Carnaval de Ipaussu é cancelado e fim das capivaras une políticos

‘CONDENADAS’ — Antes atração turística, as capivaras deverão ser removidas do lago municipal de Ipaussu

Presidente da Câmara criticou
demora na adoção de medidas

Se no ano passado a questão das capivaras dividiu ainda mais a política de Ipaussu, hoje estes mesmos animais uniram pessoas de diferentes partidos e opiniões. No sábado, 25, prefeito e vereadores de oposição caminharam juntos na passeata que praticamente foi um aviso às autoridades do Meio Ambiente, Ministério Público e Poder Judiciário de que as capivaras serão retiradas em questão de dias. “A vida humana vale mais”, disse o vice-prefeito Sebastião Alves. Mas nem sempre foi assim. Desde outubro, havia uma pressão para que o prefeito tomasse uma posição mais enérgica.

Durante o protesto, Sérgio Guidio anunciou o cancelamento do Carnaval de rua neste ano, lembrando que, mesmo após a retirada das capivaras, o lago deverá seguir interditado por um bom tempo. O prefeito também disse que a “Feira da Lua”, que funciona no entorno do lago, será transferida para outro local.

Na semana passada, o presidente da Câmara, Vinícius Pedraci, encaminhou ao Ministério Público um pedido, assinado por todos os vereadores, para que o órgão cobre providências do Poder Público para uma solução imediata, inclusive interdição total das áreas de lazer no entorno do lago. Na quinta-feira, 23, Guidio acatou todos os pedidos.

FITA — Na semana passada, o lago foi cercado com fitas de alerta

Os alertas de Pedraci e de outros vereadores — inclusive “Ratinho”, o parlamentar que perdeu um filho com febre maculosa — se intensificaram desde o ano passado. A Câmara remeteu, inclusive, cópias da audiência pública realizada em 31 de outubro de 2019, onde o assunto foi debatido, a várias autoridades, além de pedir ao prefeito a devolução das capivaras à mata nativa.

“A desgraça já estava anunciada”, avaliou Pedraci na semana passada. Ele lembrou que defendeu a suspensão do “Natal das Luzes”, que também é promovido no lago municipal. O evento, porém, foi realizado. “Eu acho que foi pura teimosia do prefeito”, criticou Pedraci.

O vereador considera que o risco de que alguém tenha sido contaminado ainda não deve ser afastado. “O Natal das Luzes foi até o dia 12 de janeiro. Este risco envolve até pessoas de outros municípios que visitaram Ipaussu no período”, disse.

“Algumas medidas foram adotadas de forma muito demorada”, afirmou Pedraci. Segundo ele, as placas e avisos colocados ao redor do lago não inibiram pessoas de frequentarem o local, principalmente famílias de baixa renda. “A situação ficou gravíssima”, disse o vereador.

Vinícius Pedraci disse que a maioria das pessoas se afastou do lago, o que reduziu os alimentos para as capivaras. “Elas comiam restos de pipocas, por exemplo”. Com isso, os animais passaram a se aproximar mais de outros locais naquele espaço de lazer. 

  • Publicado na edição impressa de 26/01/2020
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