Reformas no museu começam neste mês

DESCASO — Telhas do Museu Ernesto Bertoldi caem com frequência

Prédio restaurado pode
ser entregue ainda neste ano,
avalia secretário de Cultura

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

As reformas no “Museu Ernesto Bertoldi”, de Santa Cruz do Rio Pardo, estão prestes a começar. A burocracia com a licitação já foi resolvida e, na avaliação do secretário de Cultura Frednes Botelho, o prédio pode ser entregue totalmente reformado ainda neste ano. “E com novas instalações”, diz.

Os reparos no imóvel histórico foram possíveis graças a uma verba da secretaria de Turismo do governo do Estado de São Paulo, destinada a Municípios de Interesse Turístico (MIT). O montante liberado foi de R$ 388.539.

NOVELA — Discussões sobre a restauração do Museu Ernesto Bertoldi começaram há mais de um ano

Para Frednes, o maior impasse já está resolvido, que é a preocupação com a umidade do prédio. “Por ser um imóvel antigo, não calcular bem o que deve ser feito ou mesmo um laudo impreciso pode causar complicações futuras”, explicou.

O telhado será trocado, assim como os vidros das janelas. Uma novidade é a “sala multidisciplinar”, que será construída à parte do museu, na parte de trás do imóvel. Será um anexo ao prédio histórico, acessada através de uma passarela. Haverá uma outra ligação para a concha acústica, que existe no complexo do museu há anos e praticamente nunca foi usada.

A concha foi oferecida pelo Estado no governo de Maura Macieirinha. Mal dimensionada, não foi usada para eventos musicais. A ideia da atual administração é utilizá-la para atividades musicais e educacionais. “Elas abrangerão crianças e idosos”, explica Frednes.

POR DENTRO — Parte interior do imóvel já está preparada para a reforma; peças foram retiradas

A “sala multidisciplinar” será construída ao lado do museu para que a estrutura original da antiga estação da Estrada de Ferro Sorocabana não seja alterada. “Podemos usar o espaço para atividades turísticas, culturais ou educacionais”, disse Frednes. Segundo ele, a própria pintura e estrutura da sala serão adaptadas. “As paredes terão muito mais cores”, anunciou.

A discussão sobre a reforma do museu se alonga há mais de um ano. A verba havia sido aprovada no governo de Márcio França (PSB), mas foi suspensa por João Doria (PSDB) assim que o novo governador tomou posse. Meses depois, Doria recuou e liberou algumas verbas, entre elas a do museu de Santa Cruz do Rio Pardo. A licitação para a obra só foi finalizada no fim do ano passado.

Em setembro de 2018, o DEBATE mostrou o descaso com que peças históricas do acervo estavam sendo tratadas. Papéis do século passado e outros objetos históricos estavam espalhados em salas de diferentes prédios sem as mínimas condições de conservação. Em uma delas, por exemplo, havia até sinais de goteira, e as paredes estavam marcadas por água que escorria. No entanto, o acervo atual do museu já foi retirado e levado, desta vez, para um local seguro.

Segundo o secretário Frednes Botelho, o material está guardado em barracões da prefeitura e no mezanino do Palácio da Cultura. Ele disse que muitos adesivos dos painéis se deterioraram com a ação do tempo e serão refeitos. 


ACESSIBILIDADE — Palácio vai receber corredor para cadeirantes

Palácio da Cultura também
recebeu verba para reforma

Uma verba de R$ 594 mil também foi liberada para a reforma do “Palácio da Cultura Umberto Magnani Netto”. O telhado será retocado, e as partes hidráulica e elétrica, revisadas. Como a reforma pode começar a qualquer momento, a programação do cinema passou a ser mensal e será suspensa após o início das obras.

O Palácio terá novidades. Um grande corredor com plena acessibilidade a cadeirantes ou pessoas com dificuldade de locomoção será construído à esquerda no prédio.

Algumas cadeiras da arquibancada também serão trocadas. O projetor dos filmes será atualizado para um mais moderno, de 7.500 lumens. Além disso, o equipamento de som será igualmente trocado.

A estrutura do prédio receberá alterações e novos aparelhos de ar condicionado serão instalados, inclusive nos camarins dos artistas.

Frednes Botelho acredita que a reforma pode ser finalizada neste ano. Mas ela só deve começar dentro de aproximadamente três meses, quando o vencedor da licitação será homologado.

Na administração, segundo o secretário, existe a preocupação de que a reforma seja feita às pressas. Por ser ano eleitoral, o processo licitatório precisa terminar obrigatoriamente ainda no primeiro semestre. “Ao que tudo indica, conseguiremos”, garante Botelho. 

  • Publicado na edição impressa de 05/01/2020
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Proprietário e Editor do Jornal Debate