Câmara de Ourinhos abre CPI para apurar denúncia contra Pocay, Claury e aliados

O vereador Vadinho foi um dos autores do pedido de CPI

Relator sorteado foi o vereador “Vadinho”; MP também abre procedimento

 

André Fleury Moraes
Da Reportagem Local

A Câmara de Ourinhos aprovou na sessão de terça-feira, 27, a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a denúncia do empresário Ricardo Xavier Simões contra o prefeito Lucas Pocay (PSD), seu pai — o ex-deputado estadual Claury Alves da Silva —, o secretário de Assuntos Jurídicos Pedro Vinha Júnior, e o atual secretário de Finanças Osvaldino Araújo.

No decorrer do dia, Pocay e aliados já esperavam que uma CPI poderia ser aberta. A base do prefeito na Câmara, então, também formulou um pedido de abertura de CPI — este mais genérico.

A sessão legislativa acendeu os ânimos dos parlamentares. Vereadores da base governista afirmaram que a denúncia de Ricardo Simões tem caráter eleitoreiro — mesmo argumento de Pocay.

Por solicitação do vereador Edvaldo Lúcio Abel (PSDB), o “Vadinho”, os dois requerimentos para abertura de CPIs foram unificados.

“Vadinho” também foi sorteado relator natural da Comissão. A tendência é que a CPI não tenha tanta interferência do governo, já que é composta majoritariamente por membros da oposição.

Dos cinco vereadores hoje considerados contrários a Pocay, quatro fazem parte da CPI. Cícero de Aquino (Republicanos), por sinal, preside a Comissão e definirá seus desdobramentos.

Alexandre “Zóio” Araújo (Republicanos) e Flávio Luiz Ambrozim (PL) também estão entre os membros da comissão.

Ricardo Simões acusa Pedro Vinha Júnior e Osvaldino Araújo de terem sido interlocutores de um esquema de corrupção que beneficiaria não só a eles, mas também ao prefeito Lucas Pocay, seu pai — o ex-deputado estadual Claury —, e um terceiro não identificado.

O empresário tinha dívidas de impostos pendentes com a prefeitura e, para quitá-los, propôs uma dação em pagamento. O acordo só seria aceito se houvesse doação de terrenos aos agentes políticos.

Em discurso inflamado no plenário da Câmara, Edvaldo Lúcio Abel classificou como grave a denúncia contra Pocay e questionou cargos da administração. “Vadinho” criticou o fato de que parte do secretariado de Pocay veio de outras cidades, sobretudo de grandes centros. “Ourinhos tem gente capacitada”, argumentou.

Pelo menos dois secretários da prefeitura vieram de São Paulo e região metropolitana — Wagner Soares, de Segurança Pública, e Osvaldino Araújo, de Finanças.

O parlamentar citou também uma série de supostos escândalos que dariam margem a novas CPIs. Entre eles o da Fapi, a Feira Agropecuária de Ourinhos, evento para o qual Pocay destinou dinheiro público.

“Em toda a história de Ourinhos, nunca se colocou dinheiro na Fapi. Nesta administração foram R$ 1,2 milhão para o evento. Isso merece uma CPI”, alfinetou.

O parlamentar também citou o “escândalo dos cargos comissionados” na secretaria de Assuntos Jurídicos — fato que já rendeu a Pocay uma condenação, em primeira instância, ao pagamento de multa. O processo deve subir ao Tribunal de Justiça.

Segundo o vereador, a administração deixou de responder a 142 requerimentos à Câmara. O fato configurar improbidade administrativa.

O Ministério Público também instaurou procedimento para apurar a denúncia do empresário Ricardo Simões.

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