Cinco mães unidas pelo parto

VÍNCULOS — Pela ordem de “maternidade”, Letícia, Thaís, Rosângela, Amanda e Raquel: amizade para sempre

Numa incrível coincidência, cinco
mulheres deram à luz numa mesma semana,
tiveram meninas e se tornaram amigas

Sérgio Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Thaís, Rosângela, Letícia, Amanda e Raquel têm muita coisa em comum. Todas deram à luz numa mesma semana, quatro delas na Santa Casa de Misericórdia e outra em Ipaussu. Elas também tiveram filhas, hoje todas da mesma idade, 3 anos, e apenas uma delas tem mais filhos. Da experiência, surgiu uma sólida amizade, inicialmente entre as mulheres e agora também envolvendo os maridos. Já as crianças não se largavam antes da quarentena pela pandemia de coronavírus. Neste Dia das Mães, todas comemoram o nascimento de uma verdadeira “irmandade”.

Na terça-feira, 5, todas se reuniram novamente para uma entrevista, interrompida a todo instante pela correria das crianças. A única calmaria aconteceu durante a sessão de fotos, que durou poucos minutos.

Quatro das mães que formaram o grupo, com bebês ainda no colo

Thaís Fonseca, 33, funcionária da Associação Comercial de Santa Cruz do Rio Pardo, conta que já conhecia Rosângela de Fátima Sales Assis, 31. Coincidentemente, as duas ficaram grávidas praticamente ao mesmo tempo e costumavam se encontrar nas consultas médicas.

“Quando eu me internei para ganhar a Alice [que nasceu no dia 3 de maio de 2017], dois dias depois foi a vez de Rosângela [que ganhou Sofia, nascida aos 5 de maio]. Depois vieram Raquel e Amanda”, contou Thaís.

Aniversário das crianças no ano passado, que a pandemia não permitiu neste ano

Raquel de Fátima Pereira dos Santos, 37, deu à luz à pequena Pietra no dia 6, enquanto Amanda Nauci Nunes Rosalém, 24, ganhou Maria Júlia no dia anterior, 5.

Letícia Aparecida de Jesus Barbosa, 26, moradora de Ipaussu, deu à luz a Valentina na Santa Casa de Chavantes no dia 2 de maio daquele ano. Ela já morou em Santa Cruz, no começo do namoro, se casou, deixou muitas amigas na cidade e passou a administrar uma mercearia em Ipaussu. Pela amizade com Raquel, foi convidada a integrar o grupo. E ficou.

Ainda na Santa Casa com os bebês, as mamães de primeira viagem trocaram telefones e começaram a se comunicar. No final de maio, tiveram a ideia de criar o grupo “Mamães de Plantão” no aplicativo WhatsApp. Desde então, viraram comadres.

CRESCENDO UNIDAS — Todas as meninas são amigas e as mães sonham que cresçam estudando juntas

Aplicativo uniu

Com a falta de experiência, todas tinham muitas dúvidas em relação aos bebês e começaram a trocar mensagens. Afinal, a maior diferença de idade entre as meninas são quatro dias.

O assunto das conversas? “Geralmente era sobre qual pomada é melhor, sobre cocô e xixi, cólicas, resfriados, estas coisas”, conta Rosângela.

Funcionária do Sicoob Paulista, ela diz que o grupo no WhatsApp foi fundamental para ajudar a todas. “É uma experiência fantástica. A gente troca de tudo, até receita médica ou conselhos”, conta.

Todas garantem que, hoje, o contato é mais difícil porque um motivo em comum. “As crianças pegam o celular a todo momento”, diz Rosângela.

Letícia Aparecida, 26, é a “intrusa” do grupo. Afinal, a filha nasceu em Chavantes, mas acabou sendo convidada para entrar no “Mamães de Plantão”. No caso dela, que tem somente a mãe para ajudar a cuidar da filha, foi fundamental encontrar novas amigas — especialmente para a pequena Valentina.

Amanda Rosalém, 24, foi a terceira do grupo a dar à luz. “É engraçado, mas a gente conversava muito durante as madrugadas, quando cada uma estava amamentando a filha. Aproveitava e perguntava se o bebê estava dormindo bem ou chorando demais”, lembra.

Segundo Amanda, as dúvidas ainda persistem, apesar das crianças já estarem com três anos. “Os vínculos de amizade se fortaleceram a cada ano”, garante.

Raquel de Fátima, 37, é a “veterana” do grupo. Antes do nascimento da pequena Pietra, a funcionária de uma fábrica de pimentas já tinha Gabriel. “Mas a verdade é que eu não lembrava mais nada e foi fundamental a troca de experiências”, disse. Hoje, tem ainda a pequena Maria Fernanda para completar a “escadinha”.

Ela garante que quer manter a amizade iniciada na maternidade por toda a vida. “Assim como nossas filhas, que podem até cursarem uma faculdade juntas”, afirmou.

O parto gerou, além da criança, uma amizade “eterna” entre Letícia, Thaís, Rosângela, Amanda e Raquel

No WhatsApp o “Mamães de Plantão” é exclusivo para as amigas, uma espécie de “Clube da Luluzinha”. Bastaram alguns meses e das conversas virtuais o grupo passou a encontros para um café da tarde.

Mas onde entram os maridos nesta história? “Eles montaram um grupo no Whats para eles. Logo passamos para os churrascos em família”, conta Raquel. Geralmente, “denunciam”, alguns saem “bem alegrinhos” das reuniões.

As amigas só lamentam que a quarentena, quando a necessidade de isolamento passou a ser uma necessidade, afastou as crianças. “Neste ano elas estão tendo as festinhas de aniversários sem a presença das amiguinhas. É triste, mas altamente recomendável”, conta Thaís. Ela contou que sofreu ao ver a filha ignorar a piscina de bolinhas ou brincar no pula-pula que alugou.

“É muito difícil explicar para uma criança de três anos que as amiguinhas não podem vir em casa”, diz Raquel. Apesar das dificuldades, ela recomenda a todas as mães amigas, que ganham seus filhos na mesma época, que usem as redes sociais para se aproximarem e fortalecer as amizades.

  • Publicado na edição impressa de 10/05/2020
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