Artigo: ‘Cada um tem seu Natal’

Cada um tem seu Natal

Nayara Moreno
Da equipe de colaboradores

O Natal é a festa mais importante e contraditória de nosso calendário. Ao mesmo tempo em que significa amor, renovação, presentes e alegria (pelo menos é isso que a publicidade nos vende – e, às vezes, até é verdade) também transmite para muitas pessoas e famílias um sentimento de melancolia, saudade, dor e tristeza. Principalmente para os idosos.

Exatamente nos dias 24 e 25 de dezembro pensamos e sofremos por parentes que já morreram e por aqueles que estão muito doentes. Aí, o que era para ser festa dá lugar a um clima depressivo e cheio de lágrimas silenciosas escorrendo. Afinal de contas, a família não está completa. Aqui, de novo, o sentimento é mais forte em idosos, que se lembram da ceia natalina cheia de pessoas que já não estão mais aqui.

E sempre faltará alguém. O ciclo natural da vida nos lembra, no dia do nascimento de Cristo, que a morte também faz parte dos planos daqueles que estão lá em cima olhando e guiando nossas vidas aqui embaixo. Por isso mesmo, o Natal não deve ser uma festa comum a todos. Cada pessoa tem que ter seu Natal particular, do jeito que é possível e do que jeito que a faça feliz.

Ser feliz no Natal não é um obrigação, como querem nos impor. Mas, sim, é algo que pode ser bacana e divertido. O problema é que o ser humano procura situações difíceis nesta época do ano, mesmo com boas intenções. Exemplo clássico: familiares que passam o ano inteiro brigados se sentem pressionados pelos demais componentes da família a passarem a noite do dia 24 juntos, no mesmo ambiente. O argumento utilizado, geralmente, é apelativo, lembrando que a mãe ou o pai iria ficar muito triste em ver tais pessoas separadas.

Ora, se esse pessoal não fez as pazes o ano inteiro, será mesmo que na noite de Natal, com vários sentimentos contraditórios aflorados, eles irão se aproximar? Em alguns casos sim, mas é minoria. Resultado mais comum: constrangimento, tensão e melancolia.

Não interfira no Natal de ninguém. Não force seu Natal a ser aquilo que você não deseja. O espírito natalino está na sabedoria de você viver esses dias em paz e harmonia. Não importa se você passará com poucas pessoas ou até mesmo com uma única pessoa. Importa é que você tenha uma noite prazerosa, ao lado de sua família. E veja bem: não precisa ser toda a família. Pode ser só aquela que te faça lembrar que no dia 25 de dezembro nasceu o cara mais legal que esse mundo já viu. 

Nayara Moreno
é enfermeira
pós-graduada
e Responsável
Técnica pela
AleNeto Enfermagem

  • Publicado na edição impressa de 22/12/2019
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Proprietário e Editor do Jornal Debate