Moda x coronavírus: é preciso reinventar-se

A santa-cruzense Thaís Gasparino é modelo internacional

Modelo internacional, a santa-cruzense Thaís
Gasparino conta o  cenário de incertezas
em que se encontra o mercado da moda

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

Enquanto empresas de todos os tipos adequam seus funcionários ao trabalho remoto, feito dentro de casa, o mundo da moda também sofre adaptações. A crise do coronavírus e o isolamento social recomendado por órgãos de saúde cancelou desfiles e fez com que comerciais sejam produzidos dentro de casa.

É o que conta a santa-cruzense e modelo internacional Thaís Gasparino, 22, que passa a vida atravessando continentes, nos corredores dos desfiles e nos estúdios de fotografia. Pelo menos era o que fazia até meses atrás, antes de o coronavírus afetar a sociedade.

O mercado da moda, na verdade, já vinha oscilando desde antes da pandemia. Segundo ela, a concorrência com as influenciadoras digitais, blogueiras e youtubers divide a procura das grandes marcas. “Hoje em dia, todos podem ter seus 15 minutos de fama”, brinca a modelo.

O vírus, no entanto, veio para dar ainda mais incertezas ao futuro do ramo. Com equipes reduzidas, agências trabalham de maneira remota. Comerciais, por exemplo, já são feitos por videoconferência. “É novidade para todos nós”, admite.

Grandes produções estão sendo adiadas, e até mesmo desfiles — quando não cancelados — são feitos através de filmagens. Não há previsão para o retorno da plateia.

Thaís faz parte das agências Allure, de São Paulo, e Mademoiselle, da França. Voltou de Paris no final do ano passado, após uma temporada de cerca de quatro meses na capital francesa. “As coisas pioraram na Europa logo que cheguei ao Brasil”, lembra.

A ideia era que Thaís passasse o início do ano por aqui e voltasse à Europa logo depois. Não aconteceu. “Tudo começou a ser cancelado de uma hora para outra. Ninguém imaginava que causaria este cenário”, conta.

A situação se tornou tão grave, e o impacto foi tão grande, que a revista Vogue, em sua versão italiana, publicou talvez a capa mais vazia — e sentimental — de sua história. Inteiramente branca, reflete, antes de tudo, respeito pelos demais. Foi como definiu seu editor-chefe, Emanuele Farneti. “A capa foi realmente impactante”, conta Thaís.

A crise se instalou de fato no Brasil há cerca de dois meses. O cenário não difere muito de quando o vírus chegou à Europa. Pelo menos no mundo da moda.

A diferença é que, aos poucos, o mercado tenta voltar ao normal no continente do outro lado do Atlântico. “As coisas ainda estão incertas, é verdade. Tudo será feito gradativamente”, conta.

Para Thaís, no entanto, já se pode dizer que haverá mudança. A modelo ainda não sabe dizer quais serão elas, afirma que “ainda é cedo”, mas adianta que tudo terá de ser repensado. Enquanto isso, marcas e empresas seguem se solidarizando para, juntas, enfrentar o coronavírus.

Renome

Thaís Gasparino é nome conhecido nos cenários brasileiro e internacional. Em 2017, por exemplo, saiu na versão brasileira da revista Vogue — a mais conceituada publicação de moda. Na França, já estampou páginas da C‘est la Vie e fez comerciais para a Avon internacional.

Desfilou também na Itália, na “Milão Fashion Week”, evento reconhecido mundialmente. Recentemente, apareceu nos telões de prédios na Coréia do Sul em uma propaganda para a marca também coreana Verutum.

  • Publicado na edição impressa de 17/05/2020
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