João Ferreira: “Ratos e urubus”

Ratos e urubus

João Ferreira *

POLÍTICA    O reino animal metafórico da política é composto por diversos animais. A população geralmente utiliza alguns deles para rotular alguns políticos e algumas pessoas que vivem na/da política.

No imaginário popular, os urubus, por exemplo, são aves impopulares e rotuladas como de mau agouro. Também são relacionados à sujeira, à carniça e ao lixo. São mal quistos em qualquer localidade em razão da sua aparência pouco convidativa. Ninguém cria urubus como aves de estimação, por exemplo. Aliás, você já viu uma criança pedir uma festa de aniversário temática com urubu? Pois é.

Na política (e na vida), são aqueles personagens que só propagam más intenções e aguardam, à espreita, os acontecimentos ruins.

Na verdade, os urubus incomodam porque encontram a carniça dos maus governos e o chorume da podridão que cerca o aparato politiqueiro temporariamente alocado na estrutura estatal. Os coronéis e proto ditadores os odeiam.

O rato é outro personagem bastante curioso da fauna política. Ao contrário dos urubus, os ratos políticos (e de gabinete) vivem nos esgotos do poder e roem o dinheiro do pagador de impostos. Para o rato político, só vale alimentar a ninhada da qual faz parte, sempre até a última migalha.

Acostumado ao puxa-saquismo dos ratos apaniguados, o rato político gosta de estufar o peito e bravatear sua pseudo-coragem. Trapaceiro, gosta de viver de mentiras, de conluios e de formas para obter mais poder e/ou mais dinheiro. Porém, o rato nunca deixará de ser o que verdadeiramente é: um rato.

Para o desespero dos ratos políticos (e de gabinete), os urubus logo apontam o mau cheiro da incompetência, do desgoverno e da politicagem. Portanto, ainda que, talvez, feios, sujos e malvados, os urubus são necessários para apontar o que há de errado na carniça governamental. Assim, a população pode fazer a limpeza por meio do voto.

O problema dos ratos políticos (e de gabinete) é que, como na vida real, são excelentes sobreviventes. Basta ver que, quando um navio começa a afundar, os ratos são os primeiros a fugir, pois são ratos, e não burros.

E não adianta uma simples vassourada nas urnas. Os ratos políticos são insistentes e, mesmo quando aparentemente derrotados, voltam para assombrar as casas (inclusive as Casas Legislativas) que ocupavam.

Ao povo cabe fazer a limpeza da casa rotineiramente ou torcer para que os ratos fiquem encantados demais com o som da flauta do próprio ego para se afastarem da cidade. Mas, às vezes, uma flauta de Hamelin faz falta.

Observação: ninguém afirmou por aqui que todos os políticos são ratos ou urubus. Há muitos políticos bem intencionados e honestos, inclusive na cidade. Não me processem.

Pode isso, Arnaldo?
Por que os ratos políticos (e de gabinete) gostam tanto de dinheiro público?

* João Ferreira é advogado em S. Cruz

  • Publicado na edição impressa de 17/05/2020
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