Presidente da Câmara sugere sessões semanais e depois recua

INSEGURO — Pinhata pregou sessão semanal, mas depois voltou atrás

A mudança do dia da próxima sessão, para que um vereador possa comparecer ao casamento de um sobrinho, pode ter sido fruto de um grande “acordão” entre o prefeito, o presidente da Câmara e a bancada da situação. Afinal, antes mesmo da votação, o autor, vereador João Marcelo Santos, antecipou que a prefeitura tinha concordado com a mudança e, inclusive, estava protocolando todos os projetos que só deveriam ser votados no próximo dia 17. Isto significa que a administração e a bancada governista já sabiam que o resultado seria favorável.

Como o pedido foi aprovado, a sessão foi antecipada para esta segunda-feira, 10. Depois, a Câmara ficará duas semanas sem reuniões ordinárias. Tudo para evitar que João Marcelo Santos sofresse desconto em seu salário por ter ido a um casamento.

A votação ignorou todas as leis internas. O Regimento Interno, por exemplo, diz que o plenário só pode decidir sobre assuntos “não previstos” na resolução interna, o que não é o caso do dia, horário e funcionamento das sessões, que constam expressamente no artigo 107 do RI.

Para amenizar seu próprio erro, o presidente Paulo Pinhata (MDB) anunciou que iria apresentar um projeto para transformar as sessões da Câmara em semanais. “Eu vou aproveitar este gancho para propor sessões todas as segundas-feiras, como é em Ourinhos”, afirmou, avaliando que neste ano a tendência é aumentar a discussão de projetos. A ideia foi rechaçada pelo vereador Marco “Cantor” Valantieri, que alegou aumento de despesas no caso de sessões semanais. “Temos de economizar. Sessão todas as segundas-feiras têm um custo muito alto e precisamos fechar as torneiras”, afirmou Valantieri.

No final de semana, Paulo Pinhata desconversou. Disse que não encontrou apoio dos colegas e que dificilmente o projeto seria aprovado. 

  • Publicado na edição impressa de 09/02/2020
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