Morre Hermelinda Gonçalves, a viúva do ex-prefeito Aniceto

Diplomação do marido em 1976: Hermelinda está no centro, com bolsa
Ex-primeira dama tinha 91 anos

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

A ex-primeira dama de Santa Cruz do Rio Pardo, Hermelinda Zanette Gonçalves, morreu no último domingo, 29 de dezembro. Ela tinha 91 anos e era viúva do ex-prefeito Aniceto Gonçalves, que governou a cidade entre 1977 e 1982.

Hermelinda e o marido foram comerciantes durante décadas em Santa Cruz. Aliás, o casal se conheceu na antiga “Sorveteria União”, que era de propriedade de Aniceto, até que o estabelecimento foi vendido em 1950.

Em seguida, o casal montou um pequeno empório que se fortaleceu e se transformou no “Empório Brasil”, localizado numa das esquinas da praça Leônidas Camarinha. Hermelinda ajudava Aniceto no comércio, inclusive atendendo clientes no balcão e participando da contabilidade.

Sempre fiel ao grupo dos “vermelhos”, liderado pelo deputado Leônidas Camarinha, Aniceto Gonçalves aceitou ser vice na chapa de Joaquim Severino Martins nas eleições de 1972. Eleitos, foi vice-prefeito e manteve a discrição que o caracterizava.

Foi aí que o grupo político resolveu indicá-lo como candidato a prefeito. Aniceto Gonçalves se viu diante de um dilema, pois acreditava não ser possível administrar seu negócio e comandar o município ao mesmo tempo. Venceu Cláudio Catalano nas urnas e se tornou prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo. Vendeu o empório, que logo se transformou no “Supermercado Pegorer”, em outro prédio, mas ainda na praça central da cidade.

Hermelinda sempre apoiou o marido na administração e, a exemplo de Aniceto, manteve uma discrição nos inúmeros trabalhos sociais que desenvolvia. O curioso é que um dos irmãos de Hermelinda, o ex-vereador Antônio Francisco Zanette, sempre foi oposição ao grupo liderado por Joaquim Severino. A ex-primeira dama também era irmã de Tereza Botelho, mulher do ex-vice-prefeito e vereador Sebastião Botelho de Souza, fundadores do supermercado São Sebastião.

Na posse de Aniceto, em 1977, Hermelinda, discreta, aparece à esquerda

O casal Aniceto e Ermelinda passaram por momentos turbulentos em 1981, quando uma multidão, enfurecida contra as altas taxas cobradas pela Sabesp, depredou prédios públicos e chegou a atirar pedras contra a residência do então prefeito de Santa Cruz.

Segundo consta, Hermelinda era a “retaguarda” do marido, dando-lhe apoio durante toda a gestão no Poder Executivo. Entretanto, não discursava em eventos e, humilde, não gostava de bajulações.

Viúva desde maio de 2004, Hermelinda passou a se dedicar inteiramente aos filhos e netos. Morreu aos 91 anos. Ela teve os filhos Angélica (já falecida), Celeste e Ângela Gonçalves.

O corpo da ex-primeira dama foi sepultado sob forte comoção no Cemitério da Saudade na tarde de segunda-feira, 30, recebendo as últimas homenagens de parentes e amigos. 

  • Publicado na edição impressa de 05/01/2020
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