Santa Cruz atinge 58 casos, e prefeito reabre academias; bispo recua e mantém igrejas fechadas

Serviço decretado como essencial
pelo governo federal não precisa ser
seguido em S. Cruz do Rio Pardo

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

ATUALIZADO 18h 21/05 – Até a tarde desta quinta-feira, 21, Santa Cruz do Rio Pardo registrou 58 casos confirmados de coronavírus. Desse total, 47 já cumpriram o período de isolamento — 15 dias, segundo as recomendações de órgãos de saúde — e outros seguem sem contato social. O município registrou um total de 242 casos notificados.

Ontem, o bispo de Ourinhos, dom Salvador Paruzzo, havia determinado que as igrejas abrissem suas portas a partir deste final de semana. Algumas paróquias de Santa Cruz do Rio Pardo avisaram os fieis sobre a reabertura. No entanto, o promotor Adelino Lorenzetti, de Ourinhos, conversou com o bispo sobre o risco que representava a aglomeração nas missas. Dom Salvador, então, voltou atrás e manteve a quarentena em toda a diocese, com as missas sendo realizadas online. No entanto, há templos evangélicos funcionando ao público em Santa Cruz.

Na semana passada, o prefeito Otacílio Parras (PSB) decidiu regulamentar a abertura de academias, barbearias e salões de beleza em Santa Cruz do Rio Pardo.

Parras alega que o serviço foi decretado como essencial pelo governo federal e que, por isso, precisa regulamentá-lo em Santa Cruz. O argumento foi utilizado pelo menos três vezes na semana passada.

Na verdade, reabrir as academias seguindo protocolos foi uma opção de Otacílio. A competência para estabelecer políticas de saúde — como classificação de serviços essenciais — cabe aos estados e municípios, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal.

Não à toa, o próprio governo de São Paulo, representado pelo tucano João Doria, já afirmou que não acolherá a reabertura destes serviços.

Pelo decreto de Otacílio que regulamenta a abertura destes serviços, somente podem entrar nos estabelecimentos pessoas maiores de 18 anos que portem máscaras.

Além disso, o estabelecimento não poderá atender a mais do que 20% de sua capacidade máxima de pessoas. O uso de sanitários só é permitido em casos de emergência, e acompanhantes estão proibidos.

O prefeito também determinou que sejam desativados mecanismos que coletem digitais, portas e janelas devem permanecer abertas e cada usuário poderá permanecer por um prazo máximo de uma hora no local.

Todos os equipamentos devem ser constantemente higienizados e aparelhos celulares deverão ser proibidos pelos estabelecimentos.

A competência para fiscalizar as regras ficou a cargo de secretários municipais.

  • Publicado na edição impressa de 17/05/2020 (COM ATUALIZAÇÃO)
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