Médicos são readmitidos após intervenção que deve durar cinco anos

‘NA UTI’ — A intervenção municipal tenta organizar as finanças da Santa Casa e deve durar cinco anos

Decreto do prefeito foi publicado ontem
e intervenção, que começou na segunda,
deve durar no mínimo cinco anos

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

O prefeito Otacílio Parras (PSB) assinou quarta-feira, 8, o decreto que determina a intervenção — chamada de “situação de emergência” no documento — na Santa Casa de Misericórdia de Santa Cruz do Rio Pardo. O texto foi publicado ontem, 11, e passou a valer a partir desta segunda-feira, 13, quando Maurício Salemme Corrêa assumiu como interventor e Diego Henrique Singolani passou a ser o administrador do hospital. Diego, por sinal, foi exonerado sexta-feira, 10, da secretaria de Saúde.

A primeira novidade é a recontratação dos médicos Kátia Henares e Walter Henares, que eram coordenadores, respectivamente, das UTIs Neonatal e Adulto. Ambos haviam sido demitidos pela diretoria anterior no final de dezembro, sem muitas explicações. A alegação oficial é de que o ato seria “preparatório” para o início da intervenção. A presença de um coordenador em cada UTI é obrigatória por lei.

A negociação envolveu o agora ex-secretário de Saúde, Diego Singolani, já que o interventor, Maurício Salemme, ficará exclusivamente responsável pelas finanças do hospital. Na sexta-feira, Diego confirmou que os dois médicos serão recontratados a partir de segunda-feira. Outra novidade é a indicação do médico Jonas Jovanolli como diretor clínico. O anterior, Brasil Zacura, também havia sido demitido pela diretoria anterior.

COMPROMISSO — Segundo Diego, salários serão pagos em dia em 2020

A reportagem apurou que o novo contrato será firmado com uma redução de até 30% do valor pago anteriormente. Procurada, a médica Kátia Henares confirmou a redução e disse que aceitou porque o hospital necessita do apoio de todos. “Achamos que, neste momento, temos que cooperar com a Santa Casa e as UTIs precisam de nós”, afirmou.

A médica ressaltou que os interventores receberam todo o apoio do corpo clínico. “Eles estão assumindo a Santa Casa num caos total”, disse. “É necessário sacrifício e dedicação de todos para atravessarmos esta fase difícil”, afirmou Kátia.

O médico Jonas Jovanolli também aceitou a redução de valores no pagamento para assumir a direção técnica.

No decreto de intervenção, o prefeito Otacílio Parras cita o repasse regular de mais de R$ 11 milhões dos cofres públicos, através de convênios, o que não serviu para amenizar a situação de “extrema dificuldade financeira”.

Além disso, Otacílio ressalta que a atual administração da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia não possui as certidões negativas de débitos (CNDs), “o que inviabiliza o recebimento de recursos”. O decreto requisita não apenas a administração da Santa Casa, mas todos os móveis e imóveis do hospital.

O prefeito não cita o nome de Diego Singolani no decreto publicado ontem, mas apenas a nomeação do interventor Maurício Salemme Corrêa. Na prática, porém, será o interventor quem vai nomear o ex-secretário como administrador.

RETORNO — Kátia Henares vai voltar ao cargo de coordenadora de UTI

Salários, o desafio

Embora assuma oficialmente a administração do hospital, Diego Henrique Singolani já adotou várias medidas nas últimas semanas, em conjunto com Maurício Salemme. Além de negociar novos valores com a Unimed, ele anunciou que fechou uma “recomposição” até mesmo com o SUS.

Outra determinação é o fim da assessoria de imprensa, que era mantida pela antiga diretoria mesmo com as finanças se deteriorando. “A prioridade é o atendimento ao paciente”, disse Diego Singolani. 


Santa Casa pode ficar sob
intervenção por cinco anos

Embora a medida extrema do município na Santa Casa de Misericórdia seja de seis meses, renováveis por iguais períodos, a administração trabalha com o hospital sob intervenção pelo prazo mínimo de cinco anos. De acordo com o ex-secretário de Saúde, Diego Singolani, é o tempo para que a Santa Casa “comece a respirar”.

Segundo Diego, há um trabalho intenso para renegociar as dívidas, conseguir recursos para pagar salários atrasados e ainda tentar amenizar o déficit mensal, hoje em torno de R$ 470 mil. “Todos estão sendo parceiros neste momento. Estamos conversando com médicos e até com o setor terceirizado de imagens”, explicou.

Ao mesmo tempo em que busca dinheiro para pagar o 13º dos funcionários, Diego se comprometeu a solucionar os atrasados dos profissionais de UTIs e plantonistas ao longo do ano. No momento, a dívida não pode ser paga.

O ex-secretário, porém, diz que os interventores firmaram um compromisso de pagar os salários em dia a partir de janeiro, inclusive dos médicos plantonistas. “É uma tarefa árdua, mas todos estão empenhados em manter a situação financeira do hospital estável”, disse.

Além disso, houve uma compra grande de remédios e materiais de manutenção, em torno de R$ 200 mil. O objetivo é manter as condições de atendimento ao público.

Segundo Diego, os números analisados dias antes da intervenção mostram que será possível cumprir algumas determinações já em janeiro. “Um bom administrador nunca pode dizer que está desanimado. Precisamos consertar o carro andando”, analisou. 

  • Publicado na edição impressa em 12/01/2020
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