Santa Casa paga salários de dezembro

Novo administrador, Diego Singolani anunciou pagamento de salários

Ainda falta o 13º salário, mas medida
é um alívio para funcionários do
hospital; dívidas são renegociadas

PROBLEMAS — Ampliação e reforma do centro cirúrgico estão sendo feitos com doação de família, mas ação judicial bloqueou parte do dinheiro

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Na primeira semana depois da Santa Casa sofrer oficialmente uma intervenção municipal, os salários dos funcionários de dezembro foram pagos. Ao mesmo tempo, os salários e plantões dos médicos referentes ao mesmo período também foram pagos integralmente. A informação é do administrador do hospital, o ex-secretário Diego Singolani. Ele está no comando da Santa Casa junto com o interventor Maurício Salemme Corrêa, ambos nomeados pelo prefeito Otacílio Parras.

Diego recebeu a reportagem no final da tarde de sexta-feira, quando saiu de mais uma das intermináveis e constantes reuniões com Maurício Salemme e o prefeito Otacílio Parras. Ele ressaltou que o pagamento dos salários de dezembro era um compromisso que assumiu antes mesmo da intervenção se tornar oficial. “Era o mínimo cumprir esta obrigação”, disse.

A Santa Casa, porém, está longe de começar a respirar. A dívida em aberto é de R$ 5,5 milhões e a prioridade é estancar o déficit mensal, que em dezembro era de R$ 470 mil. Outra medida dos interventores foi efetuar uma compra grande de insumos, medicamentos e materiais de higiene. Os estoques estão voltando ao normal e os fornecedores estão entregando produtos depois de uma renegociação das dívidas.

Diego Singolani admitiu que alguns fornecedores não queriam sequer vender produtos à Santa Casa, mesmo com pagamentos à vista. Neste caso, houve necessidade de adiantar valores das dívidas. “A maioria está entendendo a situação e as mudanças que estão acontecendo após a intervenção”, disse.

O setor terceirizado de diagnóstico por imagem, que não vinha recebendo integralmente pela prestação de serviços, parcelou o débito em 20 parcelas fixas. O laboratório Labersan, que também tem créditos a receber, anunciou a contribuição de 10% deste faturamento ao hospital.

Ao mesmo tempo, o interventor Maurício Salemme começou a “realinhar” as inúmeras reformas que aconteciam no prédio, buscando manter as prioritárias. Ele já convocou até engenheiros para estudar o assunto.

Algumas medidas extremas foram adotadas, como a demissão de vários profissionais que trabalhavam sob o regime de PJ (Pessoa Jurídica). Outros, tiveram os valores reduzidos em até 30%. “Estamos montando um time, buscando aqueles que entendem de hospital”, disse o ex-secretário Diego Singolani. Ele anunciou a contratação de Larissa Grandini como enfermeira-chefe. As escalas também estão sendo realinhadas e a preocupação é melhorar o padrão de atendimento ao paciente.

As renegociações com os convênios já surtiram efeito. A Unimed, por exemplo, aumentou em R$ 50 mil os repasses fixos. Somente em janeiro, a Santa Casa recebeu mais de R$ 500 mil da cooperativa. No entanto, a folha de pagamento é superior a R$ 600 mil e há muitas execuções judiciais contra o hospital.

Segundo Diego Singolani, a antiga administração conseguiu um aditivo no contrato com a prefeitura, ainda em dezembro, reajustando valores. O prefeito Otacílio Parras agora fechou uma nova parceria em contratualizações que vão injetar mais R$ 2 milhões por ano à Santa Casa.

Bloqueio de doação

A crise financeira na Santa Casa gerou problemas inesperados inclusive com alguns doadores. Como entidade filantrópica, o hospital recebeu há aproximadamente um ano uma doação de R$ 500 mil, em algumas parcelas. O ato benemérito foi feito pela família de um médico. Entretanto, em meio ao caos financeiro, houve o bloqueio judicial parcial do valor, que está sendo questionado na Justiça.

Segundo consta, a família fez a doação para a reforma e ampliação do centro cirúrgico, mas a obra corria o risco de ser paralisada pelo bloqueio dos valores. A saída foi conversar com a família para que o restante da doação seja transferido diretamente para os empreiteiros da obra no centro cirúrgico. “Com esta dívida enorme da Santa Casa, realmente existe o risco diário de bloqueios. A gente começa o dia sem saber se haverá a visita, por exemplo, de um oficial de Justiça”, explicou Diego Singolani. 

  • Publicado na edição impressa de 19/01/2020
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