Promotor público sugeriu saída de Diego Singolani do hospital

PAUTA ELEITORAL — Promotor Reginaldo Garcia se reuniu com o prefeito
O secretário de Saúde Diego Singolani

Geralmente arredio a funcionar como um órgão consultor, o Ministério Público de Santa Cruz do Rio Pardo aceitou discutir com o governo os problemas eleitorais com a presença do secretário de Saúde, Diego Singolani, na administração da Santa Casa de Misericórdia. Pré-candidato a prefeito, ele permaneceu três semanas como administrador, a partir da decretação da intervenção, mas deixou o cargo alegando risco de impugnação eleitoral. A orientação partiu de Reginaldo Garcia, que é o atual promotor eleitoral do MP.

O próprio Diego confidenciou há duas semanas, quando anunciou sua saída do cargo de administrador, que o risco eleitoral havia sido discutido por advogados “e, inclusive, a nível de Ministério Público”. Por isso, voltou a ser o secretário de Saúde do município.

Na última quinta-feira, 6, o prefeito Otacílio Parras confirmou que participou de uma reunião com Reginaldo Garcia, na sede do Ministério Público, para discutir o problema eleitoral de Diego Singolani, “entre outros assuntos”. Ele riu ao informar que outro grupo, de empresários ligados à Santa Casa, foi conversar com Marcelo Saliba, promotor que atende questões ligadas à área da Saúde pública. “Um grupo não viu o outro”, disse, rindo.

Os empresários foram à sede do MP para discutir o fato de alguns deles serem avalistas bancários de empréstimos contraídos pelo hospital. A reportagem apurou que pelo menos dois diretores da Santa Casa — Hélio Pichinin e Jorge Raimundo — são fiadores do empréstimo de R$ 2 milhões feito na cooperativa Sicoob.

Otacílio confirmou os fatos e explicou que a Santa Casa deixou de pagar as prestações para comprar remédios. “Se não for pago, são eles que devem pagar”, explicou. Porém, o prefeito disse que o atraso provocou a renegociação do empréstimo, com prazo mais dilatado e juros menores. Do total da dívida, o hospital pagou sete parcelas e faltavam outras 17 de mais de R$ 104 mil mensais. Agora, serão 48 parcelas de R$ 40 mil, com carência até agosto deste ano.

Os avalistas, contudo, continuarão os mesmos.

  • Publicado na edição impressa de 09/02/2020
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