Prefeito gasta dinheiro público para fazer propaganda em toda a região

PROPAGANDA REGIONAL — Otacílio quer publicidade em toda a região

Apenas uma empresa participou da
licitação de R$ 54,5 mil para propaganda
volante, que também será feita nas cidades da região

Sérgio Fleury Moraes
André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Em pleno ano eleitoral, a prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo vai gastar R$ 54.400,00 com propaganda volante, aquela veiculada através de um carro de som. O contrato, formalizado depois do pregão ocorrido em janeiro, teve início no último dia 5. A empresa de Júlio César Scoton será responsável pelo serviço, já que foi a única a comparecer à licitação. A contratação tem validade de um ano. Outros empresários não souberam do pregão, publicado numa edição fora do normal do “Semanário Oficial”.

O valor do serviço é calculado de acordo com o número de horas em que o veículo trafega pelas ruas veiculando os spots gravados em seus alto-falantes. O prefeito Otacílio Parras (PSB) autorizou a compra de 2.340 horas de propaganda volante, o que equivale a mais de 97 dias ininterruptos de áudios.

O curioso é que geralmente o município não costuma usar este tipo de publicidade. Em 2019, por exemplo, os gastos com propaganda volante, segundo uma consulta prévia no Portal da Transparência, não chegaram a R$ 8 mil. O último pregão conhecido foi realizado em outubro de 2015.

O jornal solicitou à secretaria de Comunicação o valor total dos gastos com propaganda volante no ano passado, mas a informação não foi divulgada. O secretário Cláudio Antoniolli limitou-se a afirmar que a administração “está consciente sobre os valores que podem ser gastos em 2020”, uma vez que é ano eleitoral. De acordo com a legislação, os gastos com publicidade no ano em que há eleições não podem superar a média dos primeiros semestres dos três últimos anos.

De acordo com Antoniolli, a contratação de propaganda volante é para a divulgação de campanhas, eventos e utilidade pública do município.

Fora dos limites

O contrato assinado pelo prefeito Otacílio Parras para a veiculação de propaganda volante contém outra estranha determinação. Pelo menos 340 horas — quase 15 dias ininterruptos de áudio, para efeito de comparação — devem ser veiculadas nos municípios de São Pedro do Turvo, Bernardino de Campos, Espírito Santo do Turvo, Ipaussu, Chavantes e Ourinhos durante o período de um ano.

É a primeira vez que uma publicidade do gênero do governo de Santa Cruz do Rio Pardo vai invadir as ruas de cidades vizinhas. A explicação da prefeitura ao DEBATE é que há necessidade de anunciar eventuais atrações e eventos do município que é considerado de “interesse turístico”. O “selo” estadual foi conquistado em 2017.

A secretaria de Comunicação também informou que o município oferece cursos que podem estar à disposição de toda a região, citando como exemplo a Fuvest — Fundação Universitária para o Vestibular —, que é responsável pela realização de exames vestibulares para instituições como a USP. Santa Cruz do Rio Pardo não possui campus universitário e muito menos cursos da USP, daí ser estranho uma forte propaganda volante na região.

Escondido

O edital para realização do pregão 90/2019 foi publicado na edição do “Semanário Oficial do Município” do dia 21 de dezembro do ano passsdo, com um número de páginas que não é comum. A edição eletrônica teve 270 páginas e o edital saiu na página 231.

Assim, poucas empresas tomaram conhecimento do pregão. A prefeitura também não teve interesse de alertar os empresários do ramo. Jesuel Domingues Paes, por exemplo, um dos mais tradicionais em publicidade volante de Santa Cruz, disse que não tomou conhecimento do pregão e sequer foi informado pelo governo. Consultado na sexta-feira, 14, ele foi surpreendido com a notícia do pregão.

Surpresa semelhante teve Juliano Henrique, cuja mulher é proprietária da empresa “JC Som”. O casal não tomou conhecimento do pregão para contratação de publicidade. Somente Paulo Roberto Nicolini, o “Paulão Som”, que, além da empresa de propaganda volante, também é radialista da Difusora. Ele disse que ficou sabendo do pregão. “Mas não tive interesse”, afirmou Nicolini.

A “Scotton Publicidade e Propaganda” foi a única a comparecer no pregão realizado no dia 13 de janeiro. No dia 22, a licitação foi homologada pelo prefeito e o contrato, assinado 14 dias depois. 

  • Publicado na edição impressa de 16/02/2020
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