Murilo ameaça ‘investigar’ procurador

O vereador Murilo Sala (Podemos)

Vereador pediu informações sobre
período probatório do procurador

Irritado com uma resposta do procurador João Luiz de Almeida Júnior lida na sessão de segunda-feira, 15, o vereador Murilo Costa Sala (Podemos) anunciou que vai investigar o advogado concursado da Câmara. A polêmica envolve o relatório do procurador, que apontou os vereadores que devem devolver valores por terem recebido salários sem o desconto das faltas.

Entre eles está Murilo Sala, que faltou a 20 sessões e teria recebido indevidamente mais de R$ 17 mil desde 2013. Irritado com o relatório, Murilo usou a tribuna no início do mês, além de emissoras de rádio, para atacar o procurador. Ele disse que o relatório era “mentiroso” e garantiu ter em mãos as justificativas de quase todas as suas faltas. Porém, os documentos serão meras comunicações de ausências, por jantares ou “compromissos inadiáveis”, geralmente encaminhadas a personalidades homenageadas em sessões às quais Murilo não compareceu.

O procurador respondeu através de um parecer, lido na sessão da última segunda-feira, 16. Ele insistiu que comunicar uma falta não significa justificá-la de acordo com as razões determinadas pelo Regimento Interno. Além disso, João Luiz de Almeida Júnior lembrou que Murilo Sala tornou a se ausentar no exercício de 2019, o que ainda não consta no relatório divulgado no mês passado. Mais uma vez, alegou “compromissos assumidos”.

O advogado também lembrou que Murilo defende o pagamento integral a vereadores que não comparecem às sessões, mas, ao mesmo tempo, aprovou uma lei vetando o abono de faltas de servidores públicos que acompanham filhos em consultas médicas.

Murilo reagiu na segunda-feira, 16. Disse que o parecer do procurador é uma “opinião pessoal” e que todas as suas “justificativas” foram encaminhadas ao presidente, mesmo não obtendo respostas. Sobre a lei que restringiu o abono de faltas para servidores, Murilo disse que “não é problema do procurador”, já que é um projeto do Executivo.

“Se estas justificativas não foram corretas, quero saber por que ele não nos orientou e onde estava nestes momentos”, disse Murilo. O procurador, porém, já disse várias vezes que estas orientações não são de competência da Procuradoria e, sim, da assessoria parlamentar da Câmara.

Murilo Sala pediu, ainda, ao presidente que fornecesse documentos sobre a participação de servidores da Câmara em comissões especiais remuneradas a partir de 2013, um procedimento que existia na Câmara e que foi denunciado pelo DEBATE antes de ser totalmente extinto. “Quero um levantamento para ver se algum funcionário de carreira recebeu comissão durante o período de estágio probatório, antes da efetivação”, disse. O alvo, claro, é o procurador João Luiz de Almeida Júnior. 

  • Publicado na edição impressa de 22/03/2020
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