Grupo governista ‘toma’ SD de Murilo

ÚNICO PARTIDO — Sem o Solidariedade, Murilo Sala deverá disputar as eleições com uma única legenda

Partido pelo qual Murilo Sala foi
eleito, Solidariedade 
agora é a legenda
do candidato a vice de Diego Singolani

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Edvaldo Godoy deixou o DEM e se filiou ao Solidariedade, partido pelo qual se elegeu Murilo Sala (Podemos). Esta foi, provavelmente, a mudança mais significativa da “janela partidária” — período no qual os candidatos às eleições de outubro devem se filiar ou trocar de legenda —, que se encerrou ontem, 4 de abril. Edvaldo será o candidato a vice na chapa de Diego Singolani (PSD), apoiada pelo grupo do prefeito Otacílio Parras (PSB).

Na verdade, o DEM, a maior bancada eleita em 2016, juntamente com o PRB, perdeu todos os seus vereadores. Além de Edvaldo, João Marcelo Santos e Lourival Pereira Heitor também abandonaram a legenda. Só ficarão no partido aqueles políticos que não serão candidatos nas eleições deste ano. Ou seja, o DEM não vai lançar nenhum candidato a vereador e, portanto, não vai participar da coligação majoritária que irá apoiar o candidato Diego Singolani.

Até algumas semanas atrás, o Solidariedade era o partido de Murilo Sala, que deverá ser candidato a prefeito de Santa Cruz do Rio Pardo em outubro. No início do mês passado, o vereador trocou o SD pelo Podemos, legenda comandada no País pelo senador paranaense Álvaro Dias. Foi o próprio senador quem abonou a filiação de Murilo. O gesto foi seguido pelo empresário Maurício Cury, que Murilo anunciou como seu candidato a vice nas eleições de outubro.

No entanto, Murilo tinha planos de manter o Solidariedade sob o controle de seu grupo político. Na véspera do encerramento da “janela partidária”, na quinta-feira, 2, Murilo foi consultado pela reportagem sobre o fato de sua antiga legenda ter ido para o controle do governo. “Eu não acredito nisso, acho muito difícil”, disse.

Horas depois, a notícia se confirmou. O Solidariedade passou a ter como presidente o vereador Lourival Heitor e vai integrar o grupo de apoio aos candidatos governistas. O partido terá, inclusive, o candidato a vice-prefeito, já que Edvaldo Godoy também se filiou ao Solidariedade.

Podemos

Com a perda do Solidariedade, o grupo de Murilo Costa Sala se enfraquece para as eleições em termos partidários. Com a perda da antiga legenda, só restou ao grupo do vereador o Podemos.

Quando se confirmou a notícia de que o Solidariedade já estava sob controle do grupo governista, Murilo contou que “abriu mão” da legenda depois que começou a ter problemas com o comando do partido em São Paulo. Numa reunião na capital, por exemplo, o vereador não gostou de ter sido cobrado pelos dirigentes sobre o desempenho eleitoral do Solidariedade nas eleições de 2018 em Santa Cruz do Rio Pardo e a falta de apoio mais direto aos candidatos a deputado.

“Claro que não devemos ver apenas a ideologia, mas a personalidade do candidato. Como não apoiei este candidato, abri mão do Solidariedade”, disse Murilo. Tinha, contudo, esperança de que a legenda poderia permanecer sob tutela do grupo.

Na sexta-feira, Murilo Sala ainda tentava regularizar o Patriota — partido que em 2018 lançou o deputado Cabo Daciolo, da bancada evangélica, para a presidência da República. “Um outro partido também me procurou, mas não formalizamos nada”, explicou. Ele garante que, mesmo disputando as eleições de outubro com apenas um partido político, o grupo terá chapa fechada para vereador.


FRENTE — Diego Singolani terá apoio de uma frente de cinco partidos

Falta de diálogo provocou
o fim da bancada do DEM

O vereador Lourival Heitor trocou de partido, mas continua presidente. Ele agora vai comandar o Solidariedade, legenda que estava com o grupo de Murilo Sala e agora vai apoiar a provável candidatura de Diego Singolani para prefeito.

Lourival disse que não há qualquer viés ideológico na troca do DEM pelo SD, mas apenas uma “questão técnica”. Ele explicou que não estava conseguindo contato com os democratas de São Paulo e nem tinha acesso à senha para filiação partidária. Com a aproximação do final da “janela partidária”, o grupo do DEM resolveu não se arriscar e trocar de legenda. Afinal, havia o risco de candidatos perderem o prazo de filiação.

O vereador disse que a pandemia de coronavírus pode estar atrapalhando o trabalho nos diretórios estaduais, com a redução de funcionários.

Com a definição do quadro eleitoral partidário, o candidato Diego Singolani (PSD) deverá ter o apoio de cinco partidos — PSB, PSD, Solidariedade, PL e MDB.

Singolani vai se afastar do cargo de secretário de Saúde dentro de dois meses. Ontem foi o prazo para desincompatibilização de secretários e diretores municipais que querem disputar uma vaga na Câmara. Para o cargo de prefeito, como é o caso de Diego Singolani, o prazo de desincompatibilização é de seis meses antes das eleições.

As convenções partidárias para homologação dos candidatos serão realizadas em julho e a campanha eleitoral começa em agosto.

  • Publicado na edição de 05/04/2020
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