cadeirinhas não diminuiu

Segurança comprovada

Para o capitão da Polícia Rodoviária Daniel Demétrio, os carros são projetados para pessoas adultas. “As crianças, por serem de menor estatura, são mais suscetíveis a ferimentos em casos de acidente”, explica.

“Já presenciei acidentes graves em que adultos morreram, mas crianças devidamente seguras se salvaram ou até saíram completamente ilesas. Porém, também presenciei o contrário: acidentes em que os adultos não se feriram, mas a criança, sem a cadeirinha, morreu”, afirma.

PRIORIDADE — À espera do terceiro filho, Ana não dispensa a cadeira

Com 11 anos de experiência nas rodovias, Daniel afirma que a cadeirinha foi popularizada somente a partir da regulamentação e da exigência de seu uso por lei em 2008. “Hoje ela é muito comum, mas nem sempre foi assim”, admite o policial.

Atualmente, descumprir a lei que obriga o uso da cadeirinha resulta na multa gravíssima de R$ 293,47 e sete pontos na carteira de motorista.

Em junho de 2019, o presidente Bolsonaro apresentou projeto para mudar a lei. Pela proposta, as multas seriam substituídas apenas por uma advertência por escrito.

Como mãe, Ana Paula Bianchi garante que qualquer mudança da legislação não deve afetar o seu entendimento. “Vou continuar usando com os meus filhos enquanto for necessário. Afinal, é para a segurança deles”, afirma. 

  • Publicado na edição impressa de 22/12/2019
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