Otacílio Parras mantém serviço do lixo com empreiteira

UM LIXO — Em 2017, polícia impede caminhão de lixo de chegar ao aterro

Nova licitação para o serviço foi aberta;
abertura de edital descarta a Codesan

André H. Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Seis anos após ter assumido a coleta de lixo urbano em Santa Cruz do Rio Pardo, a empresa MRover vai ter de enfrentar uma nova licitação. O período de renovação do contrato com a empresa de limpeza pública já encerrou e a prefeitura teve de abrir um novo edital licitatório para a realização do serviço.

A abertura de uma nova licitação indica que a Codesan, mais uma vez, não vai assumir o serviço, que seguirá sendo feito por uma empresa terceirizada. A autarquia, por ser parte da administração, poderia fazer a limpeza pública sem o processo licitatório.

O valor máximo da contratação é R$ 5 milhões. A entrega dos envelopes, que seria feita em 9 de março, foi adiada para o dia 16 porque o edital foi contestado por outras empresas.

A relação entre o prefeito Otacílio Parras (PSB) e o dono da “MRover”, o empresário Moisés Rovere, é marcada por altos e baixos. Moisés já chegou até a presentear Otacílio com mimos. Por outro lado, há dois anos o prefeito não aceitou majorar o contrato de coleta de lixo nos índices desejados pela empresa. No total, houve sete aditamentos no contrato inicial entre a prefeitura e a MRover.

A empresa assumiu o serviço de coleta de lixo em 2014, substituindo a Codesan. Como a Codesan era uma empresa de economia mista, o Tribunal de Contas vinha alertando que o município deveria realizar uma licitação para o serviço de coleta de lixo e limpeza urbana. A atual artarquia, então, perdeu os serviços no início do governo Otacílio, o que causou um prejuízo enorme. Os contratos rendiam R$ 4 milhões anualmente.

No ano seguinte à derrota na licitação, a então empresa de economia mista teve as contas rejeitadas pelo TCE. Na época, foi comandada por Eduardo Blumer (período de três meses) e Cláudio Agenor Gimenez. Este último, por sinal, foi condenado em primeira e segunda instâncias por improbidade administrativa praticada no cargo.

A Codesan também sofre uma ação civil pública do Gaema — Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente — que questiona a maneira como a autarquia conduziu a conservação e manutenção do aterro sanitário de Santa Cruz, que foi interditado em 2017.

No processo, o núcleo do Ministério Público afirma que as vistorias constataram que o local funcionava como um “verdadeiro lixão” exposto a céu aberto. Urubus eram frequentadores do aterro.

A interdição do aterro gerou conflito entre o prefeito Otacílio Parras e o então secretário estadual do Meio Ambiente, o hoje ministro da mesma pasta Ricardo Salles.

Salles esteve em Santa Cruz para fechar o aterro em 2017. Otacílio não sabia de sua presença. Foi avisado por terceiros e chegou ao local quase uma hora depois. “É inadmissível informar a televisão de Bauru para dar o show e o prefeito não ser informado”, reclamou.

Naquele dia, Parras também afirmou que Salles promoveu um “show midiático” e disse, durante uma discussão acirrada, que “o senhor foi extremamente descortês”. 

  • Publicado na edição impressa de 23/02/2020
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