João Zanata Neto: ‘Ayako’

Ayako

João Zanata Neto
Da Equipe de Colaboradores

Formosa flor
na doce penumbra
o poeta em ardor
reina e se deslumbra

Dorme serena
qual botão de rosa
minha pequena
na lua fulgurosa

Um gesto doce
de sincera paixão
sufraga e entorpece
desejos do coração

Ó frases sutis
olhar discreto
feito flores primaveris
em recanto secreto

Quisera eu
ser interprete
dos sonhos teu
que tudo adverte

Majestosa flor
na torre alta
o poeta em palor
rima e se exalta

Dorme serena
qual sereia
em onda amena
no leito de areia

Um doce gesto
de paixão e ardor
o amor manifesto
em calafrio e calor

Ó frases secretas
nos lábios cerrados
feito flores discretas
dos campos esverdeados

Quisera eu
ser vidente
dos sonhos teu
de futuro e de presente

Esplendorosa gema
na rocha engastada
o poeta em anátema
faz rima lapidada

Feito bruma
leve flutua
qual pluma
branca e lua

Um gesto sincero
de doce paixão
inquieto espero
venturas de emoção

Ó palavras honestas
nos olhos remansosos
feito flores seletas
dos buquês caprichosos

Quisera eu
ser a magia
dos sonhos teu
de amor e fantasia

Joia radiante
em terra hermética
o poeta ofegante
faz rima poética

Lua radiante
brilha luminosa
qual diamante
de face primorosa

Um gesto modesto
de doce emoção
anseio inquieto
calor e palpitação

Ó palavras prediletas
nos lábios murmurantes
feito maçãs seletas
em cesto de feirantes

Quisera eu
ser o profeta
dos delírios teu
do futuro que se projeta. 

* João Zanata Neto é escritor santa-cruzense, autor do romance “O Amante das Mulheres Suicidas”.

  • Publicado na edição impressa de16/02/2020
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