Prefeito desiste de estender o fechamento do comércio

Corredor do supermercado Avenida fechado com faixas

⇒ Pelo menos um paciente suspeito está em estado grave
⇒ Otacílio revoga decreto e comércio pode reabrir no dia 7

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Em apenas uma semana, o prefeito Otacílio Parras (PSB) assinou vários decretos, recuou e revogou o primeiro, divulgado na segunda-feira, 23, que estendia o fechamento de lojas, estabelecimentos de serviços e lazer (pesqueiros, casas noturnas, galerias, salão de festas e eventos) até o dia 26 de abril. Ele vai seguir decreto do governador, que vale até o dia 7 de abril.

O decreto proibia hotéis, pousadas e outros recintos de aglomeração de receber novos hóspedes. Postos de gasolina, supermercados, padarias e bancas de jornais poderiam permanecer abertas até 19h, e nenhum deles poderia abrir as portas aos domingos.

Antes de o prefeito Otacílio Parras revogar o próprio decreto que proibia postos de combustível de funcionar após as 19h e aos domingos, o Auto Posto Express impetrou mandado de segurança na Justiça para poder funcionar nos horários então vedados pelo prefeito. Argumentou que postos de combustível constituem atividade essencial à sociedade. O juiz Rafael Martins Donzelli aceitou e liberou o funcionamento.

A revogação da norma se deu após uma enxurrada de críticas ao prefeito, contra as quais ele reagiu. Durante a semana passada, Otacílio sugeriu perseguição e afirmou que quem criticou a medida estava, na verdade, mirando as eleições de outubro. Segundo o prefeito, a situação é grave e deve ser tratada como tal. Até as 16h de ontem, Santa Cruz contabilizava 11 casos suspeitos de infecção por coronavírus. O último paciente suspeito foi registrado no sábado, 28.

De acordo com a secretaria de Saúde, trata-se de um rapaz de 29 anos que trabalha em Ribeirão Preto. A tomografia sugere ser covid-19 e os exames foram encaminhados ao laboratório. Os resultados devem ser divulgados nas próximas semanas. Enquanto isso, o rapaz permanece isolado em sua casa. Seu quadro de saúde é estável.

Um dos pacientes suspeitos está internado na UTI da Santa Casa e, conforme apurou o jornal, seu estado de saúde piorou. Ele estaria entubado e em coma induzido.

Na região, Ourinhos aparenta ter o cenário mais grave até o momento. Com pouco mais de 100 mil habitantes, há na cidade 88 casos suspeitos. Dez deles aguardam exames.

Na semana passada, o município do prefeito Lucas Pocay (PSD) registrou duas mortes suspeitas pelo Covid-19.

A primeira envolve um idoso de 90 anos que morava em Ribeirão do Sul e sequer pôde ser internado na Santa Casa de Ourinhos, pois não deu tempo. A outra foi divulgada na noite de sexta-feira, 27, e a vítima também é um idoso. Os dois apresentaram sintomas característicos de coronavírus.

Ipaussu não divulgou se há suspeitos na cidade. Em Bernardino de Campos, segundo informou a secretaria na terça-feira, 24, dois pacientes aguardavam exames. Em São Pedro do Turvo eram três. Até ontem, 28, não havia casos suspeitos em Espírito Santo do Turvo. Em Piraju havia um. A reportagem não conseguiu contato com a prefeitura de Chavantes.

Prefeito proíbe mercados de
vender  
produtos não essenciais

Em decreto publicado na quarta-feira, 25, o prefeito Otacílio Parras proibiu supermercados de vender produtos que não sejam de higiene ou alimentícios.

A norma veda aos estabelecimentos a comercialização de utensílios domésticos — como lâmpadas, calçados, copos ou enxoval — e exige que estabelecimentos impeçam o acesso a prateleiras onde se encontram esses produtos.

Otacílio afirma que supermercados que vendam estes produtos fazem concorrência desleal com estabelecimentos de comércio fechados por determinação estadual.

Desde então, prateleiras e corredores estão fechados ou cobertos com faixas plásticas.

A rede de supermercados Avenida se opôs ao decreto de Otacílio e, na quinta-feira, 26, impetrou mandado de segurança na Justiça para obter a permissão de vender os outros produtos.

Mandado de segurança é o mesmo procedimento legal usado pelo Auto Posto Express, que conseguiu liminar para abrir as portas na semana passada.

O juiz Antônio José Magdalena, porém, não concedeu ao Avenida a autorização. Argumentou que o momento é “de extrema cautela” e que não há restrição de direitos, sendo, de acordo com ele, incabível o mandado de segurança.

  • Publicado na edição impressa de 29/03/2020 (ATUALIAÇÃO em 03/04/2020)
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