Vereadores se recusam a assinar as notificações sobre faltas

NÃO QUER — Edvaldo é um dos que não querem assinar a notificação

Presidente fez constar a atitude em ata

Na mesma sessão em que oito vereadores tentaram aprovar um projeto que anistiava os valores pagos indevidamente aos faltosos, com efeitos retroativos a 2009, a Câmara recebeu um ofício do Ministério Público comunicando a abertura de inquérito para investigar o caso. O documento encaminhado ao presidente Paulo Pinhata (PTB) foi lido logo no início da sessão, indagando sobre as providências adotadas pelo Legislativo.

O presidente, por sinal, já havia solicitado um levantamento das faltas ocorridas durante o seu mandato, a partir de 2019, cujos pagamentos foram de sua responsabilidade. Em seguida, a assessoria providenciou a notificação de todos para apresentarem suas justificativas sobre o caso, por intermédio de advogado ou pessoalmente.

No entanto, pelo menos seis vereadores se recusaram a receber a notificação, o que provocou um alerta do assessor parlamentar Victor Mariano. São todos da bancada governista: Edvaldo Godoy (SD), Luiz Antônio Tavares (PSB), Milton de Lima (PL), Lourival Heitor (SD), Marco “Cantor” Valantieri (PL) e João Marcelo Santos (PSD). “Nenhum deles quis assinar a notificação”, informou no microfone o assessor parlamentar ao presidente.

Pinhata, então, indagou a todos eles sobre o motivo da recusa e apenas Luiz Antônio Tavares tentou explicar. “A minha justificativa é que não posso satisfazer a vontade de um presidente que, por iniciativa própria, quer distorcer toda a linha de conduta e a normalidade da Casa. É só por esta razão”, disse Tavares, irritado.

O presidente, então, determinou que o nome de todos constasse na ata. “Eu estou dando direito aos vereadores para se manifestar, pois estas faltas dizem respeito ao meu mandato e a questões técnicas”, disse Pinhata.

Preocupado, Marco “Cantor” Valantieri perguntou ao presidente se ele pretendia fazer os descontos dos “faltosos” diretamente na folha salarial. “Estou adotando estas medidas junto com a assessoria e o contador. Por enquanto, não estou pedindo para ninguém devolver, mas quero receber a defesa de cada vereador”, disse o presidente Pinhata.

  • Publicado na edição impressa de 17/05/2020
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