Guarda Municipal chega a Ourinhos

SEGURANÇA PÚBLICA — Secretário que planejou a Guarda Municipal fez cursos de especialização na França

Sistema será armado e vai auxiliar a
polícia no combate à criminalidade,
invasão de prédios e até violência doméstica

Coronel Wagner Soares é o secretário de Segurança Pública de Ourinhos

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Ourinhos será a primeira cidade da região a contar com uma Guarda Municipal. As inscrições terminaram ontem e centenas de pessoas devem concorrer às 27 vagas oferecidas pelo município para o novo sistema de segurança. Uniformizados, os novos guardas serão armados com pistolas com calibre de 40 milímetros para exercer suas atividades.

Quem está por trás do projeto, a pedido do prefeito Lucas Pocay (PSD), é o coronel Wagner Soares, 55, atual secretário de Segurança Pública da cidade. Ele fez cursos na França e estava em São Paulo quando foi convidado pelo prefeito para ser secretário. “Os guardas vão fazer a ronda Maria da Penha para verificar e evitar casos de violência doméstica. Nas casas em que já houve situações do tipo, vão perguntar se está tudo bem, se há receios”, disse.

A guarda também vai patrulhar os arredores das escolas para evitar a invasão dos prédios, que era comum antes de o município implantar um moderno sistema de monitoramento. Roubos e depredações em escolar já chegaram a dar um prejuízo mensal em torno de R$ 40 mil. Segundo o coronel, hoje o cenário é diferente.

Além disso, os guardas municipais vão colaborar com a fiscalização do trânsito. “Temos uma Zona Azul que precisa ser mais respeitada”, explica Wagner. O serviço também vai atuar em eventos culturais, o que era feito, anteriormente, pela Polícia Militar. “Na verdade, a PM quebrava o galho porque tinha coisas mais importantes para fazer. Querendo ou não, ficava sobrecarregada”, explicou o secretário.

A expectativa é de que até julho a Guarda Municipal esteja instalada. Antes, candidatos deverão passar por duas fases. A primeira terá provas teóricas. A segunda inclui o teste de aptidão física — que vai desde natação até medição da altura. O mínimo para as mulheres é 1,65 metro. Para homens, 1,70.

Depois, os concorrentes deverão passar por testes psicotécnico e toxicológico. “É para evitar problemas. O guarda não poderá ser inapto para portar armas e nem participar, de alguma maneira, do tráfico de drogas”, explica Wagner.

A penúltima fase será a investigação social do candidato. “Vamos verificar qual bar ele frequenta, perguntar aos vizinhos sobre sua convivência, quem são seus amigos”, conta o coronel. Por fim, haverá cursos propriamente voltados à formação de um guarda municipal. Entre aulas de Direito Penal e Civil, Sociologia e Direitos Humanos, os guardas municipais estarão preparados para, enfim, ganhar as ruas de Ourinhos. 


Sistema de monitoramento da empresa Service é transmitido para a sede da secretaria de Segurança Pública e também ao gabinete do prefeito

Câmeras e aplicativo
vão auxiliar guardas

Quando o assunto é monitoramento, Ourinhos virou referência no Estado de São Paulo. São mais de duas mil câmeras de segurança instaladas em pontos estratégicos da cidade. As imagens são analisadas diariamente através de um sistema de inteligência do município. A Service, que presta o serviço, cede as imagens para a polícia, secretaria e também ao prefeito Pocay. O monitoramento foi primordial na solução de casos como desaparecimento de crianças, furtos e acidentes de trânsito.

Mas o coronel Wagner Soares também anunciou na terça-feira, 14, um aplicativo de segurança pública, que vinha sendo preparado há seis meses. Ele foi apresentado a agentes do município e vai possibilitar a integração das secretarias, além de ser usado pela Guarda Municipal. Com o dispositivo, qualquer servidor pode avisar um setor sobre problemas na cidade, como buracos ou postes sem iluminação. “O aplicativo vai simplificar muita coisa. O guarda poderá verificar alguma irregularidade, tirar uma foto e encaminhar à autoridade responsável”, explica. O serviço está sendo planejado havia pelo menos dois anos.

Segundo o secretário Wagner Soares, a ideia era implantá-lo no ano passado. “Como entrou o novo governo de Jair Bolsonaro e havia incertezas sobre a política de segurança pública, optamos por esperar”, disse. A ideia saiu finalmente do papel e o prefeito autorizou recursos para sua implantação.

Hoje, Ourinhos já tem uma “guarda patrimonial”, composta por 14 pessoas desarmadas. Atrelados ao serviço de inteligência, eles protegem 101 prédios públicos.

O salário-base dos guardas municipais equivale a R$ 2.700, mas há um aditivo de 50% de periculosidade. Assim, os agentes receberão R$ 4.100 mensais – o que, para Wagner, é compensador. “A categoria se sente valorizada”, disse. 

  • Publicado na edição impressa 19/01/2020
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