Campanha quer reduzir salários em 2021

EM CAMPANHA — Ex-vereador “Psiu” mostra folha para coleta de assinaturas; ele usa rede social para divulgar

Ex-vereador “Psiu” iniciou movimento
para pressionar os atuais vereadores
a fixar um salário menor a partir de 2021

Uma campanha para reduzir os salários dos vereadores que serão eleitos em outubro — e tomam posse em janeiro do próximo ano — está nas ruas. O movimento foi iniciado pelo ex-vereador Luiz Carlos “Psiu” Novaes Marques e pretende pressionar os atuais parlamentares, através de uma mobilização popular, para estipular vencimentos menores para a próxima legislatura. Hoje, um vereador recebe R$ 4.342,32 por mês — o presidente tem direito a um salário ligeiramente maior, de R$ 5.595,76.

De acordo com a lei, os salários da próxima legislatura, que começa no dia 1º de janeiro de 2021, devem ser fixados até outubro deste ano, antes, portanto, das eleições.

“Psiu” foi vereador de 2009 a 2012 e não foi reeleito naquele ano. No fim do mandato, porém, chegou a apresentar um projeto para fixar o salário de vereador em R$ 100. Foi criticado, chamado de “demagogo” e não conseguiu levar o projeto adiante. Agora, ele propõe a redução do salário para R$ 2 mil — R$ 2,5 mil para o presidente da Câmara.

“Eu pensei em sugerir um salário mínimo, mas muitas pessoas disseram que é pouco, pois um vereador pode ter algumas despesas mínimas. Então, R$ 2 mil está de bom tamanho”, afirmou.
A ideia inicial era fazer um projeto de iniciativa popular, que necessita de 5% de assinaturas do total de eleitores do município. No entanto, “Psiu” disse que o projeto que fixa os salários dos vereadores é de iniciativa exclusiva da Mesa da Câmara. “Infelizmente, não é possível partir de um grupo de eleitores, como uma iniciativa popular”, explicou.

Assim, o ex-vereador decidiu elaborar um abaixo-assinado com milhares de assinaturas, com o objetivo de pressionar os atuais vereadores a cortarem pela metade os salários.

“Eu não acho que o vereador ganha pouco. Afinal, mais de R$ 4 mil é um bom salário para o parlamentar que trabalha o dia todo. E eu fazia isto, inclusive permanecendo no prédio da Câmara todos os dias”, afirmou.a

Hoje, segundo “Psiu”, é difícil um vereador aparecer na Câmara e poucos realmente trabalham. “Eu fico a tarde toda no prédio e não vejo vereadores. Eu me lembro que o Souza Neto [vereador entre 2008 e 2016] nem buscava seu salário e os funcionários precisavam levar até sua casa”, afirmou.

O ex-vereador disse que tirou foto das pautas amontoadas numa mesa durante a última sessão da Câmara. “Quase nenhum vereador pega”, contou. “E depois, durante a sessão, tem vereador que alega não ter entendido ou que não teve tempo para ler a proposta”, completou.

Se o abaixo-assinado não funcionar, “Psiu” disse que pretende mobilizar a população para lotar o recinto da Câmara no dia da votação do projeto que vai fixar os salários dos vereadores para a próxima legislatura. 


Em 2016, campanha de
empresário não vingou

Objetivo era reforçar doações à Santa Casa

 O empresário Mário Manfrim, um dos dirigentes da indústria Special Dog, lançou uma campanha em 2016 para que os candidatos a vereador se comprometessem, caso eleitos, a receber apenas um salário mínimo, doando o restante do valor para a Santa Casa de Misericórdia. Manfrim alertava, já naquela época, que o único hospital de Santa Cruz do Rio Pardo enfrentava uma grave crise financeira e corria o risco de fechar as portas. Hoje, a Santa Casa está sob intervenção municipal.

O desafio lançado por Mário é que cada candidato firmasse um compromisso registrado em cartório. Foi nesta época que a Câmara se reuniu, no final de setembro, para discutir os salários dos vereadores que seriam eleitos alguns dias depois. A sessão demorou dez minutos e o mesmo salário foi mantido para a legislatura seguinte.

Durante a campanha, nenhum vereador apoiou a campanha do empresário Mário Manfrim. Entre os 100 candidatos daquele ano, apenas um seguiu à risca a proposta e registrou em cartório o compromisso de receber um salário mínimo e doar o restante para a Santa Casa. Outros dois se comprometeram em cartório a fazer doações para diversas entidades, enquanto um quarto disse que doaria dois salários mínimos por mês a quatro entidades. Nenhum deles se elegeu. 

  • Publicado na edição impressa de 16/02/2020
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